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Leandro Vilar

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

As capitais do Brasil

Durante os três períodos da História do Brasil: colônia, império e república, este tivera três capitais, sendo a terceira a atual capital do país. No artigo a seguir irei contar um pouco da escolha destas três cidades para se tornarem capitais desta nação.

Inicialmente desde sua "descoberta" em 1500, a Ilha de Vera Cruz (assim como era chamado o Brasil na época do descobrimento), só viria ter um papel de caráter colonizador após trinta anos. Desde então a Terra de Santa Cruz (segundo nome dado ao Brasil) só era visitada por expedições exploratórias e pelo comércio do pau-brasil. Em 1530-1531, depois de uma série de acontecimentos ligadas a política exterior, o rei de Portugal na época, D. João III, o Pio, decidira organizar o processo colonizador e ocupacional no Brasil, assim ele o dividiu nas Capitanias Hereditárias a partir de 1534, embora que a Vila de São Vicente (atual cidade de São Vicente no estado de São Paulo) já tivesse sido fundada em 1532 por Martim Afonso de Sousa. A Vila de São Vicente fora a primeira vila a ser fundada no Brasil e motivou o rei que havia dado ordem nesta época a repensar na proposta de se ocupar de forma eficaz o Brasil. 

Normalmente nos livros didáticos alegam que o motivo para o D. João III ter optado iniciar a colonização do Brasil fora devido a ameaça dos espanhóis e franceses de ocuparem estas terras. De fato isso fora uma ameaça real, mas além disso havia também o fator econômico. Os portugueses estavam tendo problemas com o comércio em África e Ásia, devido a confrontos com os povos locais. Além disso a descoberta das minas de prata em Potosí no Alto Peru (hoje Bolívia) fora um atrativo a levar o rei a acreditar que no Brasil também pudesse haver minas similares (desde 1500 os portugueses já procuravam por ouro e prata, mas nada conseguiram descobrir). Essa possibilidade de haver minas no Brasil, fora um motivo forte a levar o rei a incentivar a colonização daquelas terras. 

Originalmente cada capitania, era chefiada por um capitão donatário, e o cargo era hereditário. Todos os capitães deveriam proteger suas terras, explorá-las atrás de recursos e produzir algo que pudesse ser comercializado. No entanto todos eram subordinados ao rei de Portugal.

"O governo régio optou, a partir de 1534, por recorrer a particulares para quem transferiu na quase totalidade a iniciativa da colonização. Este segundo modelo - de exclusividade particular (1534-1548) - revelou-se, contudo, insuficiente para atingir os objetivos pretendidos devido à desproporção existente entre as elevadas exigências materiais e humanas que a sua concretização implicava e as disponibilidades dos donatários (capitães-governadores) e também aos abusos a que dava ocasião a total ausência de fiscalização régia". (COUTO, 2000, p-60).

Mapa retratando as
capitanias hereditárias originais
Originalmente a história que vemos na escola, tende a dizer que das primeiras capitanias estabelecidas, somente as de Pernambuco e de São Vicente, é que chegaram a razoavelmente darem certo. Principalmente a de Pernambuco, que viria ser o polo açucareiro nos anos seguintes. Como fora visto na citação acima, a tentativa de abrir a administração e o investimento a particulares, acabou não resultando em algo muito eficiente. Porque mesmo que estes particulares quisessem vir para o Brasil e investir em suas terras, que garantias eles teriam que não seriam atacados por índios, ou pelos franceses, espanhóis ou por outro povo? Que garantia eles teriam que conseguiriam arranjar mão-de-obra decente para trabalhar nessas terras? Estas e outras questões dificultaram uma implantação administrativa bem sucedida. E a saída para isso encontrada pelo rei D. João III, fora em se centralizar o poder da colônia nas mãos de um governador-geral. Assim nascia o Governo-Geral. Vale ressalvar que o modelo das capitanias não fora abolido; o novo governo visava uma melhor organização na administração das capitanias, centralizando os seus poderes. O fim das capitanias só vai ocorrer no século XVIII, por decreto do Marquês de Pombal.

Salvador

Tomé de Sousa
Em 1548, o rei D. João III, convocou à Lisboa, Tomé de Sousa (1502/1503-1579), fidalgo, militar e político português, de uma família de influência. No entanto o que presidiu a escolha dele para assumir o cargo de governador-geral da colônia do Brasil, foram suas bem sucedidas missões militares em África e Ásia, e como administrador em alguns cargos públicos que exerceu nestes dois continentes. Em 7 de Janeiro de 1549, ele fora nomeado capitão-mor e governador-geral de todas as capitanias do Brasil. Com isso o rei o enviara para o Brasil a fim de exercer o seu novo e importante cargo, como também a missão de se criar uma capital na colônia. O local escolhido para a capital fora a capitania da Bahia de Todos os Santos, capitania esta a qual se localizava bem no centro do território colonial, sendo preferível para uma concepção centralizadora. Sendo assim, em 29 de março de 1549, era fundada oficialmente pelo primeiro governador-geral do Brasil, Tomé de Sousa, a cidade de Salvador, como capital oficial da colônia.

"... notifico assim a todos os capitães e governadores das ditas terras do Brasil ou a quem seus cargos tiverem e aos oficiais da justiça e de minha fazenda em elas e aos moradores das ditas terras e a todos em geral e a cada um em especial mando que hajam ao dito Tomé de Sousa por Capitão da dita povoação e terras da Bahia e Governador Geral da dita Capitania e das outras Capitanias e terras da dita costa" (...). "E lhes obedeçam, e cumpram, e façam o que lhes o dito Tomé de Sousa de minha parte requerer e mandar...". Trecho da Carta Régia, comunicando a chegada de Tomé de Sousa ao Brasil, como governador-geral. (TAVARES, 1999, p. 134).

Além de Tomé de Sousa, vieram também uma outra grande quantidade de pessoas, desde prisioneiros, soldados, jesuítas, trabalhadores, etc. Mas também posso citar, Pero Borges, primeiro ouvidor-geral do novo governo; o mestre de obras, Luís Dias, responsável pela construção de Salvador e Gonçalo Pereira, como tesoureiro das rendas. No entanto, não vou me abