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Leandro Vilar

domingo, 28 de abril de 2013

Xerxes: O Rei dos Reis

"Sou Xerxes, o grande rei, o rei dos reis, rei de terras contendo muitos homens".
Xerxes I da Pérsia


O egocêntrico rei da Pérsia, Xerxes I é lembrado principalmente na História por ter tentando conquistar a Grécia, vingando assim a derrota que seu pai sofreu anos antes, o qual também tentara conquistar os gregos. Xerxes não igualou-se a grandiosidade de seu pai, mas sua ânsia por vingança e a cobiça por novas terras, o levou a reunir um dos mais poderosos exércitos que o mundo vira, mas que pela imprudência dos persas e pela sagacidade dos gregos, foi derrotado. No entanto, a vida de Xerxes não resumiu-se apenas em combater os gregos, ele herdara o legado do maior império que existia em seu tempo, o Império Persa Aquemênida, e durante seu governo consolidou conquistas, reuniu um poderoso exército, propôs reformas na política, ordenou construções públicas, mas no fim foi derrotado pelo seu ego. 

Antecedentes: o avô, o tio e o pai

Xerxes era neto de Ciro II da Pérsia (?-530 a.C), conhecido como Ciro, o Grande, fundador do Império Persa; e era filho do rei Dario I (550-486 a.C), conhecido como Dario, o Grande. De certa forma, os epítetos herdados por seu avô e pai, levaram Xerxes a tentar se igualar aos mesmos. Ciro II era neto de Ciro I e filho de Cambises I, ambos foram reis de Anshan, um pequeno Estado vassalo do Reino da Média localizado no que hoje é o Irã, governado pelos Medos. No entanto, quando Ciro II subiu ao poder, decidiu levar à cabo a iniciativa de se emancipar do domínio dos Medos, e em 559 a.C ele saiu vitorioso, tendo conquistado seus antigos senhores, e passando a se proclamar rei da Pérsia. Nos quase vinte anos que governaria, Ciro II expandiria o novo Reino da Pérsia, conquistando seus vizinhos o que incluiu a Babilônia, a Suméria, a Assíria, a Armênia, a Pártia, a Bactriana e a Lídia. 

Mapa do Império Persa durante o reinado de Ciro, o Grande (559-530 a.C). 
Ciro, o Grande é lembrado por ter libertado os judeus do cativeiro da Babilônia em 539 a.C. Tendo sido clemente com os judeus, Ciro ordenou que os mesmos fossem escoltados de volta a Judeia. Depois disso prosseguiu com suas conquistas, expandindo seu império da Ásia Menor em direção à Índia. Tornando-se o maior império de seu tempo. 

Cambises II
O império da Dinastia Aquemênida, iniciado por Ciro, foi sucedido por seu filho Cambises II (?-522 a.C) o qual empenhou-se nas campanhas militares, o que levou a conquista do Egito em 525 a.C, vindo a ser também proclamado Faraó do Egito. Diferente de seu pai, Cambises não dera tanta atenção a política e a gestão de seu vasto império, e era conhecido por seu um homem cruel e violento. Heródoto de Halicarnasso (485?-420 a.C) considerado o primeiro historiador grego, descreve Cambises como tendo sido um governante tirânico, impetuoso, ambicioso e ganancioso. Enquanto Cambises II se encontrava no Egito, a fim de organizar campanhas militares para expandir seus domínios na África, porém, os anos se passaram e Cambises II se frustou com as impossibilidades. Em 522 a.C, uma rebelião eclodiu na Pérsia, e Cambises decidiu retornar para a capital, mas acabou morrendo misteriosamente em algum lugar da Síria. A história a respeito de sua morte ainda é um mistério. Heródoto diz que Cambises teria se ferido acidentalmente e morrido; por sua vez, Dario I dá a entender que o rei teria cometido suicídio ou teria sido assassinado. De qualquer forma, como o trono estava vago, e o rei não havia nomeado seu sucessor, o novo rei que assumira o trono da Pérsia foi Smerdis, um impostor. 

Smerdis ou Bardiya, era meio-irmão de Cambises, porém Cambises o havia assassinado ou ordenou sua morte por volta de 522 a.C. Mas como a morte do irmão foi guardada em segredo, poucos sabiam que o mesmo havia morrido. Quando o rei faleceu, um impostor de nome Gaumata que era um mago, se fez passar por Smerdis e assumiu o trono persa, no entanto, alguns funcionários da Corte e a Família Real começaram a desconfiar do novo rei, pois ele não lembrava a aparência de Smerdis. A esposa de Smerdis contou isso ao seu pai, então o pai pediu que ela investiga-se, ela notou que o suposto marido não tinha as orelhas, logo, lembraram que um mago de nome Gaumata havia sido punido pelo rei Ciro, e tivera as orelhas cortadas. Algumas famílias nobres, o que incluía a família de Dario, invadiram o palácio e mataram o usurpador e seus comparsas. Dario foi eleito rei da Pérsia no dia seguinte, em 521 a.C.

"O pai de Xerxes havia conquistado sua posição atual através de uma combinação de inteligência e capacidade de liderança e uma sucessão de matrimônios convenientes. Seu primeiro casamento, com a filha de um sátrapa, ou governador de província, foi o início de uma escalada ao poder; dentro das fileiras da aristocracia persa". (LLYWELYN, 1988, p. 10).


Dario, o Grande
Dario era filho de Vishtaspa (conhecido mais pela forma grega de seu nome, Histaspes), e era neto de Arsames. Neste caso, Histaspes e Arsames foram sátrapas durante o reinado de Ciro, o Grande e de Cambises II, tendo governado a Persis e a Báctria, províncias orientais do Império, no que hoje seria o Afeganistão. Logo, de certa forma, Dario estava ligado ao governo, embora sua família não fosse nobre, mas alegava ser descendente direta de Aquêmenes (705-675 a.C), ancestral que teria formado a Dinastia Aquemênida. Todavia, embora tendo a condição de ser filho e neto de um sátrapa, Dario era um homem que almejava muito mais. Alcançou postos elevados através de casamentos, mas também de seu valor como guerreiro e comandante militar. Dario era descrito como sendo um exímio cavaleiro, espadachim e lutador, isso o levou a se tornar membro da Guarda Real de Cambises II, logo, Dario seguiu junto com o rei para várias das campanhas que o mesmo dirigiu pessoalmente, o que incluiu a conquista do Egito. 

De qualquer forma, existe a possibilidade que Dario soubesse que o rei havia ordenado a morte de seu irmão Smerdis, daí, Dario ter se unido com os demais nobres para derrubar o usurpador. Dario foi escolhido para assumir o poder, pois contava com apoio de parte da nobreza e da aristocracia das províncias, como também foi um leal servo do rei Cambises. Quando assumiu o poder, revoltas eclodiram pelo império, e Dario tratou de contê-las. 

Nos anos seguintes, ele não apenas empreendeu censura a tais revoltas, como reorganizou o Estado persa, desde sua economia, leis, burocracia, justiça, impostos, etc; dividiu o império em novas satrapias, criou um sistema de comunicação mais eficiente, criou novos cargos, o que incluiu espiões para espionar os sátrapas; reformulou o sistema monetário instituindo o dárico como moeda oficial do império. Casou-se com as antigas esposas de Cambises, Atossa e Artystone e também tomou para si novas esposas, o que aproximou importantes famílias persas a sua Corte; expandiu os domínios do império, consolidando fronteiras e firmando acordos com outros povos. Ordenou a construção de palácios, estradas, aquedutos, cidades, templos, monumentos, etc.

Um dárico de ouro do século V a.C. A moeda contem a efígie do rei Dario, o Grande. 
"Dario estava convencido de que a ele se reservara a missão de levar a cultura e a civilização persa aos povos dos territórios conquistados. Ele enviou exploradores para percorrer o rio Indo e o Oceano Índico. Abriu portos na costa sul da Pérsia. O canal que mandou construir no Egito, do rio Nilo até Suez, foi uma realização gloriosa, e o rei tinha monumentos erguidos ao longo de sua extensão, ostentando inscrições que exaltavam o poder da Pérsia Aquemênida". (LLYWELYN, 1988, p. 18).


O Império Persa em sua máxima extensão durante o reinado de Dario, o Grande (521-486 a.C).
Xerxes: da infância a adolescência


Xerxes I da Pérsia
Xerxes nasceu em 519 a.C, era filho de Dario com Atossa, filha de Ciro, o Grande e irmã de Cambises II (o incesto não era proibido entre a realeza persa). Xerxes era o primeiro filho de Atossa com Dario, pois os mesmos tiveram mais filhos, e além disso Dario já tinha esposas anteriormente de se tornar rei e se casou novamente; a poligamia e os haréns eram características comuns da cultura persa. Quanto mais esposas e concubinas um homem possuía, isso era indicativo que ele era muito rico, pois para se possuir um grande número de esposas era necessário pagar muitos dotes de casamento, e no caso das concubinas, ter dinheiro para comprar as mais belas. Heródoto conta que Dario tinha cinco esposas e dezenas de concubinas em seus haréns. De qualquer forma, Xerxes e seus irmãos e irmãs, cresceram afastados do amor do pai e em alguns casos até da mãe, pois, era comum na realeza, as ama-de-leite e os escravos cuidarem das crianças. De fato, Xerxes só via o pai de longe como ele mesmo atesta em seus relatos acerca da sua infância. Foi apenas na adolescência que ele passou a se aproximar do pai. Xerxes foi educado pelos melhores professores do império, assim como também recebera treinamento militar, pois como seu pai, tio e avô haviam sido guerreiros, Dario cobrava o mesmo de todos os seus filhos. Embora que Xerxes como aponta, nem sempre gostava da rígida disciplina e etiqueta cobrada de seus estudos e do fato de ser príncipe. 

"Xerxes pensava em Dario como um rei, um semideus em contato com o divino deus Sol, mas não como um pai. Como todos os filhos de Dario, Xerxes nunca vira o rei agir como um pai, num sentido mais pessoal. Ele podia apenas admirar o grande homem de longe e tentar imitá-lo nas muitas ocasiões especiais em que Dario viajava com toda a família, a fim de impressionar os habitantes das províncias". (BUTSON, 1988, p. 12). 

Os relatos contam que Xerxes era habilidoso na equitação, na condução de bigas e na luta com lança. Dizia que possuía pernas fortes, era um homem relativamente alto para os padrões persas e de aparência bela. Deixou os cabelos e a barba crescerem, assim como ditava a moda dos nobres na época. Além de aprender etiqueta, a ler e escrever em aramaico e outras línguas e receber treinamento militar, Xerxes estudou história, geografia, política, administração, economia, comércio, direito, filosofia, etc. 

Embora não fosse o primogênito, era o favorito do rei para se tornar seu sucessor, pois Xerxes possuía o sangue real de Ciro, o Grande, fundador do Império Persa, algo que Dario orgulhava-se. Além disso, nem sempre a sucessão monárquica era algo calmo, as vezes herdeiros legítimos eram destronados por usurpadores, então Xerxes não apenas teria que se preparar para herdar um vasto e poderoso império, mas assegurar que permanece-se no trono. 

Por volta de seus quinze anos, Xerxes ainda continuava seguindo os estudos, mas passou a se aproximar mais do pai, dos irmãos mais velhos, tios e demais membros da Corte. Por essa época, já se tornava visível a predileção de Dario para que Xerxes fosse seu herdeiro.

"Dario gostava de ver tanta riqueza desfilar ante seus olhos, e Xerxes, ao alcançar a adolescência, provavelmente dividiu o tablado com seu pai, assistindo à inspeção dos tesouros oriundos de diferentes regiões que eram presenteados ao rei". (LLYWELYN, 1988, p. 21).

A medida que envelhecia e alcançava a maturidade, Dario passou a designar algumas responsabilidades a Xerxes, o mesmo passou a ocupar alguns cargos na Corte ou em outras sátrapas, pois Xerxes morou algum tempo na Babilônia e em outras cidades. Enquanto Dario estava viajando, era Xerxes que ficava em seu lugar na capital Persepólis ou em Susa, pois Dario queria assim mostrar que o filho era de fato o seu escolhido a sucessão. 

O ataque a Grécia: o malogro de Dario (492-490 a.C)

A Grécia Antiga não era uma nação unificada, mas sim uma união dispersa de dezenas de cidades-Estados, que compartilhavam a língua, religião e costumes, mas cada cidade possuía seu soberano, e algumas destas cidades possuíam colônias, e tais colônias que se espalhavam pela Ásia Menor (atual Turquia), Itália, França e Espanha, passaram a formar o território da Magna Grécia ("Grande Grécia"). Foram as colônias gregas na região da Jônia, terras que compreendiam o oeste da Lídia como os persas chamavam a Ásia Menor em seu tempo, que em 499 a.C começaram a se rebelar contra os altos impostos cobrados. 

De fato, antes dos persas conquistaram esta região, os gregos já estavam a colonizando. E mesmo que Ciro, o Grande, tenha a subjugado, porém nunca se reconheceram como sendo persas. A língua, a religião e os costumes ainda eram gregos, apenas os impostos eram pagos aos reis persas, porém naquele ano estas cidades se rebelaram, e contaram com o apoio de Atenas e Erétria, que as incentivavam a se rebelarem contra a Pérsia a fim de conquistarem sua independência.

Em destaque as cidades gregas na Jônia, local das revoltas que levaram Dario, o Grande a decidir invadir a Grécia para punir Atenas e Erétria por terem incentivado a revolta na Jônia. 
As revoltas duraram alguns anos, porém cansado de ter que cuidar destes problemas na Jônia, em 492 a.C, Dario ordenou que seu genro Mardônio, liderando um pequeno exército, ele atravessou o Estreito de Helisponto (hoje Dardanelos) adentrando a Trácia (hoje Bulgária) e seguindo até a Macedônia (tal região não corresponde a atual Macedônia, mas sim o norte da atual Grécia). Mardônio reafirmou a conquista da Trácia e da Macedônia, as tornando províncias do Império Persa (na realidade a região já havia sido invadida por ordens de Dario anteriormente, mas ainda estavam instáveis sob o governo persa). Dario enviara uma frota para dá apoio a Mardônio, mas uma tempestade afundou alguns navios e fizera outros se perderem, então o rei adiou o ataque a Grécia.

Em 490 a.C, a ilha de Chipre foi conquistada, então Dario designou seu sobrinho Artafernes e o nobre meda Danis para liderarem os ataques. A frota persa partiu de Chipre, aportou na ilha de Naxos, a conquistou, pilhou e destruiu, então seguiu para a ilha de Eubéia onde ficava a cidade de Erétria. A cidade fora saqueada e incendiada, a população fora assassinada e feita prisioneira. 

A rápida vitória sobre Erétria aumentou a confiança de Danis, acreditando que Atenas cairia facilmente. Como Atenas ficava recuada em uma região alta na Ática, a solução era desembarcar o exército e seguir por terra. O lugar escolhido fora a planície de Maratona, localizada a nordeste de Atenas, acerca de 42 quilômetros de distância. 


Milcíades
Os atenienses sabendo do ataque a Erétria, reuniram um exército de cerca de 9 mil hoplitas (infantaria pesada) e mais 1 mil hoplitas vindo de Platéia. Todavia, os atenienses enviaram um mensageiro a rival cidade de Esparta, mas os espartanos alegaram que só poderiam deliberar assuntos de guerra apenas a partir de noites de Lua cheia, como atesta Heródoto. Logo, os atenienses e os platenses marcharam em direção a Maratona, sendo liderados pelo general ateniense Milcíades, o Jovem (550-490 a.C). O exército persa continha cerca de 20 mil guerreiros, na época Heródoto exagerou nos cálculos alegando que o número teria sido de quase 100 mil. 

"Os guerreiros de Atenas, comandados pelo general Milcíades, imobilizaram rapidamente o exército persa, cortando o corpo central das tropas de apoio que estavam encarregadas de protegê-lo. Os gregos lutaram com devoção e a batalha logo se transformou num massacre. Os soldados persas, despreparados para a luta a curta distância, foram massacrados enquanto fugiam para seus navios". (LLYWELYN, 1988, p. 28).

Os atenienses tiveram menos de duzentas baixas, já os persas perderam pelo menos 6.400 homens, uma perda enorme se compararmos ambos os lados, e o fato de que o exército persa era praticamente o dobro do exército grego. O restante dos persas embarcaram nos navios e fugiram para a Lídia. Os atenienses celebraram a vitória, dando início a construção de um templo dedicado a deusa Atena, padroeira da cidade. O templo seria chamado e Partenon. Milcíades morreu na batalha, mas seria lembrado como um grande general, seu elmo foi oferecido como uma oferenda no Templo de Zeus em Olímpia, local onde era realizado os Jogos Olímpicos.  Seu elmo ainda pode ser visto hoje no Museu Arqueológico de Olímpia. 


Desenho retratando o início da Batalha de Maratona em 490 a.C. Os hoplitas partem para o ataque contra o exército persa. 
"A esmagadora derrota infligida por uma força menor inquietou o espírito de Dario. Desde então a idéia de provar o poderio persa tornou-se quase uma obsessão para ele. Dario estava determinado a conquistar a Grécia". (LLYWELYN, 1988, p. 29). 

A vitória em Maratona inspirou a lenda do mensageiro Fidípedes contada por Heródoto; o qual após a vitória em Maratona, Fidípedes correu até Atenas para avisar acerca da vitória, quando o mesmo chegou, suas últimas palavras antes de morrer de exaustão foram: "Nós vencemos". Em sua homenagem criaram no século XX a prova de corrida chamada maratona

Xerxes se torna rei:

A derrota deplorável em Maratona repercutiria pelos anos seguintes. Dario, os conselheiros de Estado e a nobreza ficariam profundamente indignados. Os persas se consideravam uma potência mundial, se consideravam o império mais poderoso do mundo, e terem perdido para um "punhado" de gregos, onde o restante do exército tivera que fugir, isso era humilhante, desonroso. O próprio Xerxes deve ter compartilhado dessa frustração, isso contribuiria anos depois para sua obsessão em se conquistar a Grécia. 

Dario culpou a derrota para os gregos tendo sido provocada pelo general Danis, pois os persas se viam como sendo o mais poderoso império do mundo e possuindo o maior e mais poderoso exército, a derrota fora um erro de comando e estratégia, algo que Xerxes também acreditava, pois quando chegou a sua vez, ele mesmo partiu para comandar seu exército, e não enviou outros em seu lugar. Xerxes julgava que um rei deveria liderar seu exército pessoalmente. Dario fizera isso por vários anos, mas acabou se acomodando e elegendo outros para liderar seus exércitos.

Todavia, Dario iria ficar indignado com essa derrota e pretendeu contra-atacar. Ele estava decidido em conquistar a Grécia de vez. Aquela península povoada por um povo bárbaro que vivia em pequenas cidades-Estados (era assim que os persas viam os gregos). Nos três anos seguintes, Dario aumentou absurdamente os impostos para repor os cofres do Estado, e armar, equipar e treinar um novo e grande exército. Em 486 a.C ele partiu liderando seu exército, e naquele ano se encontrava acampando na província da Lídia (hoje território turco). Ele apenas estavam aguardando o restante das tropas chegarem, para se dirigir à Grécia, porém fatidicamente uma grande rebelião eclodiu no Egito naquele momento.

Os altos impostos e tributos, foram questionados pelos egípcios que se rebelaram contra o governo. O Egito era uma das províncias mais populosas do império e a maior produtora de alimentos. Se os egípcios suspendessem o fornecimento de grãos para outras províncias, isso geraria fome, e a fome levaria a revoltas e as revoltas poderiam gerar uma guerra civil. Novas revoltas e uma guerra civil eram a última coisa que Dario queria naquele momento, então ele ordenou que seu exército seguisse para o Egito, a fim de apaziguar a rebelião, para depois retomar o plano de se atacar a Grécia. No entanto, na viagem de ida para o Egito, Dario acabou adoecendo gravemente e veio a falecer ainda naquele ano. Seu corpo foi embalsamado e levado para Persépolis. Dias depois do funeral, Xerxes foi coroado rei da Pérsia. 


Tumba de Dario, o Grande em Naqsh-e Rustam, hoje no Irã. No mesmo monte foram enterrados outros governantes, o que inclui também o próprio Xerxes. 
Aos 32 anos de idade, já casado e pai de alguns filhos, Xerxes embora não fosse o filho mais velho de Dario, e possuía alguns irmãos mais velhos, era desde sua adolescência o favorito a assumir o trono, principalmente por sua linhagem sanguínea,  pois era descendente de Ciro, o Grande, sendo o neto mais velho deste. Sua coroação foi cheia de pompa, e o dia da coroação fora decretado feriado nacional, e o povo foi incentivado a festejar a coroação do rei.


Xerxes num primeiro momento não decidiu ir atacar a Grécia, isso só iria ocorrer anos depois. Naquele momento ele estava preocupado em conter a rebelião no Egito e punir os egípcios por sua afronta que levou seu pai a atrasar a campanha contra os gregos e eventualmente trouxe a morte do mesmo, enquanto seguia viagem para a província. De certa forma, Xerxes considerava aquela rebelião como causadora da morte de seu pai, se não tivesse sido ela, seu pai teria ido para a Grécia e ainda poderia estar vivo. 

Contida a rebelião no Egito, ele passou a dar atenção ao restante do império, de forma a consolidar sua autoridade para seus súditos, e mostrando para aqueles que ousassem desobedecer suas leis, seriam duramente castigados. Em 482 a.C uma nova grande rebelião eclodiu no império, nesta vez na província da Babilônia. Num passado longínquo a Babilônia foi um poderoso reino, mas quando Ciro, o Grande a conquistou, o reino estava em decadência. 

Naquele ano, o sátrapa da Babilônia fora assassinado e o assassino se proclamou "rei da Babilônia". Xerxes revoltado com a afronta, ordenou a invasão da Babilônia. A cidade fora saqueada, o usurpador e seus cúmplices foram executados, e a cidade foi parcialmente destruída. Assim como o Egito, a Babilônia perdera alguns privilégios políticos, legais e econômicos que dispunha, por serem civilizações antigas. 


Inscrição em cuneiforme exaltando a imagem do rei Xerxes I da Pérsia. Tais mensagens eram uma forma de propaganda para exaltar a pessoa do monarca para seu povo e os estrangeiros. 
Nos anos seguintes, novas revoltas não eclodiriam, então Xerxes passou a dar maior atenção aos preparativos para se atacar os gregos. Ele reuniu um grande exército, convocando homens de todos os cantos do império. Estima-se que o exército persa seria de 200 mil homens, embora que Heródoto e outros historiadores gregos antigos, sugeriram cifras absurdas de mais de 1 milhão de guerreiros. Tal fato se deve que os gregos queriam aumentar ainda mais a vitória que tiveram, alegando que embora os persas possuíssem um gigantesco exército, os gregos eram mais fortes e habilidosos. 


"Heródoto relaciona pelo menos 45 diferentes povos dominados como fornecedores de soldados para a campanha grega de Xerxes. No mínimo doze outros enviaram homens para tomar parte da esquadra persa. Havia vinte e nove divisões de infantaria, incluindo etíopes, com o corpo pintado de vermelho e preto; arqueiros árabes, com suas túnicas finas e grandes arcos presos às costas, e soldados da Trácia, portando gorros de pele de raposa e capas coloridas". (LLYWEYLN, 1988, p. 41). 

Xerxes decidiu que iria comandar pessoalmente seu exército, então em 481 a.C seguiu para a Lídia, levando consigo, algumas de suas esposas, concubinas, filhos, irmãos, cunhadas, primos, tios, conselheiros, funcionários, escravos, etc. De fato, cada um dos generais e comandantes poderia levar seus familiares e escravos pessoais. Os historiadores dizem que os persas de certa forma transferiam sua corte quando o rei decidia participar das campanhas militares. Daí, além de seguir o exército de 200 mil guerreiros, mais algumas centenas de pessoas seguiam o exército, eram um cortejo de guerra. Tal ideia era uma forma de o rei mostrar aos povos conquistados o seu poder e prosperidade, e ao mesmo tempo, mostrar a corte e seus familiares e amigos, sua bravura e astúcia no campo de guerra. 

As Guerras Médicas (480-479 a.C):

As Guerras Médicas (nome dado pelos gregos, para se referir aos medas, povo de quem os persas eram originalmente vassalos antes da criação do Império Persa. O termo era uma forma de afrontar os persas) ou Guerras Greco-persas, se iniciaram em 490 a.C com o ataque ordenado por Dario, todavia, apenas dez anos depois é que tais guerras voltaram a ocorrer. Daí, alguns historiadores preferirem dividir o momento das Guerras Médicas em duas fases: Primeira fase (492-490 a.C) e Segunda Fase (480-479 a.C). 

Devido o foco deste texto ser a figura do rei Xerses, e as poucas fontes que consegui para escrever este texto, pois é difícil encontrar livros sobre a Pérsia aqui no Brasil, me restringirei a falar por alto acerca das Guerras Médicas. Todavia, um dos primeiros historiadores a tratar destas guerras fora Heródoto de Halicarnasso (ca. 484 a.C - ca. 425/420 a.C) dito o "Pai da História". 

No ano de 480 a.C o grande exército de Xerxes e sua Corte itinerante estavam reunidos na cidade de Sardis na Lídia, de onde partiram em direção ao Helesponto para chegar na Trácia, pois grande parte do exército seguiria por terra, atravessando a Trácia e a Macedônia até chegar a Tessália, no norte da Grécia. Outra parte seguiria por mar, nos cerca de seiscentos trirremes que o rei havia designado para aquela campanha (os historiadores gregos falaram em mil navios, ainda sim um número contestável). Além disso, a frota também era formada por outros tipos de navios, chegando a contabilizar pelo menos mil navios. 

Desenho de um trirreme. O nome se deve ao fato de o navio possuir três fileiras de remos. Os trirremes foram usados pelos gregos, fenícios, persas entre outros povos. Eram navios de porte mediano, principalmente usado para viagens ou para guerra, pois para o comércio seu interior não era muito amplo, devido o fato de ter que acomodar os remadores que poderiam chegar ao número de 100 ou mais. Os trirremes possuíam na proa um espigão que ajudava a furar o casco de outros navios.

Temístocles
Enquanto Xerxes seguia por terra, na Grécia, as cidades-Estados gregas já haviam vindo se preparando para este dia. Em Atenas, o general Temístocles (524-459 a.C), há alguns anos, convenceu os atenienses de formarem uma aliança com outras cidades gregas a fim de combaterem os persas, pois Temístocles acreditava que os persas iriam atacá-los novamente, embora Dario tenha morrido em 486 a.C, quando se preparava para atacar a Grécia, agora era seu filho Xerxes que o fazia. Neste tempo, Temístocles incentivou o governo a seguir sua proposta, de fortificar a cidade de Atenas, enviar os cidadãos para outras terras, pois ele sabia que Atenas seria atacada pelos persas, como também incentivou a construção de uma frota de guerra, até então Atenas mal dispunha de navios de guerra. Estima-se que pelo menos cem ou mais navios foram construídos, assim como os aliados de Atenas também contribuíram com dinheiro para formar a frota e as tropas. 

Do outro lado da Grécia, Esparta reunira suas aliadas, para juntar forças para combater os persas. Embora Esparta e Atenas fossem inimigas, assim como outras cidades-Estados gregas também, os gregos estavam cientes que não poderiam derrotar os persas sozinhos. Heródoto chega a comparar a aliança das cidades gregas durante a guerra contra Xerxes, com a lendária (embora Troia tenha existido, a guerra narrada por Homero, é considerada mítica) aliança feita para se travar a Guerra de Troia. No caso de Esparta, o rei Leônidas I (c.540-480 a.C), era quem lideraria as forças espartanas nas primeiras batalhas. 

Xerxes havia enviado mensageiros levando a mensagem para que as cidades gregas se rendessem. Segundo Heródoto, as cidades que se renderam ofereceram terra e água ao rei, como sinal de sua rendição. Algumas das cidades do norte da Grécia se renderam a Xerxes, todavia, Atenas, Esparta e os demais aliados, não iriam se render, a guerra havia sido escolhida e em breve se iniciaria. Temístocles sugeriu que a frota se reuni-se em Artemísia, no norte da ilha de Eubeia, por sua vez, Leônidas sugeriu que os espartanos e seus aliados defendessem uma pequena passagem no Peloponeso, localizado nas Termópilas, chamada também de Portões Quentes ou Portões de Fogo (o nome se deve ao fato de haver pequenas fontes de águas termais na região, que liberam o cheiro de enxofre). 

O único ponto fraco da estratégia espartana era uma trilha que subia pela encosta e saia do outro lado dos Portões Quentes, mas Leônidas sabia desta trilha, e pôs os fócios para cobrir a retaguarda, enquanto os espartanos, tebanos e tepsianos defenderiam os Portões Quentes e atacariam na vanguarda. 

No dia 13 de agosto de 480 a.C, parte da frota persa chegou ao istmo de Artemísia, mas uma violenta tempestade afundou parte dos navios persas. Os gregos viram aquilo como um sinal de Poseidon, o deus dos mares, o qual estava do lado deles. Xerxes preferiu aguardar alguns dias, para que o restante do exército e da frota estivesse mais perto para se iniciar o ataque. O ataque inicial se realizou em duas frentes: uma batalha naval em Artemísia e uma batalha terrestre em Termópilas, em ambas os persas saíram vitoriosos, embora tendo sofrido algumas baixas.

A frota persa muito maior do que a grega, a qual contava com 271 navios, sendo cem destes, apenas de Atenas; subjugou a frota ateniense, levando Temístocles a abandonar a batalha. Embora os persas tenham perdido mais navios que os gregos, quase a metade da frota grega fora dizimada. A rainha Artemísia I da Cária (a região da Cária ficava na Ásia Menor, e tinha como capital nesta época a cidade de Halicarnasso), acabou traindo os gregos, se aliando aos persas. Todavia, embora a vitória tenha sido fácil, a luta em terra fora mais difícil. A estreita passagem dos Portões Quentes, dificultava a mobilidade do exército de Xerxes, e por dois dias os espartanos e seus aliados defenderam bravamente as Termópilas.

Lêonidas havia levado consigo 300 espartanos de elite, pois o Conselho dos Éforos de Esparta, havia lhe negado levar mais guerreiros, pois consideravam imprudência do rei colidir de frente ao poderoso exército persa, e além disso, os Éforos alegaram que o Oráculo não havia considerado aquele dia propício para se debater assuntos de guerra. Leônidas não lhe deu ouvidos e levou consigo seus homens de confiança. Junto aos espartanos, se uniram 1000 fócios, e mais um grande contingente de tebanos e tepsianos, além de guerreiros de cidades vizinhas, totalizando uma força de 7300 guerreiros para defender a Termópilas. No entanto, Xerxes estavam confiante da vitória, seu exército contava com milhares de soldados, os números esmagariam os espartanos e seus aliados assim como esmagou os navios de Atenas e seus aliados no mar. 

Xerxes contava com os conselhos de Demeratus, antigo rei de Esparta que fora destronado em 491 a.C e enviado para o exílio. Demeratus, indignado pela traição de seu povo, partiu para a Pérsia a fim e prestar seus favores ao rei Dario. De fato, em 486 a.C, Demeratus se encontrava com Dario, no ataque que iria vim para a Grécia, mas não aconteceu. Agora, passado-se seis anos, ele dava seus conselhos a Xerxes, pois Demeratus queria se vingar de Esparta. Demeratus havia explicado acerca do estilo de guerra dos espartanos, seu treinamento militar, costumes, etc. Xerxes contendo tais informações estava confiante que iria esmagar os espartanos e seus aliados, porém, a estratégia grega se mostrou eficiente.


Traje e armas de um hoplita
Não se sabe ao certo quantos guerreiros persas ali lutaram, pois os antigos historiadores gregos exageram nos números, alegando que Xerxes teria enviado cem mil ou mais guerreiros. De qualquer forma, os espartanos e os demais tinham a vantagem de um rígido treinamento militar e do equipamento que usavam, pois os hoplitas usavam couraças de bronze, diferente das roupas de lã e linho que os guerreiros persas usavam. Além disso, os grandes escudos de bronze protegiam das flechas e das lanças, assim como seus pesados elmos de bronze. No dia 19 de agosto, Xerxes enviou sua tropa de elite, chamada pelos gregos de "Imortais". O termo refere-se ao fato de que quando um "imortal" morria, rapidamente ele era substituído, logo, as fileiras sempre aparentavam conter o mesmo número de soldados. Mesmo os "Imortais" não foram páreos para os gregos e vieram a sucumbir no segundo dia de luta. Segundo Heródoto, Xerxes havia ficado surpreso com a bravura e força dos espartanos, ele teria dito que os espartanos não lutavam por riquezas como outros homens, mas lutavam por honra, lealdade e glória. Finalmente no terceiro dia, um traidor, chamado Elfiates se dirigiu ao acampamento de Xerxes e lhe contou sobre uma rota que seguia sobre a colina. Xerxes enviou parte da infantaria e vários arqueiros por tal caminho. Os fócios que a defendiam foram massacrados, mas conseguiram alertar a Leônidas sobre a traição. Leônidas ordenou que os feridos fossem levados embora e aqueles que quisessem ir, poderiam ir, pois a morte era certeza. Cerca de 1500 guerreiros ficaram para trás, incluindo Leônidas e seus 300 espartanos. Os que partiram, foram incumbidos de avisar suas cidades que as Termópilas havia caído. 


Esquema representando a Batalha das Termópilas. Em vermelho o exército persa e em azul o exército grego. A trilha em tracejado, fora o caminho que Elfiates revelara. 
Os 1500 soldados que ficaram para trás foram massacrados. Alguns historiadores gregos antigos, dizem que Leônidas fora decapitado e sua cabeça fora espetada na ponta de uma lança, na qual Xerxes exibira para seu exército com orgulho, e exaltando que os persas já haviam vencido duas batalhas, e logo outras vitórias viriam. Todavia, não se sabe ao certo se Xerxes fizera isso, mas sabe-se que sua confiança e a confiança de seus homens crescera largamente. A Batalha de Artemísia e a Batalha das Termópilas haviam sido vencidas por ele. 


Estátua do rei Leônidas I de Esparta, no memorial à Batalha das Termópilas ocorrida em 480 a.C. No memorial que fica hoje nas Termópilas, pode se ler os seguintes dizeres: "Quem por aqui passar, diga ao nosso povo que aqui morremos, obedecendo suas ordens". 
"A perda das Termópilas custou aos gregos o controle do centro do continente. Temístocles, assombrado com a terrível notícia da derrota grega, ordenou a retirada completa da esquadra ateniense de Artemísio na noite de 20 de agosto. Os persas estavam em posição de penetrar maciçamente no sul, marchando diretamente para Atenas. Os generais mais otimistas percebiam agora que era impossível deter os persas. As regiões da Beócia e da Ática estavam indefensáveis frente à maré persa". (LLYWELYN, 1988, p. 58). 

Temístocles sabia que não poderia salvar Atenas e as cidades que estivessem no caminho dos persas, daí meses antes, ele sugeriu que os atenienses começassem a deixar a cidade, pois prevendo que em caso de fracasse, mais pessoas poderiam ser salvas, pois era certeza que Atenas seria atacada. O mesmo se dirigiu para a ilha de Salamina, onde prepararia uma armadilha para os persas. Aqueles que ficaram em Atenas tentaram defender a cidade como puderam, mas os persas a invadiram, saquearam e incendiaram a Acrópole.

A próxima direção quer Xerxes seguiria, era encontrar o restante da frota grega que se refugiara em Salamina. Em torno da pequena ilha, Temístocles reuniu o restante da frota ateniense assim como os navios de várias outras cidades como Esparta, Corinto, Mégara, Egina, Eubeia, Ceos, Crotônia, Naxos, etc. A Tessália, Beócia, a Fócia e a Ática, nome dado a regiões que compreendiam a Grécia, estavam sob o domínio persa, e a última esperança era a vitória grega na Batalha de Salamina, a qual contava com cerca de 366 navios gregos contra mais de seiscentos navios persas. 

Xerxes tinha pressa para conquistar a Grécia, pois o outono já começara e o inverno viria em breve, o problema que isso envolvia era que o exército e a Corte itinerante precisava de alimentos, e se estando em terras inimigas, conseguir alimento era uma questão de tomar a força. Além disso, havia o risco, de os inimigos queimarem as plantações e sacrificarem os animais, de forma a deixar os persas com fome. Se o inverno chega-se, a campanha teria que ser suspensa até o início da primavera, pois na Grécia neva em algumas regiões, e lutar na neve e no frio, era algo que os persas não estavam acostumados. 

Xerxes estava confiante acerca da batalha naval, pois todas que foram travadas, haviam sido triunfantes, embora que o próprio não assistiu todas elas. Além disso, ele se confiava na superioridade numérica de seus navios e soldados. Salamina seria esmagada e com sua derrota, a Grécia cairia sob seu comando. 

No dia anterior a batalha, Xerxes realizou oferendas e rituais pedindo a proteção e ajuda dos deuses, principalmente do deus-sol Ahura-Mazda, o qual diziam que o rei persa era seu mediador entre os homens e o deuses. A grande frota se posicionou para atacar a frota grega que havia ficado retraída em uma das parte da costa de Salamina. Xerxes decidiu assistir pessoalmente a batalha. Seu trono elevado que tinha rodas e era puxado por escravos ou cavalos, fora posto sob o monte Aegaleos, de onde o rei possuía vista de todo o mar entre o continente e a ilha. Artemísia comandou cinco navios nessa batalha. 

Temístocles sabia que aquela seria uma batalha derradeira, se perdessem, a Grécia seria derrotada de vez. Segundo Heródoto, Temístocles um homem de pulso firme, discursou com confiança e bravura, convencendo que se trouxessem a frota persa para o estreito entre Salamina e a costa continental, isso restringiria a mobilidade dos navios persas, permitindo que os trirremes gregos que eram menores em tamanho, seriam mais ágeis. 


Esquema da Batalha de Salamina. A grande frota persa fora Encurralada entre o istmo de Salamina e a ilha de Psitaléia, em 480 a.C.
Os navios começaram a colidir na passagem estreita abarrotada pelos mesmo. De fato, grande parte da frota persa ficou longe da luta, e a medida que uns avançavam, colidiam com outros no caminho, ou com outros que estavam recuando. Os gregos também usaram flechas de balistas armadas nos trirremes, como também flechas incendiárias, incendiando os navios persas. Além disso, quando os navios colidiam, os guerreiros saltavam para o navio inimigo e a luta se desenrolava na espada. 


Desenho retratando a Batalha de Salamina, uma das maiores batalhas navais da Antiguidade. 
Xerxes deve ter ficado furioso, pois testemunhar sua grande frota impotente diante daquela armadilha. Quase a metade dos navios persas foram destruídos. Xerxes ordenou que os navios recuassem, alguns chegaram a fugir em direção a Lídia. O próprio rei desgostoso, revoltado e humilhado retirou-se do monte. Não se sabe ao certo o que houve, mas Xerxes decidiu deixar a Grécia e retornou para a Lídia, todavia ele ainda não havia decidido desistir de conquistar a Grécia.

"A derrota da esquadra persa em Salamina dissipou o terror e o desespero dos gregos do sul. Num clima de euforia e júbilo, eles ofereceram infinitos sacrifícios a seus deuses. Pelo menos uma vez, Atenas, Esparta e várias cidades-Estados haviam se unido num propósito comum. Em razão da crise que haviam enfrentado juntos, os gregos começaram a compreender que tinham muitos laços em com - língua, costumes e cultura. Começaram a compreender o que significava ser grego, e não simplesmente ateniense, tebano, espartano ou corintio. Essa fase propiciou o surgimento da Idade de Ouro da Grécia". (LLYWELYN, 1988, p. 72). 

Em 479 a.C, Mardônio, cunhado de Xerxes, liderou uma tropa de 30 mil homens para continuar a guerra na Grécia. Posteriormente ele recebeu o apoio de 20 mil guerreiros enviados pelo rei, e tal exército marchou de volta a Atenas e a ocupou. Pausânias, que era filho de Leônidas, organizou os espartanos e seus aliados para atacar Mardônio, formando um exército de 40 mil soldados, que se uniram a 8 mil hoplitas atenienses e algumas centenas de corintios. A última batalha travada, foi na arenosa planície de Platéia na Beócia, em 29 de agosto daquele ano. Os persas sofreram uma derrota esmagadora na Batalha de Platéia. Ainda naquele mesmo dia, a cidade de Micale na Lídia fora atacada pela frota grega, marcando uma dupla derrota para os persas. Depois disso, Xerxes desistiria de continuar a guerra e retornaria para Persépolis, arrasado e humilhado. 

A decadência de Xerxes:

Xerxes passaria os anos seguintes em um estado depressivo como atestam os relatos palacianos. O rei passou a beber e comer em demasia, e a não dá muito atenção as questões políticas. De certa forma, sua derrota fora mais humilhante que a que seu pai sofrera, pois o exército que ele enviara era imensamente maior do que o pai enviou, além de ter travado mais batalhas e vencido muitas delas.

"Ao voltar à Pérsia, transformou-se num homem amargo, condenado por seu povo, por seus conselheiros e sacerdotes. O controle que exercera sobre seu reino estava, agora, definitivamente ameaçado". (LLYWELYN, 1988, p. 75).


Desenho europeu retratando Xerxes. Na moeda está escrito em latim: "Xerxes - Rei da Pérsia". 
"Xerxes foi sem dúvida um homem astuto e inteligente. Infelizmente, ele também desistia de suas maiores ambições como mais frequência do que o desejado para o governante de um complexo e vasto império. Seus inúmeros casos sentimentais causaram rivalidades e atritos na Casa Real, produzindo inimigos entre os administradores do Palácio, entre os eunucos e mesmo entre seus próprios parentes". (LLYWELYN, 1988, p. 77). 

A medida que o rei se desinteressava por governar seu grande império, dando atenção a banquetes, riquezas, festas, etc., entre os funcionários do palácio começaram a correr boatos e complôs de que se o rei que contava com seus cinquenta anos, se continuasse a sim, levaria o império a decadência, pois a desatenção do mesmo, levou a um aumento de problemas sociais, econômicos, violência, corrupção, etc. Em 485 a.C, um vizir (ministro ou conselheiro) chamado Artabanos tramou matar o rei e empossar seu filho Artaxerxes I (?-424 a.C), no intuito de manipular Artaxerxes.  


Artaxerxes I da Pérsia
Artaxerxes era filho de Xerxes com Amastris, a qual tivera vários filhos com Xerxes, sendo Artaxerxes o terceiro filho do casal. Além disso, Xerxes já possuía outros filhos mais velhos, mas Artaxerxes era seu favorito, o próprio nome indicava isso. Segundo Llywelyn [1988], Artaxerxes significaria "justiça de Xerxes" e por sua vez, Xerxes significaria "herói entre os homens", logo Artaxerxes seria interpretado como "a justiça do herói entre os homens". Em 485 a.C, Artabanos combinou com um eunuco pessoal de Xerxes, que lhe desse acesso ao quarto do rei na calada da noite, então Artabanos com a ajuda do eunuco, assassinou o rei enquanto este dormia. Artabanos alegou que o responsável pelo crime era Dario, filho mais velho de Xerxes com Amastris, e um dos possíveis herdeiros do trono. Artaxerxes motivado pela lábia ardilosa de Artabanos, decretou seu irmão um traidor e ordenou sua morte, porém, Artaxerxes veio descobrir a verdade e ordenou a morte do eunuco, do vizir e de seus familiares e comparsas. 

Artaxerxes realizou um funeral suntuoso, digno não apenas de um rei, mas de um herói. Foi decretado um ano de luto pela morte de Xerxes. Além disso, o rei fora sepultado como se fosse um vencedor, como se tivesse vencido os gregos. Embora sua derrota ficou na História, Artaxerxes tentou fazer o povo esquecê-la, pelo menos naquele primeiro momento. Artaxerxes conseguiu o apoio da Corte e dos sátrapas e assumiu o trono. O mesmo governaria por 40 anos, recebendo o epíteto de o "Longímano"

Artaxerxes não seria um grande conquistador como seu pai, avô e bisavô, ou um homem sedento por guerras e vingança, de fato ele firmou um acordo de paz com os gregos, e não voltou a tentar invadir a Grécia, embora alguns conflitos com as colônias gregas na Lídia o levaram a ter que interceder.  

Artaxerxes ficou lembrado como um rei amável e benevolente, não fora tão rude como seu pai e seu avô, mas governou com pulso firme, embora não foi tão brilhante gestor como seu avô. Após a sua morte, o império começou a declinar, e menos de um século depois, o rei da Macedônia e da Grécia, Alexandre, o Grande em 336 a.C conquistaria o Império Persa, derrotando o rei Dario III

NOTA: Temístocles seria enganado pelos governantes atenienses e seria forçado ao ostracismo (exílio político forçado). Temístocles viajou para a Pérsia, a fim de buscar exílio na Corte de Xerxes, porém o mesmo lhe negou exílio. Temístocles teria cometido suicídio em 471 a.C ou teria sido assassinado. 
NOTA 2: A Batalha das Termópilas fora retratada algumas vezes no cinema, sendo um dos filmes mais famosos, 300 (2006), baseado na graphic novel homônima de Frank Miller, o qual lançou outra história que foca a Batalha de Artemísio e a Batalha de Salamina e alguns aspectos da vida do rei Xerxes, chamada de Xerxes, a qual foi adaptada para o filme 300: A Ascensão de um Império (2014). 
NOTA 3: No filme 300 (2006) e 300: A Ascensão de um Império (2014), Xerxes é interpretado pelo ator brasileiro Rodrigo Santoro, todavia nos filmes, Xerxes é retratado como um homem bastante alto, tendo cerca de três metros, careca, de barba feita, usando várias correntes e percingis e o corpo pintado de dourado, sendo resultado de sua "transformação" em Deus-rei. De fato, nos filmes ele se proclama o Deus-rei. 
NOTA 4: Depois de Xerxes, seus sucessores adotariam o título de "Rei dos Reis". 
NOTA 5: Em sua viagem de ida para o Helesponto, Xerxes teria visitado Troia, embora seja uma especulação, nada de concreto. 
NOTA 6: Quando chegou no Helesponto, uma tempestade afundou parte dos navios que aguardavam para transportar as tropas para o outro lado do estreito. Xerxes indignado, ordenou que seus homens açoitassem o mar, na tentativa de amansá-lo. Xerxes ordenou que os navios que restaram fossem alinhados lateralmente, e uma ponte fosse construída sobre eles. No filme 300: A Ascensão de um Império tal acontecimento foi representado.
NOTA 7: De acordo com o livro bíblico, Livro de Ester, esta bela judia teria sido uma das esposas do rei Xerxes I, o qual era chamado pelo título de Assuero. Contudo, alguns historiadores apresentam imprecisões históricas que fundamentam tal fato. Pois pelo fato de Assuero aparecer como uma referência ao monarca persa, não se tem certeza de quais dos reis persas teria sido o que foi mencionado nos livros bíblicos do Antigo Testamento, alguns sugerem que pelos relatos históricos o rei Assuero na realidade teria sido mais de uma pessoa, mas não se sabe ao certo o porque não ter se mencionado seu nome, logo, em diferentes livros que o nome Assuero é apontado, talvez não se refira ao mesmo rei persa. O historiador romano Flávio Josefo (37/38 - ca. 100) menciona em seu livro sobre a história dos hebreus, que Ester teria se casado com Artaxerxes, e não com Xerxes. Contudo, não há uma certeza acerca de quem foi o rei persa de quem Ester teria se tornado esposa, ou se realmente ela se casou com o soberano persa, ou teria sido outro membro da nobreza. 
NOTA 8: No filme 300: A Ascensão de um Império (2014) mostra que Temistócles tivera grande participação na Batalha de Maratona, mas na realidade foi o general Milcíades quem tivera maior participação, embora tenha morrido na ocasião. Ainda no filme, Artemísia interpretada por Eva Green, possui grande importância na trama, contudo, embora historicamente ela tenha comandado alguns navios, ela não possuiu a mesma relevância que é passada no filme. Em ambos os filmes de 300 existem imprecisões históricas, se bem que a ideia de Frank Miller seja uma reinterpretação e não uma obra histórica de fato. 

Referências Bibliográficas:
LLYWELYN, Morgan. Xerxes. São Paulo, Nova Cultural, 1988. (Coleção Os Grandes Líderes - vol. 90). 
Grande Enciclopédia Larousse Cultural, v. 3. São Paulo, Nova Cultural, 1998.
Grande Enciclopédia Larousse Cultural, v. 5. São Paulo, Nova Cultural, 1998.
Grande Enciclopédia Larousse Cultural, v. 7. São Paulo, Nova Cultural, 1998.
Grande Enciclopédia Larousse Cultural, v. 24. São Paulo, Nova Cultural, 1998.

Links relacionados: 
O Século de Péricles
Heródoto de Halicarnasso: O Pai da História
A Era de Alexandre


sábado, 20 de abril de 2013

Viena, 1913: há cem anos, Hitler, Stalin, Freud e Trotsky eram vizinhos

Viena, 1913: há cem anos, Hitler, Stalin, Freud e Trotsky eram vizinhos


Andy Walker
Programa 'Today', da BBC Radio 4


Cem anos atrás, a região de Viena, então capital do Império Austro-Húngaro, serviu de casa para cinco homens que viriam a ter papéis determinantes no século 20: Adolf Hitler, Leon Trotsky, Joseph Tito, Sigmund Freud e Joseph Stalin.

Joseph Stalin em 1902
Em janeiro de 1913, um homem cujo passaporte trazia o nome Stavros Papadopoulos desembarcou de um trem vindo da Cracóvia, na Polônia, com um bigode típico dos camponeses e uma mala de madeira, muito simples.

"Eu estava sentado à mesa quando a porta se abriu com uma batida e um homem desconhecido entrou. Ele era baixo, magro, sua pele, escura, coberta por pequenas marcas e cicatrizes... não vi nada em seus olhos que se assemelhasse a simpatia", relembrou, muitos anos depois, o homem que Papadoulos tinha vindo encontrar na cidade.

Mas a real identidade do forasteiro era outra. Nascido Iosif Vissarionovich Dzhugashvili, o homem recém-chegado à Viena era, na verdade, Joseph Stalin, também conhecido pelos amigos como Koba. E seu anfitrião, um intelectual dissidente russo, então editor do jornal radical Pravda (A Verdade), chamava-se Leon Trotsky.

Disparidades

Obviamente, nem todos os "quase vizinhos" que viriam a moldar grande parte do século 20 nos anos que se seguiram dividiam as mesmas visões de mundo, e nem todos estavam no mesmo momento de vida.

Leon Trotsky
Stalin e Trotsky, por exemplo, estavam fugindo da Rússia.

Já o psicanalista Sigmund Freud viva um momento de exaltação por, de acordo com seus seguidores, abrir os segredos da mente, e estava bem estabelecido na rua Berggasse, onde morava e atendia seus pacientes.

Sigmund Freud em foto tirada em 1915.
O jovem Josip Broz Tito, que mais tarde viria a ser conhecido como o marechal Tito, líder sangrento da Iugoslávia, trabalhava na fábrica de automóveis Daimler, em Wiener Neustadt, um vilarejo ao sul de Viena, e procurava emprego, dinheiro e diversão.

Josip Broz Tito
E havia ainda um jovem de 24 anos do noroeste da Áustria cujos sonhos de estudar pintura na Academia de Belas Artes de Viena haviam sido destruídos duas vezes e que agora vivia numa pensão na rua Meldermannstrasse, próximo ao Danúbio. Frustrado, o austríaco que viria a transformar a história de maneira terrível se chamava Adolf Hitler.

Adolf Hitler
E reinando sobre todos eles, no Palácio Hofburg estava o já envelhecido imperador Franz Joseph, que detinha o trono austro-húngaro desde o ano das grandes revoluções, 1848. O arquiduque Franz Ferdinand, designado como seu sucessor, morava no Palácio Belvedere, nas proximidades, e aguardava com ansiedade o momento de tomar o poder. Seu assassinato, em 1914, seria o estopim da Primeira Guerra Mundial.

Arquiduque Franz Ferdinand

Império e diversidade

A Viena de 1913 era a capital do Império Austro-Húngaro, que consistia em 15 nações e mais de 50 milhões de habitantes.

 
Imperador Franz Joseph
"Embora não fosse exatamente um caldeirão de diversidade, Viena tinha seu próprio tipo de charme cultural, atraindo os mais ambiciosos de todas as partes do império. Menos de metade dos dois milhões de habitantes da cidade eram nativos e cerca de um quarto vinha da Boêmia (região no oeste da República Tcheca) e da Morávia (no leste do mesmo país), então o tcheco era falado ao lado do alemão em muitas ocasiões", explica Dardis McNamee, editora-chefe do "Vienna Review", único periódico mensal em inglês da Áustria, e moradora da cidade há 17 anos. Ela acrescenta que, na época, os súditos austro-húngaros pertenciam a um império onde 12 línguas diferentes eram faladas.

"Oficiais do Exército Austro-Húngaro tinham que estar aptos a dar ordens em 11 línguas além do alemão, e cada uma tinha sua própria versão do hino nacional", diz.

Cafés e dissidentes

Além disso, outras características tornavam a cidade atraente, entre elas o tipo de governo e os famosos cafés, onde intelectuais de várias origens se encontravam e mantinham calorosos debates.

"A comunidade intelectual vienense era na verdade razoavelmente pequena e todos se conheciam, o que tornava possível um intercâmbio através das fronteiras culturais", explica Charles Emmerson, autor de 1913: Em Busca do Mundo Antes da Grande Guerra, que também atua como pesquisador sênior no instituto de política externa Chatam House, na Grã-Bretanha.

Mapa de Viena entre os anos de 1913-1914.
"Não havia um Estado central muito forte. Ele era na verdade um pouco displicente. Se você quisesse encontrar um lugar para se esconder na Europa onde pudesse conhecer muitas outras pessoas interessantes, Viena era o lugar para se estar", diz.

Embora todos frequentassem os cafés da cidade e tivessem seus favoritos, ninguém sabe se Hitler esbarrou em Trotsky ou se Tito conheceu Stalin. Mas obras como "Dr. Freud está pronto para recebê-lo agora, senhor Hitler", uma radionovela de 2007 escrita por Laurence Marks e Maurice Gran, dão uma amostra de como esses encontros poderiam ter se desenrolado.

O que se sabe, de fato, é que a guerra que emergiu no ano seguinte destruiu muito da vida intelectual de Viena, levando à implosão do império anos mais tarde, em 1918, e dando a Hitler, Stalin, Trotsky e Tito papéis cruciais na História.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Um breve relato acerca da origem dos nomes dos estados do Brasil

Desde 1990 a República Federativa do Brasil o quinto maior país do mundo com mais de oito milhões de quilômetros quadrados de área, um dos mais populosos países do mundo com quase duzentos milhões de habitantes, possuindo a maior população católica do planeta, uma das dez atuais maiores economias do planeta, devido a crise econômica na Europa; como também um dos países com piores índices na educação, saúde, segurança, bem-estar, política, corrupção, etc., ocupando a posição 85 no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), algo bem contrastante com a posição que ocupa no cenário econômico mundial. É atualmente dividido em 26 estados, 1 distrito federal e 5570 municípios

A proposta deste texto é falar brevemente acerca do significado do nome dos estados, suas origens e do distrito federal, contando brevemente a história da origem destes estados, pois emboras já fossem ocupados por povos indígenas, tais regiões não eram chamadas pelos nomes que conhecemos; além disso, apresentarei  algumas informações extras.

Acre (AC)

Capital: Rio Branco
Gentílico: Acriano (antigamente era acreano)
Fronteiras: Amazonas (N), Rondônia (L), Peru (O) e Bolívia (S)
Número de Municípios: 22
Região: Norte

O Acre é um dos estados mais recentes do Brasil, pois originalmente era território da Bolívia, no entanto a partir de 1877, a exploração das seringueiras na Floresta Amazônica, levou muitos trabalhadores para o Norte, especialmente emigrantes nordestinos, em busca de conseguir emprego como seringueiros, pois o mercado da borracha estava em alta, logo, a região que compreendia o Acre era rica seringueiras. Em 1899, os bolivianos tentaram recuperar o Acre, dando início a Revolução Acriana (em espanhol é chamada de Guerra do Acre), o conflito durou até 1903, e neste tempo, o Acre fora proclamado por Luis Gálvez Rodriguez de Arias (1864-1935) de República do Acre (a ideia era se criar um estado temporário para se vencer a luta contra os bolivianos e finalmente ingressar como parte do Brasil), a qual durou apenas alguns meses, sendo abolida pelo presidente do Brasil, Campos Sales em 1900, no entanto, o conflito se manteve até 1903, e posteriormente a República brasileira negociou com a Bolívia a compra deste território que já era ocupado de forma civil e militar desde 1877. 

Localização do Acre
Em 1904, o Acre fora reconhecido como território federal oficial do Brasil, mas apenas em 1962 é que o presidente João Goulart oficializara o Acre como um estado, pois até então o Acre não possuía autonomia política para eleger os cargos do governo, organizar os municípios, criar leis, etc. 

Bandeira do Acre
O nome Acre não advêm da mesma palavra que pode ser encontrada na língua portuguesa e em outros idiomas, mas na verdade fora um erro de interpretação ou uma adaptação sonora para a pronúncia. Neste caso, o rio no qual batizara o estado, era chamado entre os índios Ipurinã de Umákürü ou Uakiry, entretanto, os brasileiros acabaram adaptando tais palavras para a forma de Aquiri, que no dialeto dos Ipurinã significa "rio dos jacarés". Devido ao fato de ser o principal rio da região e o mais utilizado durante o Ciclo da Borracha, começou-se a chamar a região de Aquiri, e a partir de outro erro de interpretação ou uma adaptação feita, o nome Aquiri passou a ser Acre. 

Alagoas (AL)

Capital: Maceió
Gentílico: Alagoano (antigamente usava-se também alagoense)
Fronteiras: Pernambuco (N), Oceano Atlântico (L), Bahia (O) e Sergipe (S) 
Número de Municípios: 102
Região: Nordeste

Alagoas só surgiu como um governo próprio em 1817, quando fora criada a Capitania de Alagoas pelo rei D. João VI, até então o que hoje corresponde a Alagoas era o sul de Pernambuco, e desde o século XVI a região já era ocupada razoavelmente, ocupação esta que se ampliou no século seguinte devido aos canaviais plantados nestas terras, pois Pernambuco fora o principal produtor de açúcar durante a Colônia e no século XVII era o maior produtor açucareiro das Américas. No entanto, desde 1711, havia sido criado a Comarca de Alagoas, uma região administrativa subordinada a Capitania de Pernambuco. 


Localização de Alagoas
O nome Alagoas deriva da palavra homônima que também é sinônimo de lagoa, logo, antigamente não era estranho ouvir alagoa ao invés de lagoa, todavia, o nome do estado não provêm deste fato, mas sim de outras questões. Segundo o historiador Jayme de Altavila, autor de História da Civilização das Alagoas, o nome do estado surgiu a partir da antiga Vila de Alagoas (hoje Marechal Deodoro), criada em 1611 como Vila Madalena de Sumaúna, depois rebatizada como Vila Santa Maria Madalena da Lagoa do Sul ou Vila Santa Maria Madalena da Alagoa do Sul. Posteriormente, a vila passou a ser conhecida apenas pelo nome de Vila de Alagoas do Sul, em diferença a Vila de Alagoas do Norte (hoje Santa Luzia do Norte), no entanto, 1817 com a criação da Capitania de Alagoas, a vila se tornou a capital da mesma, passando a conceder o nome para a capitania.


Bandeira de Alagoas
De acordo com o historiador Francisco Moreno Brandão, autor de O Centenário de Emancipação de Alagoas, publicado em 1918 e do historiador Álvaro Queiroz em seu livro, Episódio da História das Alagoas, ambos defendem a teoria de que o nome do estado adveio da grande quantidade de lagoas que existe na região, daí a região ter sido chamada de Alagoas, para se referir aquelas terras que possuíam muitas lagoas. Dentre as principais lagoas do estado se destacam: Mundaú, Mangabá, Jequiá, Tororó, Santiago, Jacobina, Porcos e Nova Lunga. 

Amapá (AP)

Capital: Macapá
Gentílico: Amapaense
Fronteiras: Suriname (N), Pará (O), Oceano Atlântico e Pará (L) e Pará (S)
Número de Municípios: 16
Região: Norte

O que hoje é a região do estado do Amapá um dos menores estados do Brasil, e com o maior número territorial em reservas indígenas, começou a ser colonizado pelos portugueses e os brasileiros a partir do século XVII, embora desde o século anterior, espanhóis, holandeses, ingleses e franceses visitaram a região. Fora a partir de entradas que partiram de Belém do Pará que os colonos começaram a desbravar as terras que ficaram conhecidas como "Guiana Brasileira" como forma de se diferenciar dos territórios da Guiana Inglesa (hoje República da Guiana), Guiana Francesa e da Guiana Holandesa (hoje Suriname). 


Localização do Amapá
O Amapá fora durante os séculos XVII e XVIII explorado para abastecer o mercado de escravos indígenas, o mercado de especiarias, como também procurou-se ouro e outras riquezas naturais na região, todavia, a região compreendia na época a Capitania do Grão-Pará, e depois a Província do Pará. Apenas em 1943 que o Amapá fora desmembrado do Pará passando a ser um território federal (não possuía um governo elegido pelos seus habitantes, mas possuía uma certa autonomia), entretanto nos séculos XVIII e XIX, vários problemas entre os franceses e o brasileiros ocorreram devido ao limite da fronteira norte do Pará com a fronteira sul da Guiana Francesa, pois segundo os franceses, o que hoje é o Amapá, na realidade era território da Guiana Francesa e não território inexplorado como o Brasil alegara na época. Assim, hora a política portuguesa e depois brasileira reconhecia aquelas terras como sendo pertencentes a França, e hora reconheciam elas como legalmente pertencentes ao Brasil devido a exploração e ocupação feita nesta área. Apenas 1988, o Território Federal do Amapá fora oficializado como estado do Amapá


Bandeira do Amapá
O nome Amapá também é de origem indígena entretanto não há um consenso sobre a exata origem da adoção de seu nome. Na Língua Tupi, Amapá significa literalmente "morada da chuva" ou "lugar da chuva", como forma de referir-se aos altos índices pluviométricos da região tropical amazônica. Uma outra opinião é que o nome tenha vindo do idioma Nheengatu, conhecido também como "língua geral da Amazônia", uma espécie de dialeto comum utilizado por várias tribos, assim como pelos missionários e colonos, neste caso Amapá significaria "terra que acaba" ou "ilha". Uma terceira hipótese diz que o nome Amapá tenha sido escolhido para fazer referência a árvore amapá (Hancornia amapa) árvore típica desta região que produz pequenos frutos roxos e do tronco se extrai uma seiva branca, conhecido como "leite de amapá" utilizado para se fazer medicamentos naturais. 

Amazonas (AM)

Capital: Manaus
Gentílico: Amazonense
Fronteiras: Roraima, Venezuela e Colômbia (N), Pará (L), Colômbia e Peru (O), Acre, Rondônia e Mato Grosso (S)
Número de municípios: 62

Região: Norte

O Amazonas é o maior estado do Brasil com 1.570.745,680 km², sendo maior do que muitos países como França, Espanha e Portugal (juntos), Alemanha, Mongólia, Peru, Equador e Colômbia (juntos), etc. No entanto, o Amazonas é o estado com o menor índice demográfico por metro quadrado, pois devido a sua vastidão e em grande parte ser coberto pela Floresta Amazônica, muitas de suas áreas não são povoadas. É o estado que possui a maior população indígena do país. 
Localização do Amazonas

O Amazonas começou a ser explorado pelos portugueses e os colonos brasileiros no século XVII a partir de entradas e por algumas bandeiras, ambas vindas do Pará e algumas partidas do Maranhão e do Piauí. No entanto, expedições espanholas já haviam percorrido a região desde o século XVI, tal fato é evidente acerca do batismo do nome do rio Amazonas, o qual fora batizado pelo capitão espanhol Francisco de Orellana (1490-1550) o qual em sua expedição ocorrida em 1541 alegara ter confrontado uma tribo de mulheres guerreiras, daí a associação do mito grego das Amazonas com aquelas indígenas. De tal forma Orellana batizou o grande rio pelo nome de Amazonas. 


Bandeira do Amazonas

Outras expedições espanholas e portuguesas percorreram de ponta a ponta o maior e mais volumoso rio do mundo, embora a tal tribo de mulheres guerreiras nunca mais fora avistada. De qualquer forma, a medida que tais terras eram exploradas pelos portugueses e os colonos brasileiros a região fora anexada à Província do Grão-Pará, depois rebatizada para Grão-Pará e Rio Negro. Em 1850, o imperador D. Pedro II decidira separar o "Rio Negro" do Grão-Pará, principalmente devido a problemas de ordem política ligados a revolta da Cabanagem  (1835-1840) e questões administrativas, devido a ampla vastidão desta província, assim o imperador criara a Província do Amazonas. A partir do final do século XIX dera se início ao Ciclo da Borracha (1872-1912), e durante este período a província, posteriormente estado, enriqueceu, embora já fosse explorado por causa da madeira, especiarias, minas de sal, e minas de ouro posteriormente. 


Bahia (BA)

Capital: Salvador
Gentílico: Baiano
Fronteiras: Pernambuco e Piauí (N), Sergipe, Alagoas e Oceano Atlântico (L), Tocantins e Goiás (O), Minas Gerais e Espírito Santo (S)
Número de Municípios: 417
Região: Nordeste

Em 22 de abril 1500 a armada portuguesa de Pedro Álvares Cabral avistou terra, e no horizonte erguia-se um monte que fora batizado de Monte Pascoal (hoje localizado no município de Itamaraju). A armada portuguesa atracou no dia 23 num porto natural, o qual fora batizado de Porto Seguro (hoje município de Porto Seguro), a "descoberta" do Brasil havia sido oficializada (pois desde 1494 através da bula Inter coetera, Portugal e Espanha haviam negociado os limites territórias acerca do Novo Mundo). Assim, o que viria a ser o Brasil se iniciou a partir do território baiano.


Localização da Bahia
Em 1534 com a criação do sistema das Capitanias Hereditárias pelo rei D. João III, a colonização do Brasil se iniciava de fato. Naquela época a Bahia era dividida em três capitanias: Capitania da Baía de Todos os Santos, Capitanias de Ilhéus e Capitania de Porto Seguro. Posteriormente outras capitanias menores foram criadas, mas em 1821 todas haviam sido extintas e anexadas a recém-criada Província da Bahia. Fora na Capitania da Baía de Todos os Santos que em 1549, Tomé de Sousa nomeado governador-geral do Brasil, fora incumbido de construir a primeira cidade da colônia que se tornaria a primeira capital do Brasil, Salvador. A Bahia durante a Colônia fora um importante centro açucareiro, embora ficasse atrás de Pernambuco e em algumas épocas até mesmo atrás da Paraíba e do Rio de Janeiro; fora o maior criador de gado bovino do Nordeste, também fora descoberto minas de ouro e de diamantes em seu território no século XIX, como também no final do século XIX e começo do XX se tornou o maior produtor de cacau do país, fato este que rendeu inspiração para vários romances de Jorge Amado


Bandeira da Bahia
A origem do nome Bahia advêm da Baía de Todos os Santos, a maior baía do Brasil e a segunda maior baía do mundo (a primeira é o Golfo de Bengala na Índia). Salvador se encontra de frente para a baía de Todos os Santos, na qual também se encontram em suas margens outras cidades. De qualquer forma, a palavra bahia era uma variante do português antigo para a palavra baía, embora que normalmente não se usa-se a variante bahia no nome da capitania, embora que em alguns documentos encontramos tal forma. Propriamente fora a partir de 1821, com a criação da província que adotou-se oficialmente a variante Bahia ao invés de Baía. 

Ceará (CE)

Capital: Fortaleza
Gentílico: Cearense
Fronteiras: Oceano Atlântico (N), Rio Grande do Norte e Paraíba (L), Piauí (O), Pernambuco (S)
Número de municípios: 184
Região: Nordeste

O Ceará fora uma das quinze capitanias originais criadas em 1534, embora que naquela época ocupa-se um território bem pequeno e muito diferente das atuais dimensões que hoje possui. De qualquer forma o Ceará até o século XVII era praticamente desabitado da colonização portuguesa, pois o governo da capitania entrou em decadência, mesmo assim, franceses e holandeses chegaram a visitar a região e até a ocuparam no caso dos holandeses durante este século. Fora a partir de entradas iniciadas no século XVII como as realizadas entre 1603 e 1607 por Pero Coelho de Sousa que a região começou a ser efetivamente explorada, assim como o Maranhão e o Piauí, no entanto, apenas anos depois com a vinda de gado de Pernambuco adentrando o sul do Ceará é que a capitania começou a ser ocupada de forma efetiva, até lá, pequenas fortalezas e  aldeias existiam na região, compartilhando o lugar com as centenas de aldeias indígenas naquelas terras.


Localização do Ceará
Em 1621 o rei Filipe II de Portugal (III de Espanha) criou o Estado do Maranhão, ou seja, ele dividiu a colônia do Brasil em duas partes: as capitanias do Norte (Maranhão, Ceará, Piauí e Pará) se tornaram a colônia do Estado do Maranhão, e o restante da antiga colônia mantivera-se como o Estado do Brasil. Nesta ocasião, o Ceará fora rebatizado como Capitania Real do Siará. Durante o Domínio holandês (1630-1654) o Ceará fora ocupado pelos holandeses, assim como o Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, permaneceram cerca de vinte anos sob o domínio dos holandeses. Em 1680, o Ceará se tornou subordinado a administração de Pernambuco, e só retomou sua autonomia administrativa em 1799


Bandeira do Ceará
O nome Ceará provêm do rio Ceará, que advêm da palavra indígena siará ou seará, porém ao longo da história vários historiadores, etnógrafos e linguistas tentaram encontrar o significado claro deste termo. No livro Corografia Brasílica de Ayres de Casal, o historiador sugeriu que a palavra siará provêm da Língua Tupi que significa "canto dos papagaios", algo que Teodoro Sampaio também chegou a concordar. Já José de Alencar (1829-1877) ilustre jornalista, crítico, escritor, advogado e político cearense, defendeu que a palavra siará significava "canto da jandaia", uma espécie de periquito. 

O historiador Antônio Bezerra defendeu que a palavra seará não fosse na verdade de origem indígena mas sim uma variação do nome Saara, pois as dunas de areias na costa cearense foram comparadas as dunas do deserto do Saara, embora que tal hipótese tenha pouco fundamento hoje. Bezerra também chegou a cogitar outras duas hipóteses: a primeira que o nome fora adotado a partir de uma suposta aldeia indígena chamada Siará; a segunda hipótese, é que siará significasse "caça aos papagaios". 

Para Paulino Nogueira, a palavra siará é de origem tupi, mas fora mal interpretada, pois para ele a palavra seria traduzida como "tempo de caça" (sôo=tempo, ará=caça). Cândido Mendes opinou que o nome proveria do rio Ciará-Mirim que significaria "pequeno caranguejo". De qualquer forma existem várias hipóteses de interpretação do nome Ceará, apresentei algumas das principais, embora que hoje aceitem mais a hipótese que Ceará signifique "canto dos papagaios". 

Distrito Federal (DF)

Capital: Brasília
Gentílico: Brasiliense
Fronteiras: Fica localizado dentro do estado de Goiás
Número de Municípios: Tecnicamente não possui municípios, mas sim regiões administrativas, totalizando 31
Região: Centro-Oeste

O Distrito Federal atual onde se encontra a capital do Brasil, Brasília fora inaugurado em 21 de abril de 1960, junto com a cidade de Brasília, antes disso o Distrito Federal ficava localizado na cidade do Rio de Janeiro, capital do Brasil desde 1763. A ideia de se construir uma capital nos sertões do Brasil não fora recente, desde o período colonial haviam planos para se construir uma nova capital, e tais planos ficaram em evidência durante o reinado do rei de Portugal, D. José I (1750-1777), onde o seu primeiro-ministro, o Marquês de Pombal, sugeriu a transferência da capital da colônia de Salvador para Minas Gerais, polo econômico da colônia no século XVIII, mas devido há problemas administrativos, problemas de infra-estrutura, abastecimento, segurança e a distância das minas do mar, principal via de comunicação com a Metrópole a proposta fora abandonada, e o Rio de Janeiro fora escolhido como nova capital. 


Localização do Distrito Federal
Durante o período republicano, cogitou-se retomar a antiga ideia de se construir uma capital nacional no interior do país. A região escolhida fora o estado de Goiás, no entanto, embora tenha sido demarcada a área, nenhum presidente da república até os anos 50 se ofereceu a realizar a missão de construir Brasília. Até que em 1956, quando o presidente eleito, Juscelino Kubitschek havia prometido em sua campanha que durante seu mandato de cinco anos construiria a nova capital do Brasil e assim fora feito, a base de muito esforço, suor e sacrifícios dos candangos (nome dado aos trabalhadores que construíram Brasília, os quais na maioria eram nordestinos). Brasília fora planejada a partir do Projeto do Plano Piloto do arquiteto e urbanista Lúcio Costa, contando com o apoio do arquiteto Oscar Niemeyer, o qual fora encarregado de projetar os principais edifícios da cidade como também alguns monumentos. 
Bandeira do Distrito Federal
Não irei falar aqui sobre o nome Distrito Federal, pois essa é uma denominação utilizada em alguns países para se referir a área que ocupa a capital federal. Entretanto, falarei acerca da cidade de Brasília. A primeira vez que se tem notícia do nome Brasília advêm de um folheto anônimo publicado na Assembleia Constituinte em 1822 onde um deputado havia sugerido o nome de Brasília para a nova capital do Brasil, pois durante o Império do Brasil (1822-1889) cogitou-se criar uma nova capital no interior do país como havia sugerido o Marquês de Pombal anos antes. Em 1823, José Bonifácio lendo um dos pareceres na reunião de 7 de junho, voltou a tocar no assunto de se construir uma capital, neste caso, Bonifácio sugerira o nome Brasília. O nome Brasília advêm do português e significa "aquele nascido em terras brasileiras". 

Espírito Santo (ES)

Capital: Vitória
Gentílico: Capixaba (mais usado) ou espírito-santense
Fronteiras: Bahia (N), Oceano Atlântico (L), Minas Gerais (O) e Rio de Janeiro (S)
Número de municípios: 78
Região: Sudeste

O estado do Espírito Santo é o segundo menor estado da região Sudeste, ficando atrás do estado do Rio de Janeiro que é um pouco menor. Mas, dos atuais estados do Sudeste, Espírito Santo fora o primeiro a ser constituído como uma Capitania com o mesmo nome que carrega até hoje. A Capitania do Espírito Santo chegou a possuir plantações de cana de açúcar e outras culturas, no entanto, em dados momentos a escassez de alimentos fora um problema para seus habitantes, devido a má gestão de seus governantes. A capitania também chegou a ser alvo de ataques de franceses, ingleses e holandeses; e durante a época do Ciclo do Ouro em Minas Gerais, Espírito Santo abasteceu a região mineradora com alguns produtos.


Localização do Espírito Santo
Durante o século XVII antes da descoberta das minas de ouro em Minas Gerais, várias entradas e bandeiras exploraram os sertões do Espírito Santo por quase um século, atrás de ouro, prata e esmeraldas, pois acreditava-se que naquela capitania se encontra-se a lendária Serra das Esmeraldas, chamada pelos indígenas de Sabarabuçu. Além disso, deve-se levar em consideração que algumas terras que eram creditadas a Capitania de Espírito Santo naquela época, na realidade hoje fariam parte do atual território de Minas Gerais.


Bandeira do Espírito Santo
A história do nome do estado não é cercada de dúvidas ou mistérios é até bem simples. Em 1534 na criação das Capitanias Hereditárias, o rei D. João III concedeu a Vasco Fernandes Coutinho (1490-1561), um fidalgo português que tinha prestado bons serviços a Coroa nas Índias, fora agraciado com aquelas terras. Em 23 de maio de 1535 ele aportou nas terras de sua capitania, e como era Domingo do Espírito Santo, ele batizou a capitania em homenagem ao mesmo. Além disso, ele também fundara no mesmo dia a Vila do Espírito Santo (hoje Vila Velha). Em 1551, devido a problemas de segurança causado pelo ataque de tribos indígenas, de piratas franceses e holandeses, a capital fora transferida para a ilha de Santo Antônio na Baía de Vitória, e a nova capital fora batizada de Vila Nova do Espírito Santo (atual Vitória). 

Goiás (GO)

Capital: Goiana
Gentílico: Goiano
Fronteiras: Tocantins (N), Minas Gerais e Bahia (L), Mato Grosso (O), Minas Gerais e Mato Grosso do Sul (S), Distrito Federal  
Número de municípios: 246
Região: Centro-Oeste

Goiás só surgiria como Capitania no século XVIII propriamente, até lá era uma região pouco explorada do continente, pois pelo Tratado de Tordesilhas (1494) assinado entre Espanha e Portugal, o território goiano estava fora dos domínios portugueses, todavia, isso não impediu que entradas, missões religiosas e bandeiras explorassem a região conhecida como "velho oeste brasileiro". A importância histórica daquelas terras ficara maior na segunda metade do século XVII, onde bandeirantes percorriam aquelas terras desconhecidas atrás de ouro, prata, diamantes e esmeraldas. Uma das mais famosas bandeiras desta época fora a liderada por Manuel de Campos Bicudo, seu filho Antônio Pires de Campos, onde os dois seguiram acompanhados dos dois "Anhangueras" (Bartolomeu Bueno da Silva, Pai e Filho). A bandeira partira em 1673 de São Paulo e nos anos seguintes Anhanguera voltaria a visitar a região e no século XVIII seria a vez de seu filho, Anhanguera II. 


Localização de Goiás
A ocupação de Goiás só começou de forma efetiva no século XVIII, a partir do aumento do número de bandeiras que passaram a explorar a região atrás de novas minas de ouro, pois já haviam sido descobertas minas em Minas Gerais, algumas destas bandeiras foram organizadas e lideradas pelo Anhanguera II o qual com seu companheiros em 1726 fundou o povoado de Arraial da Barra, posteriormente rebatizado de Santana, e anos depois em 1739 fora elevado a categoria de vila, passando a se chamar Vila Boa de Goiás (hoje Cidade de Goiás ou Goiás Velho), que viria a ser a capital da Capitania Geral de Goiás fundada em 1744, pois até então, as terras goianas faziam parte da Capitania de São Paulo. A ocupação de Goiás ainda permaneceria lenta até o século XX, pois em grande parte a capitania fora sendo povoada pelos colonos a partir da pecuária extensiva e da mineração, pois minas de ouro foram encontradas em Goiás, o que levou a vinda de gente atrás destas riquezas.


Bandeira de Goiás
O nome Goiás provêm de Goyaz, nome de uma tribo indígena da região que teria vivido nas proximidades do rio Vermelho. O nome Goyaz significa em tupi "indivíduo igual". Logo, a partir deste povo os bandeirantes na época passaram a chamar a região de Goiás. E o nome se oficializou com a Vila Boa de Goiás e depois a criação da Capitania Geral de Goiás. 

Maranhão (MA)

Capital: São Luís
Gentílico: Maranhense
Fronteiras: Oceano Atlântico (N), Piauí (L), Pará (O) e Tocantis (S)
Número de municípios: 217
Região: Nordeste

O Maranhão fora uma das quinze Capitanias Hereditárias criadas em 1534, no entanto, ele e a Capitania de São Vicente possuíam algo peculiar e em comum, ambas as capitanias foram no início divididas em duas partes. A primeira porção da capitania maranhense correspondia ao que hoje é uma parte do nordeste do Pará e o norte do atual Maranhão. A segunda porção corresponderia ao nordeste do atual Maranhão e parte do noroeste do atual Piauí. O capitão donatário da primeira porção fora o historiador, gramático e linguista português João de Barros (1496-1570) que governou brevemente em parceria com Aires da Cunha. No ano de 1536, acabou falecendo. A segunda porção fora inicialmente governada por Fernando Álvares de Andrade


Localização do Maranhão
A colonização do Maranhão não fora algo fácil, pois a distância de Salvador, então capital da colônia a partir de 1549, e as dificuldades de se navegar de Salvador para a região devido aos ventos contrários, o que permitia apenas em poucas épocas do ano realizasse navegações com bons ventos, dificultou o desenvolvimento do Maranhão por várias décadas, e até certo ponto a região quase fora abandonada por seus colonos, devido a falta de apoio do Governo-Geral e a ameaça dos indígenas e dos franceses que vendo a fragilidade da ocupação portuguesa aproveitaram para se estabelecerem na região onde na ilha de São Luís fundaram a colônia da França Equinocial (1612-1615), em 1615 os bandeirantes com o apoio do Estado derrotaram os franceses e os expulsaram da ilha, no entanto, a ilha conservou seu nome até hoje. Em 1621 o rei de Espanha e Portugal, Filipe III para prever novas invasões dos franceses, holandeses e ingleses ao norte do Brasil, criou o Estado do Maranhão (1621-1751) o qual atuou com uma administração própria e a parte do restante da colônia, chamado de Estado do Brasil. Ao longo de sua existência o Estado do Maranhão fora rebatizado algumas vezes e dividido geograficamente. Sua efetiva ocupação começou no século XVII a partir das  entradas e bandeiras que foram abrindo caminho pelo Ceará, Piauí, seguindo em direção ao Pará. 


Bandeira do Maranhão
A proposta mais aceita para a origem e significado do nome Maranhão, vem da língua tupi onde maranhão (m'bara + nhan) significa "mar que corre", onde acredita-se que tal nome era dado ao rio Amazonas pelos nativos. Além disso, a palavra maranhão pode também ter vindo de paranhan que significa "rio que corre". Quando os capitãs-mor chegaram na região tendo ouvido falar deste nome, batizaram aquela terra de Maranhão, pois a foz do rio Amazonas desaguá entre território maranhense e paranaense. 

Mato Grosso (MO)

Capital: Cuiabá 
Gentílico: Mato-grossense
Fronteiras: Amazonas e Pará (N), Goiás e Tocantins (L), Rondônia e Bolívia (O), Mato Grosso do Sul (S)
Número de municípios: 141
Região: Centro-Oeste

O estado do Mato Grosso é o maior estado da região Centro-Oeste e o terceiro maior estado do Brasil. Assim como Goiás, o Mato Grosso se encontrava fora dos limites do Tratado de Tordesilhas, mas isso não impediu que entradas e bandeiras visitassem a região. Os primeiros a visitar a região foram os espanhóis vindos do Peru e do Paraguai, pois apenas no século XVII é que algumas bandeiras chegaram a região, entretanto fora a partir do século XVIII que as bandeiras se intensificaram para explorar a região atrás de ouro, algo que fora encontrado na região de Cuiabá e adjacências. A partir da descoberta de ouro, povoados e vilas começaram a serem fundadas para ocuparem esta região que na época fazia parte da Capitania de São Paulo. 


Localização do Mato Grosso
Em 1719 próximo ao rio Cuiabá onde descobriu-se veios de ouro fora criado o Arraial de Cuiabá pelo bandeirante Pascoal Moreira Cabral. Em 1726 se tornou a Vila Real do Bom Jesus de Cuiabá que se tornou capital da região. Apenas em 1748 fora criada a Capitania de Cuiabá, posteriormente rebatizada para Capitania do Mato Grosso. Com o esgotamento das minas a região quase que ficou abandonada pelas décadas seguintes, sobrevivendo da pecuária e da agricultura. 


Bandeira do Mato Grosso
O nome Mato Grosso surgiu a partir dos irmãos Fernando e Artur Paes de Barros os quais procuravam índios da tribo Pareci para caçar, descobriram um veio aurífero que batizaram de Mato Grosso em 1734, nas fraldas da serra no Vale do Guaporé próximo aos rios Galera e Guaporé.  A menção das Minas do Mato Grosso apareceu pela primeira vez em 1754 nos anais do escrivão Francisco Caetano Borges, escrivão da Câmara da Vila Bela da Santíssima Trindade que comentara a descoberta dos irmãos Paes de Barro vinte anos antes. Todavia, a explicação para a escolha do nome Mato Grosso não é totalmente clara, mas a melhor explicação aceita provêm de 1780 dada por José Gonçalves da Fonseca, publicada no século seguinte na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, onde o mesmo dissera:

"[...] se determinaram atravessar a cordilheira das Gerais de oriente para poente; e como estas montanhas são escalvadas, logo que baixaram a planície da parte oposta aos campos dos Parecis (que só tem algumas ilhas de arbustos agrestes), toparam com matos virgens de arvoredo muito elevado e corpulento, que entrando a penetrá-lo, o foram apelidando Mato Grosso; e este é o nome que ainda hoje conserva todo aquele distrito. Caminharam sempre ao poente, e depois de vencerem sete léguas de espessura, toparam com o agregado de serras [...]"

Mato Grosso do Sul (MS)

Capital: Campo Grande
Gentílico: Sul-mato-grossense, mato-grossense-do-sul e mais raramente guaicuru
Fronteiras: Mato Grosso (N), Goiás (NE), Minas Gerais (L), Bolívia e Paraguai (O), Paraná e São Paulo (SE), Paraguai (S)
Número de municípios: 79
Região: Centro-Oeste

O Mato Grosso do Sul é um dos estados mais recentes do Brasil vindo a ser criado no século XX. No século XVI parte da região pertencia aos espanhóis do Paraguai, mas os bandeirantes invadiram a região atrás de índios e na tentativa de chegar as minas de prata no Peru, e passaram a explora-la. Entretanto, fora apenas no século XVIII que a região na época o sul do Mato Grosso começou a ser lentamente ocupada, pois diferente da parte central e norte onde houvera a descoberta de minas, o sul ficou praticamente restrito a uma fraca colonização ligada a poucos pastos e plantações. No século XIX, os habitantes do sul da capitania já tinham planos para se separar do restante da capitania, no intuito de forçar o governo a dar maior atenção para a região. 

Localização do Mato Grosso do Sul
Durante o século XX, movimentos separatistas tentaram promover a separação da região sul. Em 1932 fora criado o breve "Estado de Maracaju", mas depois da derrota dos constitucionalistas em São Paulo (os mesmos promoveram uma revolta a fim de cobrar de Vargas a criação de uma nova constituição e eleições presidenciais diretas, pois Vargas era presidente interino desde 1930), o "Estado" fora desfeito. Durante o Estado Novo (1937-1945), o presidente Getúlio Vargas dividiu alguns estados do país, para melhorar a gestão destes, criando os chamados "territórios federais", e no caso do sul do Mato Grosso, fora criado em 13 de setembro de 1943 o Território Federal de Ponta Porã, entretanto, o território existiu brevemente, pois com a saída de Vargas da presidência em 1945, foram convocadas eleições presidenciais, e o general Eurico Gaspar Dutra fora eleito. Em seu primeiro ano de governo em 1946, ele dissolveu o Território de Ponta Porã, o reintegrando ao Mato Grosso. Em 1977 durante a Ditadura Militar (1964-1985), o presidente Ernesto Geisel assinou naquele ano um decreto que legalizava a criação do estado do Mato Grosso do Sul, entretanto, a oficialização só veio em 1 de janeiro de 1979.  

Bandeira do Mato Grosso do Sul
O nome do estado não possui algo excepcional, na verdade possui o mesmo sentido do estado do Mato Grosso, com a diferença do emprego da palavra sul, para designar sua posição geográfica. Entretanto, existem hipóteses que o nome Mato Grosso seja de origem indígenas, mas não existem conclusões acerca disto. 

Minas Gerais (MG)

Capital: Belo Horizonte
Gentílico: Mineiro (antigamente era usado o termo geralista)
Fronteiras: Bahia (N), Espírito Santo e Rio de Janeiro (L), Goiás e Mato Grosso do Sul (O), São Paulo (S)
Número de municípios: 853
Região: Sudeste

No século XVIII Minas Gerais fora a capitania mais rica do Brasil, riqueza essa vinda da exploração das minas de ouro, diamante e esmeralda da região, entretanto, embora algumas vilas tenham prosperado rapidamente, outras com o esgotamento das minas, foram abandonadas. Além disso, grande parte da riqueza produzida em Minas Gerais fora levada para Portugal, e apenas uma parte ficou na região ou migrou para outras capitanias. Durante o século XVIII, Minas Gerais fora o centro econômico do Brasil, e o Ciclo do Ouro iniciado em 1695 e findado por volta de 1780, movimentou gente de todos os cantos da colônia da Metrópole e até de outras nações. 


Localização de Minas Gerais
Minas Gerais no século XVI era os sertões das capitanias do Espírito Santo e do Rio de Janeiro, terras ainda praticamente inexploradas. Fora no final do século XVI que entradas e bandeiras começaram a se intensificar pela região em busca de ouro, prata, esmeraldas e índios para serem escravizados. Além disso, havia o fato que ainda no século XVI em São Paulo na época ainda chamada de Capitania de São Vicente, foram encontradas as primeiras jazidas de ouro que se tem notícia. Com a descoberta destas pequenas jazidas aluviais, isso incentivou os bandeirantes a se aventurar cada vez mais pelos sertões atrás de novas jazidas e minas. Mas fora apenas no final do século XVII que minas de ouro foram descobertas na região e em 1695 já se iniciava a corrida do ouro. 

Em 1698, Artur de Sá Meneses governador do Rio de Janeiro havia enviado uma nova carta ao rei, dizendo que novas minas de ouro haviam sido descobertas nos sertões próximos de sua capitania. Os primeiros anos do século XVIII foram marcados por problemas na região mineradora devido ao confronto entre os paulistas e os demais colonos, reinóis (termo dado aos portugueses) e estrangeiros pela posse das minas, no que acarretou na Guerra dos Emboabas (1707-1709), pois os paulistas chamavam os demais de emboabas. Além disso, a região não possuía uma administração ou um governo, era marcada pela violência e a desordem, e para contornar tal problema em 1709 fora criada a Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, entretanto, embora tenha sido implantada uma administração na região, alguns problemas ainda continuaram e em 1720, o rei D. João V, separou Minas de Ouro de São Paulo, criando a Capitania de Minas Gerais. Em 1789, Minas fora palco da Inconfidência Mineira, movimento rebelde que planejou proclamar a independência da capitania devido as cobranças abusivas feitas pelo Estado português. 


Bandeira de Minas Gerais
A origem do nome do estado advêm do fato da grande quantidade de minas de ouro e de outros minerais como ferro, prata, bauxita, manganês, estanho, níquel, etc., como também minas de esmeraldas e de diamantes; além de minas de calcário, amianto, quartzo, etc. Devido a tal variedade de minas, a região fora chamada de Minas Gerais (originalmente grafada como Minas Geraes). Entretanto, o nome só se tornou oficial a partir de 1720, quando fora criada a Capitania de Minas Gerais. 

Pará (PA)

Capital: Belém
Gentílico: Paranaense
Fronteiras: Amapá, Suriname, Guiana Francesa e Guiana (N), Maranhão e Tocantins (L), Amazonas e Roraima (O), Mato Grosso (S)
Número e municípios: 144
Região: Norte

O estado do Pará é o segundo maior estado do Brasil, sendo o mais populoso e próspero da Região Norte. O Pará antes de começar a ser explorado pelos portugueses, já havia recebido visita de espanhóis, ingleses, franceses e holandeses. Em 1615, enquanto os colonos e portugueses terminavam de derrotar os franceses da França Equinocial, eles souberam da visita de holandeses e ingleses mais para o oeste da Capitania do Maranhão, pois o limite ocidental do Maranhão adentrava o que hoje são terras paranaenses, para evitar que tais povos voltassem a explorar as suas terras, a Espanha (pois nesta época era o período da União Ibérica, onde Portugal e suas colônias estavam sob domínio dos espanhóis) ordenou que uma entrada fosse enviada para o oeste do Maranhão a fim de fundar um forte e uma vila. Francisco Caldeira de Castelo Branco liderou a entrada e em 12 de janeiro de 1616 fora fundada as bases da Vila do Belém do Pará e iniciou-se a construção do Forte do Castelo do Senhor Santo Cristo do Presépio de Belém (mas conhecido como Forte do Presépio).


Localização do Pará
A partir da Vila de Belém novas entradas partiriam para desbravar a Floresta Amazônica. Em poucas décadas a região começou a prosperar através da agricultura, pecuária, pesca e o comércio de índios, de madeira e de especiarias (chamadas antigamente de drogas do sertão). Em 1751 o então Estado do Maranhão fora rebatizado para Estado do Grão-Pará e Maranhão, e a capital fora transferida de São Luís para Belém, pois Belém se mostrou uma região mais próspera que a antiga capital do Estado. Em 1755, o Maranhão se separou do Grão-Pará, e fora criada uma nova capitania, a Capitania de São José do Rio Negro que compreendia o que hoje é o Amazonas e Roraima, tal capitania fora anexada ao Grão-Pará, passando a se chamarem de Capitania do Grão-Pará e Rio Negro. A união das duas capitanias permaneceu até 1850, quando foram separadas pelo imperador D. Pedro II.

Bandeira do Pará
Com a separação do Grão-Pará do Rio Negro que veio a se tornar o Amazonas, a província posteriormente seria rebatizada apenas com o nome de Pará. O nome Pará vem do tupi pará ou m'bara que significa mar, mas também pode significar rio, pois devido a falta de um número maior de palavras na Língua Tupi, era comum os indígenas falantes desta língua usarem a mesma palavra como sinônimos para nomear elementos em comum. O nome Pará fora adotado a partir do rio Pará

Paraíba (PB)

Capital: João Pessoa
Gentílico: Paraibano
Fronteiras: Rio Grande do Norte (N), Oceano Atlântico (L), Ceará (O), Pernambuco (S)
Número de municípios: 223
Região: Nordeste

Originalmente o atual território da Paraíba compreendia o sul da Capitania do Rio Grande e o norte da Capitania de Itamaracá, mas fora a partir de Itamaracá que surgiu a questão de se fundar uma nova capitania. Em 1574, a Capitania de Itamaracá estava visivelmente falida, seus capitãs-mores não conseguiram ter êxito em se explorar e desenvolver a capitania, além disso a constante ameaça de povos indígenas da região e de piratas franceses que iam contrabandear pau-brasil, levaram a capitania não prosperar ao ponto que o capitão-donatário de Pernambuco, Duarte Coelho Pereira escreveu uma carta ao rei queixando-se da falta de dedicação e governo por parte do capitão-donatário de Itamaracá, e no ano de 1574 o ocorrera o Massacre de Tracunhaém, onde o Engenho de Tracunhaém, o qual ficava próximo da Vila de Goiana (hoje em Pernambuco) fora atacado pelos potiguaras e destruído, tendo sua população sido massacrada, isso levou o Duarte Coelho Pereira a intervir por Itamaracá, solicitando apoio do rei D. Sebastião I para resolver-se aquele problema. 


Localização da Paraíba
O rei ordenou a criação de uma nova capitania no lugar de Itamaracá, tendo como sede uma cidade que seria construída as margens do rio Paraíba. De 1574 ao 1585 foram enviadas cinco expedições para se fundar a Capitania da Paraíba, a qual veio a ser fundada em 5 de agosto de 1585 pelo ouvidor-mor e juiz de órfãos de Olinda, Martim Leitão com o apoio do chefe Piragibe dos Tabajaras, as margens do rio Sanhauá, um dos braços do rio Paraíba. No mesmo dia fora lançada as bases da terceira cidade mais antiga do Brasil, na época a cidade de Nossa Senhora das Neves, hoje João Pessoa. Antes da conquista holandesa da Paraíba em 1634, a Paraíba chegou a ser a segunda maior produtora de açúcar do Brasil, ficando atrás de Pernambuco, mas tendo passado a frente de Sergipe, Bahia e Rio de Janeiro. Além disso, no século XIX, a Paraíba se tornara a maior produtora de algodão do país. 


Bandeira da Paraíba
O nome Paraíba provêm do rio Paraíba, também chamado rio Paraíba do Norte, para se diferenciar do rio Paraíba do Sul e do rio Paraíba do Meio (tive a oportunidade de conhecer alguns trechos destes três rios há alguns anos, em algumas de minhas viagens de carro com meu pai e um dos meus irmãos). O nome Paraíba vem do tupi que significa literalmente (para = mar ou rio + i = água + abá = ruim) "rio da água ruim" ou "mar da água ruim", mas também pode ser traduzido como "rio de águas perigosas", pois os indígenas batizaram o rio com tal nome devido ao fato que em alguns trechos do rio, onde há correnteza e a existência de pedras, dificultava a navegação por aquelas áreas. 

No entanto, no século XVII, o holandês Elias Herckmans, o qual fora governador da Paraíba entre 1636-1639, alegara que o nome Paraíba significava "grande enseada", em referência ao estuário do rio Paraíba. O professor Guilherme Lins do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, também defende o conceito de "grande enseada" para o significado do rio, pois a palavra paraíba seria semanticamente parecida com a palavra paranaguá, a qual significa "grande enseada". 

Paraná (PR)

Capital: Curitiba
Gentílico: Paranaense
Fronteiras: São Paulo (N), Oceano Atlântico (L), Mato Grosso do Sul, Argentina e Paraguai (O), Santa Catarina (S)
Número de municípios: 399
Região: Sudeste

Originalmente o atual território do Paraná fora colonizado pelos espanhóis vindos da Província do Paraguai ainda no século XVI, onde tinham como meta abrir caminho até o oceano. No meio do caminho algumas vilas e cidades foram erguidas próximas a rios, e posteriormente os jesuítas criaram missões para catequizar os indígenas. A região passou a ser chamada de Província do Guairá, a qual perdurou de forma independente até o ano de 1617, quando a região fora anexada ao Paraguai. Entretanto, fora no século XVII que bandeiras vindas da Vila de São Paulo, começaram a adentrar a região atrás de capturar índios para a escravidão, entretanto, alguns bandeirantes viram a oportunidade de saquearem as missões, vilas e cidades do Guairá, e nos anos seguintes, várias bandeiras adentraram o Guairá, parte do Paraguai, Argentina e seguiram em direção ao sul até o Uruguai, destruindo missões, aprisionando indígenas e combatendo os jesuítas e os colonos espanhóis da região. 


Localização do Paraná
A bandeiras seguiram-se por cerca de vinte a vinte cinco anos, arrasando as regiões do sul; os indígenas foram massacrados ou aprisionados, e alguns levados para a Capitania de São Vicente, ou permaneceram naquelas terras para ali servirem; outros acabaram optando por fugir, seguindo para o Paraguai e a Argentina. Os espanhóis foram expulsos de grande parte do Guairá. Em 1648 fora criada a Vila do Paranaguá e em 1693 fora criada a Vila de Curitiba. A colonização se dera principalmente por início dos paulistas que foram criando lavouras e pastos na região, mas com a descoberta de ouro em Minas Gerais, a colonização do Paraná e do restante do sul, ficara quase um século estagnada. Tal fato é evidente, pois até o início do século XX, grande parte da região ainda era desocupada pelos colonos, de fato durante a segunda metade do século XIX, o governo imperial incentivou a vinda de alemãs e italianos para ajudar a colonizar as regiões do sul do império, lhes oferecendo lotes de terra a baixíssimo preços, além de outras promessas.  


Bandeira do Paraná
A região do Paraná ficaria subordinada a São Paulo até o século XIX, quando em 1850 fora oficializado a criação da Província do Paraná, sendo sua região desmembrada da Província de São Paulo. Entretanto desde o começo do século  XIX havia propostas de se criar uma nova província, pois o governo paulista não estava gerindo de forma adequada aquelas terras. O nome Paraná advêm do rio Paraná, por sua vez paraná ou paranã (pará + ou ) vem da língua tupi que significa "semelhante ao mar" ou "o que se parece com o mar". Entretanto, alguns sugerem que a palavra signifique "rio caudaloso" ou "mar caudaloso", daí a ser comparado ao mar ou se parecer com o mar, devido a largura do rio. 

Pernambuco (PE)

Capital: Recife
Gentílico: Pernambucano
Fronteiras: Paraíba e Ceará (N), Oceano Atlântico (L), Piauí (O), Alagoas e Bahia (S)
Número de municípios: 185
Região: Nordeste

Pernambuco fora uma das quinze capitanias originais, seu primeiro capitão-donatário fora Duarte Coelho o qual inicialmente chamara a capitania de Capitania da Nova Lusitânia, em referência a se dizer que seria uma "Nova Portugal", pois Lusitânia também é uma referência a Portugal, devido aos Lusitanos, antigo povo que habitara a região portuguesa. 

Na região já existiam dois povoados criados por Duarte Coelho um ano antes em 1534, em expedições que fizera a região; eram os povoados de Igarassu e Olinda, onde posteriormente se tornaram vilas a partir de 1537, onde Olinda fora escolhida para ser a capital de Pernambuco, devido a sua localização estratégica sobre o morro, permitindo uma melhor visualização do mar e vantagem bélica em caso de guerra. No mesmo ano, Duarte Coelho também criara a Vila do Recife

Localização de Pernambuco
Quando os holandeses em 1630 invadiram a capitania, tomando Olinda e Recife, Pernambuco representava a maior economia da colônia devido a produção açucareira. Metade dos engenhos que havia na colônia se encontravam em Pernambuco, e um dos motivos para isso, era a proximidade geográfica da capitania com Portugal, e sua boa gerência por parte de seus governantes. Quando os holandeses ocuparam a região por vinte e quatro anos, a Bahia e o Rio de Janeiro supriram a necessidade açucareira de Portugal, pois, os holandeses passaram a controlar a produção açucareira de Pernambuco, Sergipe, Paraíba e Rio Grande, além disso, Pernambuco fora a sede da Nova Holanda no Brasil, onde durante o governo de João Maurício de Nassau-Siegen (1637-1644), o mesmo empreendera importantes reformas administrativas e urbanas na Vila de Recife e na cidade por ele criada chamada de Mauriceia, que hoje faz parte da atual cidade de Recife. 


Bandeira de Pernambuco
Após a expulsão dos holandeses, em poucos anos Pernambuco recuperou-se economicamente, devido a grande leva de comerciantes portugueses que se estabeleceram em suas terras. Isso a  fez a voltar a se tornar um dos polos econômicos da colônia, ao ponto de passar anexar Sergipe ao seu território e administrar as capitanias da Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará no século XVIII. Além disso, Pernambuco fora palco de importantes movimentos rebeldes no século XIX, com caráter separatista, como a Revolução Pernambucana (1817), a Confederação do Equador (1824) e a Revolta Praeira (1848-1850). 

O nome Pernambuco é de origem indígena e fora adotado posteriormente pelo capitão-donatário Duarte Coelho, quanto ao significado do nome existem diferentes hipóteses para seu significado: segundo consta pernambuco provêm da junção de três palavras da língua tupi, para++puka, que significaria "buraco no mar", "furo no mar", "entrada no mar" ou "onde o mar se arrebenta".

Partindo desta possível interpretação da palavra paranãpuka, algumas hipóteses sugerem que: Os indígenas se refeririam por esse nome ao encontro dos rios Capibaribe e Beberibe, quando vão desaguar no mar. Outra linha de interpretação seria que que o tal paranãpuka referiria-se ao Canal de Santa Cruz, que separa a Ilha de Itamaracá do continente. 

Outra possibilidade, é que a expressão pudesse ser utilizada para se referir não a um lugar geográfico, mas sim a algo que pareceu estranho aos índios, neste caso, alguns estudiosos sugerem que o termo fosse aplicado para referir-se aos navios dos portugueses que "furavam o mar". 

Outra hipótese diz que o sentido de "buraco no mar" e "onde o mar se arrebenta", fosse uma referência aos recifes de corais que existem em parte da costa, onde as ondas são "quebradas". 

Todavia, outros linguistas salientam que o nome original seria paranãpuku, e não paranãpuka, neste caso, a palavra puku, significaria "comprido", logo a interpretação seria para "mar comprido" ou "rio comprido". Entretanto, não se sabe ao certo qual dos rios que percorrem a região seria chamado de tal forma, pois, hoje não existe nenhum rio chamado de Pernambuco. E ainda existe uma hipótese hoje em descrédito, que sugere que pernambuco fosse um nome dado ao pau-brasil, neste caso, tal palavra não seria de origem tupi, mas de outra língua. 

Piauí (PI)

Capital: Teresina
Gentílico: Piauiense
Fronteiras: Oceano Atlântico (N), Ceará e Pernambuco (L), Maranhão (O), Bahia (S), Tocantins (SO)
Número de municípios: 224
Região: Nordeste

Originalmente o norte do atual estado do Piauí pertencia ao território a Capitania do Maranhão, e o seu sul, pertencia também em parte ao Maranhão e aos sertões a Capitania do Rio Grande. Por muito tempo a parte sul do Piauí fora desprovida de colonização, onde tais áreas ainda eram ocupadas pelos indígenas. Fora no século XVII, quando bandeiras e entradas se tornaram mais frequentes entre o Ceará e o Maranhão que o norte do Piauí começou a ser mais percorrido e habitado pela colonização, todavia o sul só seria efetivamente colonizado a partir do século XVIII, quando os bandeirantes Domingos Afonso Mafrense, conhecido pela alcunha de "Sertão" e Domingo Jorge Velho, realizaram a exploração do sul do Piauí, exterminando e aprisionando indígenas, como também criando fazendas de gado, onde pecuaristas vindos de Pernambuco e da Bahia foram ali se estabelecer depois que os dois Domingos e suas bandeiras "limparam" a região da ameaça indígenas como fora visto na época. Além disso, entradas e missões jesuíticas também percorreram a região, daí os historiadores dizerem que o Piauí fora colonizado "debaixo para cima", pois a fixação começou propriamente no sul e partira para o norte. 


Localização do Piauí
O Piauí se tornou um grande criador de gado bovino, como também produtor de algodão. Em 1811 se tornou uma capitania independente do Ceará, tornando-se a Capitania do Piauí, todavia quando a Independência do Brasil em 1822, a Província do Piauí como era chamado na época, recusou-se (nem todos os piauienses eram a favor da ideia) a deixar de pertencer ao governo português para se tornar parte do recente Império do Brasil. Além do Piauí, outras províncias como o Grão-Pará, Maranhão, Pernambuco, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia, etc., haviam anteriormente tentado a emancipação e voltariam a tentar novamente. De fato, D. Pedro I ordenou batalhas para se recuperar tais províncias rebeldes e em  13 de março de 1823, na Batalha de Jenipapo no Piauí, os portugueses foram derrotados, e a província passou a fazer parte legalmente do Brasil. 


Bandeira do Piauí
O nome Piauí é de origem indígena, e provêm do nome do rio Piauí, vindo da língua tupi (pi'wa = peixe + i = água) que significa "água das piabas" ou "rio das piabas", pois piaba é um termo genérico para se referir a várias espécies de peixes, comumente encontradas em alguns rios brasileiros. 

Rio de Janeiro (RJ)

Capital: Rio de Janeiro
Gentílico: Fluminense
Fronteiras: Espírito Santo (N), Oceano Atlântico (L), Minas Gerais (O), São Paulo (S)
Número de municípios: 92
Região: Sudeste

Originalmente o território do Rio de Janeiro estava dividido entre as Capitanias de São Tomé e São Vicente. A região passou vários anos desde a criação das capitanias hereditárias sem ser colonizada, e isso permitiu que os franceses entre 1555 a 1567 se estabelecessem de forma ilegal na baía de Guanabara, onde conseguiram ganhar a amizade dos Tamoios e assim poderem contrabandear pau-brasil. Os franceses chegaram a fundar uma colônia, chamada de França Antártica (1555-1560) na atual Ilha do Governador. Quando o governador-geral do Brasil na época Mem de Sá soube da existência da colônia francesa na baía de Guanabara, ordenou uma expedição para destruí-la. Ao todo foram enviadas três expedições, pois embora os franceses tenham perdido a colônia na ilha, se refugiaram nas florestas e ali persistiram pelos anos seguintes. Em 1 de março de 1565, Estácio de Sá, sobrinho do governador-geral, fora ordenado a fundar uma cidade na região e criar uma capitania, assim nascia a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro e a Capitania Real do Rio de Janeiro, posteriormente em 1567 rebatizada para Capitania do Rio de Janeiro. Os franceses foram expulsos definitivamente em 1567, vindo Estácio de Sá a morrer na batalha.


Localização do Rio de Janeiro
O Rio de Janeiro no século XVII se tornou o maior produtor açucareiro do sul da colônia ultrapassando a produção da Capitania de São Vicente. Além disso, ele também contava com a criação de gado, pesca de baleias, produção de tabaco, produção de aguardente, comércio de mercadorias vindas da Bahia, para serem vendidas nas capitanias do sul, etc. No século XVIII o Rio de Janeiro se tornou a principal porta de entrada dos navios negreiros que traziam escravos para serem vendidos em Minas Gerais, e em 1763, a cidade do Rio de Janeiro se tornara a nova capital do Brasil. Em 1808 a Corte Portuguesa se estabeleceu na capital fluminense, e isso contribuiu para o crescimento da cidade e da capitania, passando a ser a cidade mais importante do Brasil no cenário político e social no século XIX, como capital imperial do país; pois São Paulo acabou por ocupar o cenário econômico devido ao café. Em 1960, o município do Rio de Janeiro tornou-se o Estado da Guanabara (1960-1975), compreendendo por quinze anos uma cidade-estado dentro do estado do Rio de Janeiro, neste caso, Niterói tornara-se a capital do estado. 


Bandeira do Rio de Janeiro
O nome Rio de Janeiro é bem antigo, e originou-se de um equívoco. Segundo consta, fora no ano de 1502 que o capitão Gaspar de Lemos  em uma de suas viagens de exploração da costa brasileira, teria chegado com seu navio na entrada da baía de Guanabara, na época era 1 de janeiro, logo, Gaspar acreditando que se trata-se da foz de um grande rio, batizara o local de "rio de Janeiro". Décadas depois, descobriu-se que tratava-se de uma baía, a qual os nativos chamavam de Guanabara, entretanto, quando Estácio de Sá fundou a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro e a capitania homônima, escolhera "Rio de Janeiro", nome dado pelo equívoco de Gaspar de Lemos. 

Rio Grande do Norte (RN)

Capital: Natal
Gentílico: Potiguar (mais usado), norte-rio-grandense
Fronteiras: Oceano Atlântico (N), Oceano Atlântico (L), Ceará (O), Paraíba (S)
Número de municípios: 167
Região: Nordeste


Originalmente Capitania do Rio Grande, pois não havia a capitania homônima no sul, daí o não uso da palavra norte para se referir a sua localidade para diferencia-lo. A Capitania do Rio Grande fora uma das quinze capitanias originárias, embora que possivelmente estas terras em 1499 já teriam sido avistadas pela expedição espanhola de Vicente Pizón o qual acredita-se que teria chegado ao Cabo de São Agostinho em Pernambuco, meses antes da frota de Cabral chegar. Entretanto, ainda não há fontes concretas se Pizón realmente avistou o que hoje são os litorais de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, mas sabe-se que ele avistou o Maranhão e o Pará, pois seguia viagem em direção as Antilhas. 


Localização do Rio Grande do Norte
Em 1535, João de Barros fora nomeado como capitão-donatário do Rio Grande, mas falecera no ano seguinte, não podendo levar à cabo o início da colonização da sua capitania. Outras expedições foram enviadas para iniciar a colonização, mas a hostilidade dos Potiguaras prejudicou tal iniciativa e isso levou o abandono da capitania por vários anos, algo que se assemelhou com o Ceará e o Maranhão. Os franceses aproveitaram e começaram a invadir a região para traficar pau-brasil. A ocupação do Rio Grande só iniciaria-se de fato após a fundação da Paraíba em 1585, de onde os capitães-donatários da Paraíba e de Pernambuco partiram para reconquistar o Rio Grande. Em 6 de janeiro de 1596 a entrada de Manuel Mascarenhas Homem, capitão-donatário de Pernambuco e de Feliciano Coelho, capitão-donatário da Paraíba, chegou a costa do Rio Grande, onde deram início a construção da Fortaleza da Barra do Rio Grande, rebatizada popularmente de Forte dos Santos Reis Magos, hoje Forte dos Reis Magos. Três anos depois, Jerônimo de Albuquerque com sua tropa, dera início a construção da cidade de Natal, no dia 25 de dezembro de 1599A partir de Natal, entradas partiram para desbravar e ocupar o Ceará e o Maranhão, que também estava abandonados na época. Assim como a Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Ceará e Maranhão, o Rio Grande seria ocupado pelos holandeses por vinte anos.


Bandeira do Rio Grande do Norte
O nome Rio Grande parte de uma questão geográfica, onde os portugueses batizaram inicialmente o rio Potenji (poti = camarão + i = água = "água dos camarões" ou "rio dos camarões") chamando-o de Rio Grande, pois naquele momento julgava-se que fosse um grande rio, devido a vastidão de seu estuário. Tal fato é evidente, pois o local onde fora construído a primeira fortaleza da região, chama-se Fortaleza da Barra do Rio Grande. O acréscimo da palavra norte, veio apenas várias décadas depois para desassociar da Capitania do Rio Grande do Sul. 

Rio Grande do Sul (RS)

Capital: Porto Alegre
Gentílico: Gaúcho (mais usado), sul-rio-grandense
Fronteiras: Santa Catarina (N), Oceano Atlântico (L), Argentina (O), Uruguai (S)
Número de municípios: 497
Região: Sul

O Rio Grande do Sul também fora no princípio colonizado pelos espanhóis, onde ainda no século XVI, os jesuítas fundaram algumas missões na região que ficaria conhecida como "Província do Tape" ou "Reduções do Tape". Na terceira década do século XVII os bandeirantes chegaram no Tape, muitos haviam participado dos ataques no Guairá, e agora retornavam para aterrorizar as reduções jesuíticas da região. De fato, embora os bandeirantes tenham por quase vinte anos atacado as reduções jesuíticas do local, forçando os espanhóis se debandarem para o oeste, a região ficou praticamente desprovida de colonização. Em 1680 no sul do Uruguai fora criada a Colônia do Sacramento, de frente para o estuário do Rio da Prata, ficando do outro lado deste a cidade de Buenos Aires. Embora, Sacramento ficasse no que hoje é o sul do Uruguai, fora o ponto de partida para que Portugal reivindica-se perante os espanhóis a posse de todas as terras entre São Paulo e a Colônia do Sacramento, terras estas que haviam sido usurpadas da colonização espanhola.


Localização do Rio Grande do Sul
As reivindicações portuguesas surtiram efeito em 1681, quando a Espanha reconheceu de forma provisória a posse das terras alegadas pelos portugueses. Entretanto, fora a partir do século XVIII que começou a ocupação propriamente do que hoje é o Rio Grande do Sul, enquanto isso, os portugueses começavam ocupar a costa, e ao mesmo tempo, novas missões jesuíticas ocupavam o que hoje é o oeste do estado, mas que na época ainda era território espanhol. Em 19 de novembro de 1736 fora erguido na Lagoa dos Patos, o Forte Jesus, Maria e José, onde posteriormente ergueria-se a Vila do Rio Grande, a primeira capital da região. 

A colonização se desenvolveria principalmente a partir da pecuária, com a criação das estâncias, onde os tropeiros ou carreteiros como também são chamados, seguiam com o seu gado para ir vendê-lo em São Paulo e Minas Gerais. Em 1738 fora criada a Capitania do Rio Grande de São Pedro, que também englobava o território da atual Santa Catarina. Neste caso, a Capitania do Rio Grande de São Pedro era subordinada a administração do Rio de Janeiro, apenas em 1760, ela ganhou administração e governo próprio. Em 1807, D. João VI, a rebatizara para Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul, transferindo a capital para a cidade do Rio Grande. A capitania conservou o nome durante o Império do Brasil, e com o início do governo republicano, passou a se chamar apenas Rio Grande do Sul, tendo seu território diminuído e adquirindo o formato de hoje. 


Bandeira do Rio Grande do Sul
O Rio Grande durante o século XVIII e XIX fora palco de conflitos e acordos territoriais para definir a posse das Missões Ocidentais ou Missão dos Sete Povos, território ocupado pelos jesuítas espanhóis, assim como pelas terras no atual Uruguai que passou a ser chamado de Província Cisplatina (1817-1828), nome pelo qual ficou reconhecido enquanto permanecera sob a posse primeiro de Portugal e depois do Brasil. A Guerra dos Farrapos ou Farroupilha (1835-1845) fora uma revolução que lutou pela independência do Rio Grande do Sul do governo imperial brasileiro, chegando até mesmo a constituir a República Rio-Grandense (1836-1845), Estado revolucionário  que não  tivera reconhecida sua autonomia pelo governo imperial brasileiro. 

Assim como no caso do Rio Grande do Norte o rio Potenji fora confundido como sendo um grande rio, o mesmo acontecera no sul, onde os portugueses e os holandeses, que também visitaram e mapearam a região, confundiram a Lagoa dos Patos (Pato era o nome de uma tribo indígena, daí a referência) como sendo a foz de um grande rio. De fato, a Lagoa dos Patos, é a maior laguna do Brasil, como 265 quilômetros de comprimento, dimensões que levaram os portugueses e holandeses a acreditarem que fosse um grande rio. Em 1737, quando fora criada a Vila do Rio Grande, o nome se oficializou para a região, embora que Rio Grande do Sul, só veio a ser adotado no século XIX, para se diferenciar do Rio Grande do Norte. 


Rondônia (RO)

Capital: Porto Velho
Gentílico: Rondoniense ou rondoniano
Fronteiras: Amazonas (N), Mato Grosso (L), Acre e Bolívia (O), Bolívia (S)
Número de municípios: 52
Região: Norte

A região de Rondônia já havia sido visitada pelos espanhóis no século XVI, no século seguinte fora a vez de algumas entradas e bandeiras, como a de Antônio Raposo Tavares, famoso bandeirante, que percorreu a região e meados do século XVII. Todavia, o lugar fora deixado a posse dos indígenas, pois a colonização não viu nada de interessante naquelas terras. No século XVIII, com o desenvolvimento da mineração na Capitania do Mato Grosso, algumas entradas foram realizadas em direção ao rio Guaporé, para se descobrir jazidas de ouro ou minas naquelas terras, logo Rondônia passou a fazer parte do Mato Grosso. O governador do Mato Grosso,  Antônio Rolim de Moura Tavares incentivou a fixação de colonos nas margens do rio Guaporé para ocupar aquela região, pois os espanhóis a cobiçavam, embora que tecnicamente aquelas terras pertenciam a ele. Entretanto, com a assinatura do Tratado de Madrid (1750), a região de Rondônia passou a pertencer oficialmente ao Mato Grosso, ao Brasil e aos portugueses. Nos anos seguintes povoados seriam erguidos, assim como fortes para proteger a região dos índios arredios e dos peruanos (pois a Bolívia na existia nesta época). 


Localização de Rondônia
O Mato Grosso com a escassez de suas minas ficou quase que estagnado no tempo, por cerca de um século, até que com o início do Ciclo da Borracha no final do século XIX, muitos mato-grossenses se dirigiram para o noroeste da província no que hoje é Rondônia, a fim de se tornarem seringueiros, alguns de lá, partiram para o Amazonas e o Acre. Alguns nordestinos também foram se fixar nesta região para se tornarem seringueiros. O Ciclo da Borracha dera uma nova vida a região noroeste do Mato Grosso no final do século XIX e começo do XX. Em 1943, Getúlio Vargas criou os Territórios Federais, como fora mencionado anteriormente, e um destes territórios fora o Território Federal de Guaporé, que compreendia quase que o atual território de Rondônia. Guaporé vinha do rio homônimo, que significa em tupi "campo da catarata" ou "cachoeira do campo". Em 1956, o território fora renomeado para Território Federal de Rondônia, e apenas em 1981 se tornou um estado. 


Bandeira de Rondônia
O nome Rondônia fora uma homenagem dada ao marechal Cândido Mariano da Silva Rondon (1865-1958), que fora um famoso militar e sertanista da região. O termo sertanista era atribuído desde o século XVI, para referir-se aos homens que iam explorar os sertões (designação genérica para se referir ao interior), fosse em entradas, em bandeiras, em missões militares, etc. No caso de São Paulo, eles chamavam seus sertanistas de bandeirantes. 

Rondon participou do movimento republicano no final do século que resultou na proclamação da República em 1889, viajou várias vezes pelo o Mato Grosso, Goiás e o Amazonas, para coordenar e supervisionar a construção de linhas de telégrafo; realizou expedições para explorar o Amazonas e entrar em contato com os povos indígenas do estado, assumiu cargos no exército, realizou mapeamentos, e levantamento de dados geográficos, etc. A partir de seus feitos, o governo federal o homenageou, dando o nome de Rondônia ao território federal de Guaporé. Em 1957 chegou a ser indicado ao Nobel da Paz pela Explorer's Club dos Estados Unidos. 

Roraima (RR)

Capital: Boa Vista
Gentílico: Roraimense
Fronteiras: Venezuela (N), Pará e Guiana (L), Amazonas (O), Amazonas (S)
Número de municípios: 15
Região: Norte

A região que hoje compreende Roraima, já havia sido percorrida pelos espanhóis, ingleses, franceses e holandeses, pois tal região assim como a Amapá, compreendiam a região chamada de Guianas. Todavia, os portugueses passaram por estas densas florestas no século XVII, mas apenas nos século XVIII que missões jesuíticas portuguesas se instalaram na região para catequiza os indígenas, e os portugueses temendo que os ingleses, franceses e holandeses, os quais dominavam parte das Guianas invadissem aquelas terras, que Portugal já julgava desde 1750 serem suas, começou-se a se fundar povoados e fortes, como o Forte de São Joaquim do Rio Branco para defender a região. De qualquer forma, Roraima pertencia a Capitania do Grão-Pará, depois rebatizada de Capitania do Grão-Pará e Rio Negro.


Localização de Roraima
A ocupação de Roraima fora lenta e começou propriamente a se intensificar no final do século XVIII com a vinda de gado bovino e equino, e a criação de fazendas de gado para abastecer a região amazônica, embora que o Maranhão e o Pará também fizessem isso. No século XIX, o nordeste de Roraima fora palco de disputas com os ingleses no que ficou conhecido como a Questão do Pirara, onde tal região era reivindicada pelos ingleses que alegavam que aquelas terras faziam parte da Guiana inglesa e não do Brasil. A questão do Pirara perdurou até 1904, quando fora solucionada. Durante o século XIX, Roraima fazia parte da Província do Amazonas, e posteriormente no período republicando, do estado do Amazonas. Em 1943 com a criação dos Territórios Federais, a região fora desmembrada do Amazonas, se tornando o Território Federal do Rio Branco, onde nome se deve ao rio Branco, principal rio da região. Em 1962, o território fora rebatizado para Território de Roraima, e apenas em 1988, tornou-se o atual estado de Roraima. Durante os anos 60, 70 e 80, Roraima se tornara um importante centro minerador do Norte, tendo até mesmo minas de ouro e de diamantes. 


Bandeira de Roraima
A hipótese mais aceita para o significado do nome Roraima, é que tal nome provêm da língua indígena dos Ionomâmi, onde rora ou roro = verde + ímã = serra ou monte, logo Roraima seria "Monte Verde" ou "Serra Verde", pois na região há muitas serras, e como algumas são densamente cobertas por florestas, daí a alusão a "monte verde". Além disso, no estado existe o monte Roraima, de onde fora tirado o nome para batizar a região. 
Santa Catarina (SC)

Capital: Florianópolis
Gentílicos: Catarinense (mais usado), barriga-verde
Fronteiras: Paraná (N), Oceano Atlântico (L), Argentina (O), Rio Grande do Sul (S)
Número de municípios: 295
Região: Sul

Desde o começo do século XVI a costa de Santa Catarina fora visitada por portugueses, espanhóis, holandeses e ingleses, embora que nunca chegou-se a ali se estabelecer uma colonização, pois os espanhóis estavam mais interessados nas cercanias do Rio da Prata, e posteriormente as Províncias do Guairá e do Tape, enviam alguns missionários para tais terras para catequizar, mas não existia povoados ou vilas nesta região. Os indígenas ainda possuíam o domínio do local. Os portugueses não se apossaram destas terras, pois estavam foram dos limites do Tratado de Tordesilhas, e os ingleses e holandeses não viraram interesse lucrativo nenhum na região. Entretanto, no século XVII com o avanço das bandeiras pelo Guairá, os bandeirantes começaram a explorar a atual região de Santa Catarina, indo em direção ao Tape e ao Uruguai.


Localização de Santa Catarina
Em 1675, o bandeirante Francisco Dias Velho (1622-1687) pediu a Câmara da Capitania de São Vicente, o direito de tomar posse de terras naquela região, que ele havia visitado dois anos antes; para lá e partiu com sua família e outras famílias de colono, além de levar escravos, e se estabeleceu na ilha de Santa Catarina, nome que ele dera ao local (anteriormente chamada de Ilha dos Patos, em referência a tribo indígena dos Patos), onde hoje se encontra o município de Florianópolis, a atual capital do estado. Francisco fundou a igreja de Nossa Senhora do Desterro, a primeira da região. Ali e ele se manteve com a família e os demais pelos anos seguintes, chegando a passar por problemas de escassez de alimentos e abastecimento, pois a região era bem isolada do restante da colônia, e diferente do Paraná que estava englobado a Capitania de São Vicente; Santa Catarina e o Rio Grande do Sul, ainda permaneceram algum tempo marginalizados a colônia, pois embora estivessem subordinados a São Vicente, sua colonização estava estagnada, até que fora criada a Capitania de São Pedro. Santa Catarina ficou anexada a Capitania de São Pedro até que em 1822 com a criação do Império do Brasil, fora criada a Província de Santa Catarina, a separando do Rio Grande do Sul, entretanto desde pelo menos 1820, havia iniciativas do governo "catarinense" para se separar do Rio Grande do Sul. Em 1829, chegaram os primeiros alemãs para povoar a região, e em 1839, fora proclamada a República Juliana, inspirada na revolução farroupilha, mas a república revolucionária fora desmanchada ainda no mesmo ano. 


Bandeira de Santa Catarina
Acerca da origem do nome do estado, essa provêm da ilha de Santa Catarina, onde Francisco Dias Velho fundou o primeiro povoado da região. Diz-se que ele tinha uma filha chamada Catarina, e em homenagem a filha, batizou a ilha com o nome da Santa Catarina. Além disso, acredita-se que ele teria também quando erguido a Igreja de Nossa Senhora do Desterro, homenageado Santa Catarina de Alexandria (217-308), a primeira com este nome a se tornar santa, e uma das mais conhecidas (pois existem cinco santas com o nome Catarina). 

Todavia, existe também a hipótese que o nome Santa Catarina, não fora dado a ilha por Francisco Dias, mas pelo italiano a serviço da Coroa Espanhola, Sebastião Caboto (1476-1557) o qual seguindo viagem para a foz do Rio da Prata, seguira próximo costa, onde teria avistado por volta de 1526 ou 1527 a Ilha dos Patos, e teria a rebatizada de Ilha de Santa Catarina, pois seria dia 25 de novembro, dia litúrgico de Santa Catarina de Alexandria. Além disso, existe outra hipótese envolvendo Caboto, na qual diz que a homenagem a ilha partira  do nome de sua esposa, Catarina Medrano Caboto

São Paulo (SP)

Capital: São Paulo
Gentílico: Paulista 
Fronteiras: Minas Gerais e Rio de Janeiro (N), Oceano Atlântico (L), Mato Grosso do Sul (O), Paraná (S)
Número de municípios: 645
Região: Sudeste

Originalmente o atual território de São Paulo, pelo menos da costa até a metade do estado, estava dividido entre os domínios da Capitania de São Vicente, criada em 1534, por Martim Afonso Sousa, embora que desde 1532, ele já havia criado a Vila de São Vicente, a primeira vila do Brasil, na ilha homônima; e os domínios da Capitania de Santo Amaro, batizada por Pero Lopes de Sousa. Entretanto, décadas depois, praticamente não se falaria mais na Capitania de Santo Amaro, pois embora não oficialmente estivesse anexada a São Vicente, algo que só ocorrera no século XVII, não-oficialmente a administração da mesma era subordinada a sua vizinha. No final do século XVI, descobriu-se jazidas de ouro em São Vicente, onde os exploradores Afonso Sardinha, pai e filho por volta de 1590 teriam descoberto jazidas de ouro nas serras de Jaguamimbaba em Jaraguá, e posteriormente em outras localidades da capitania. 


Localização de São Paulo
A descoberta de ouro em terras vicentinas não fora suficiente para enriquecer a capitania ou iniciar uma corrida do ouro, as poucas jazidas eram pequenas e raras. No século XVII, os paulistanos, habitantes da Vila de São Paulo do Piratinga (1553), se especializarão na exploração, caça de índios, luta, etc., assim surgiam os bandeirantes. O século XVII seria o auge do bandeirismo, onde os bandeirantes explorariam, desbravariam, conquistariam, pilhariam e matariam por mais de um século, em busca de índios, ouro, diamantes, esmeraldas, etc., indo explorar terras que hoje são o Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso e o do Sul, Goiás, Piauí, Ceará, Maranhão, etc., além de visitar outras capitanias do Nordeste, indo trabalhar como mercenários e paramilitares para destruir quilombos, na Bahia, Pernambuco e Paraíba. De fato foram os bandeirantes que descobriram ouro em Minas Gerais e iniciaram o Ciclo do Ouro. Em 1720 com autonomia de Minas Gerais da administração da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, criada em 1709, e a mudança do escoamento do ouro para o Rio de Janeiro e não mais Santos, isso levou os paulistas a se dedicarem a outras atividades, como fora o caso da cana de açúcar e a fornecer abastecimento a Minas Gerais. 

A Capitania de São Paulo, posteriormente Província de São Paulo só voltaria a ganhar destaque na história brasileira no final do século XIX, com o desenvolvimento da cafeicultura, onde através do café os chamados "barões do café" começariam a modernizar a Vila de São Paulo e outras vilas da província, assim como o próprio porto de Santos. No século XX, a cidade de São Paulo consolidou-se como importante centro econômico, político, social e cultural do país, sendo hoje a maior cidade do Brasil e uma das maiores do mundo, além de que no estado de São Paulo, vivem mais de 20 milhões de pessoas, representado pelo menos 10% da população brasileira. O estado de São Paulo, também é o estado brasileiro com a maior concentração de estrangeiros, provenientes de várias nacionalidades como: italianos, portugueses, bolivianos, chineses, japoneses, sírios, alemãs, líbios, libaneses, paraguaios, uruguaios, etc. 


Bandeira de São Paulo
O nome atual do estado provêm do colégio fundado pelos jesuítas, padre Manuel da Nóbrega e o irmão José de Anchieta em 25 janeiro de 1553 sobre uma pequena colina, onde com a ajuda dos colonos e dos índios, ergueram o Colégio de São Paulo do Piratininga, que em 1560 tornou-se uma vila. Entretanto, apenas no século XVIII é que a capitania recebeu o nome de São Paulo. A escolha do nome do Apóstolo, devera-se pelo fato de que acredita-se que no dia 25 de janeiro, Paulo de Tarso teria sido convertido por Jesus ao Cristianismo, pois o dia litúrgico de São Paulo é em 25 de junho. Além disso, São Paulo, é um dos Santos Apóstolos mais reconhecidos devido as suas epístolas no Novo Testamento, e sua proximidade com Cristo.  

Sergipe (SE)

Capital: Aracaju
Gentílico: Sergipano
Fronteiras: Alagoas (N), Oceano Atlântico (L), Bahia (O), Bahia (S)
Número de municípios: 72
Região: Nordeste

O Sergipe era originalmente compreendia o território da Capitania da Baía de Todos os Santos, hoje é o menor estado do país com 21.910 km². A ocupação do local começou em meados do século XVI, onde os portugueses começaram a ocupá-lo devido a ameaça dos franceses de invadir a região, pois navios franceses iam contrabandear pau-brasil naquelas terras. Posteriormente, com o início dos canaviais, a região entre Olinda, Recife e Salvador estava bem deserta, a ocupação do que hoje é o Sergipe fora necessária para criar uma "ponte" entre as duas capitanias. Em 1590, na União Ibérica (1580-1640) o rei Filipe II criou a Capitania de Sergipe del-Rei, como forma de acelerar a ocupação do norte da Bahia, e a criação de engenhos, canaviais e depois gado bovino. Por cerca de um século, entradas e bandeiras percorreram o Sergipe atrás da lendária "Serra da Prata".


Localização de Sergipe
Durante o Domínio Holandês, Sergipe ficou fora da conquista dos holandeses, contribuindo com a produção açucareira para Portugal, ao lado da Bahia, Espírito Santo e Rio de Janeiro, pois Pernambuco, Paraíba e Rio Grande, grandes produtores açucareiros, estavam sob o domínio dos holandeses. Em 1820, Sergipe fora oficialmente emancipada da subordinação da Bahia, e em 1822 tornou-se a Província de Sergipe


Bandeira de Sergipe
O nome Sergipe provêm do rio Sergipe, de onde o nome é de origem tupi, que significa: siri=siri + i = água + pe = em = "no rio dos siris". Entretanto, o rio também era chamado antigamente de Cirizipe ou Ceregipe, que significa "ferrão do siri". A referência aos siris, se deve que antigamente o rio era abundante nestes animais, onde as tribos que viviam próximo as margens costumavam pescá-los. 

Tocantins (TO)

Capital: Palmas
Gentílico: Tocantinense
Fronteiras: Maranhão e Pará (N), Bahia e Piauí (L), Pará e Mato Grosso (O), Goiás (S)
Número de municípios: 139
Região: Norte

O Tocantins é o estado mais novo do Brasil, criado em 1 de janeiro de 1989 por decreto aprovado em 1988 na Assembleia Constituinte Nacional, mas antes disso a região compreendia o norte de Goiás. A colonização da região só começou propriamente no século XVIII, antes disso, os portugueses e os colonos já haviam passado pela região em entradas e bandeiras, seguindo em direção ao Maranhão, Piauí, Mato Grosso e Pará. No século XVIII começou a efetiva ocupação de Goiás devido a descoberta de ouro pelos bandeirantes, como fora salientado anteriormente, assim, o norte da capitania começou a ser escassamente ocupada, principalmente a partir da fazendas de gado, a partir de pastos criados para alimentar rebanhos no Maranhão, Pará e Piauí. A medida que o século XVIII prosseguia, a região norte de Goiás estava praticamente a parte do desenvolvimento colonial, de fato, o sul de Goiás se desenvolveu relativamente mais rápido do que o norte, e isso contribuiu para gerar diferenças entre os goianos do norte e do sul.


Localização de Tocantins
No final do século XVIII surgiram movimentos emancipatórios no norte de Goiás que se intensificaram no século XIX. Em 1807, D. João VI reconhecendo os problemas oriundos do quase abandono do norte de Goiás após a escassez das minas de ouro da capitania, criou a comarca, batizada de Capitania de São João das Duas Barras, também conhecida como Capitania de São João da Palma, devido ao fato que a Vila de Palma fora escolhida em 1810 para se tornar a capital da capitania. em 1814, D. João VI, suspendeu a autonomia da Capitania e a reintegrou a Goiás, na época as elites goianas solicitaram ao rei, que não havia cabimento de manter outra capitania. 

Em 1821, Joaquim Teotônio Segurado (1775-1831), funcionário público, advogado, escritor, militante, político, etc., lutou pela criação da Capitania de São João das Duas Barras, e depois que esta fora suprida, voltou a se manifestar para recuperar a independência do norte de Goiás. Em 1821, na "Revolta de Cavalcante", Joaquim T. Segurado e o padre Coelho de Matos, lideraram a revolta que proclamou a emancipação de Goiás, e a criação da Província de São João de Palma, embora que a capital fora transferida para a cidade de Cavalcante. Segurado tornou-se o primeiro "presidente" da província autônoma, e nos dois anos seguintes, dois presidentes foram eleitos, entretanto, os revolucionários falharam em conseguir o reconhecimento oficial da província e em 1823, D. Pedro I, já imperador do Brasil, declarou a província ilegal, e retornou a região a Província de Goiás. Novos protestos voltariam a ocorrer no século XIX e XX, porém o movimento emancipatório perdera muita das suas forças, daí a demora de conseguir criar-se o Tocantins apenas em 1988, oficializado em 1 de janeiro de 1989


Bandeira de Tocantins
O nome Tocantins provêm do rio Tocantins, o principal rio da região. Por sua vez, o nome do rio adveio da tribo Tocantin que habitava próximo ao rio. O nome é de origem tupi, que significa: tukana = tucano + tim = bico = "bico de tucano". 


Localização dos estados e do distrito federal nas estrelas da bandeira do Brasil.

NOTA: Dos 26 estados brasileiros, 10 estados possuem seus nomes oriundos a partir do nome de rios, sendo que 9 estados (Rio Grande do Norte embora tenha partido do nome do rio Potenji, o estado não adotara o mesmo nome) possuem o mesmo nome dos seus rios. O Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, embora mantenham estes nomes ligados a rios, na realidade foram equívocos cometidos, mesmo assim preservaram tais referências.
NOTA 2: Dos 26 estados, 16 estados possuem seus nomes referentes a alguma fonte de água, sejam rios, lagoas, baías, o mar, etc.  
NOTA 3: Dos 26 estados, 13 estados possuem nomes de origem indígena. 
NOTA 4: Ao longo da história brasileira, houveram várias capitanias com o nome de santos, hoje apenas duas destas mantiveram tal tradição, São Paulo e Santa Catarina, além do Espírito Santo, no quesito religioso. 
NOTA 5: Das 26 bandeiras dos estados, três trazem o nome dos seus estados: Rio de Janeiro, Santa Catarina e Paraná. 
NOTA 6: O estado de Minas Gerais possui o maior número de municípios, totalizando 831 municípios, enquanto Roraima só possui apenas 15. Isso é bem contrastante, quando pensamos que o Amazonas, o maior estado do Brasil, possui apenas 62 municípios, e Sergipe o menor estado do país, tem 72 municípios: 
NOTA 7: Os Territórios Federais que foram criados no governo de Vargas foram: Território Federal de Fernando de Noronha (hoje o arquipélago esta subordinado a Pernambuco), Território Federal de Ponta Porã (hoje Mato Grosso do Sul), Território Federal do Amapá (atual Amapá), Território Federal do Guaporé (atual Rondônia), Território Federal de Rio Branco (atual Roraima), Território Federal de Iguaçu (compreendia a porção oeste do Paraná). Embora o Acre fosse um território federal, este não fora criado por Getúlio Vargas. 
NOTA 8: Palmas, a capital do Tocantins é a capital estadual mais nova do Brasil, pois embora a cidade exista desde o século XIX, apenas em 1990, ela fora oficializada como capital do estado do Tocantins. 
NOTA 9: Dos territórios federais do Acre, Amapá, Guaporé, Rio Branco e Ponta Porã, que originaram estados, com exceção do Acre e Ponta Porã (Mato Grosso do Sul) que foram reconhecidos respectivamente em 1962 e 1979 como estados, os demais apenas foram reconhecidos em 1988. Sendo que Tocantins, embora não fosse um território federal, fora o último estado a ser criado. 
NOTA 10: A bandeira de Minas Gerais é inspirada na bandeira da Inconfidência Mineira, onde a única diferença é o fato de que na bandeira dos inconfidentes, o triângulo era da cor verde. A frase em latim "LIBERTAS QUÆ SERA TAMEN", significa "Liberdade ainda que tardia".
NOTA 11: A bandeira do Espírito Santo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul trazem escrito o lema de seus estados; na bandeira da Paraíba, a palavra "Nego", vem do verbo negar, onde em 1930, os paraibanos protestaram contra a eleição presidencial daquele ano, pois a Paraíba apoiava Getúlio Vargas, e não reconhecera a vitória do candidato eleito. A bandeira do Piauí, traz a data da reintegração do Piauí como província brasileira. No caso da bandeira do Rio Grande do Sul, além do lema: "Igualdade, Liberdade e Humanidade", há também a data de fundação da República Rio-Grandense, assim como a menção ao seu nome. 

Referências Bibliográficas:
MAGALHÃES, Basílio de. Expansão geográfica do Brasil colonial. 4a edição, São Paulo, Nacional, 1978. (Coleção Brasiliana - volume 45). 

TAUNAY, Affonso de E. História das Bandeiras Paulistas - tomo I. 3a edição, São Paulo, Melhoramentos, 1975.
COUTO, Jorge. A Gênese do Brasil. In: MOTA, Carlos Guilherme (org). São Paulo, Viagem Incompleta, 2000.

TAVARES, Luis H. D. O Primeiro Século do Brasil: Da expansão da Europa Ocidental aos governos gerais das terras do Brasil. Salvador, EDUFBA, 1999.

ALMEIDA, Horácio de. História da Paraíba, tomo I. 2a edição, João Pessoa, Editora Universitária da UFPB, 1978.

TOURINHO, Eduardo. Significado do nome Ceará. Jornal do Comércio, Rio de Janeiro, 25-01-1964. 
LINHARES, Sérgio. Histórico do estado do Rio de Janeiro. Disponível na internet: www.cide.rj.gov.br/cidinho.
Grande Enciclopédia Larousse Cultural, v. 2, São Paulo, Nova Cultural, 1998.
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Grande Enciclopédia Larousse Cultural, v. 10, São Paulo, Nova Cultural, 1998.
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Grande Enciclopédia Larousse Cultural, v. 19, São Paulo, Nova Cultural, 1998.
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Grande Enciclopédia Larousse Cultural, v. 21, São Paulo, Nova Cultural, 1998.
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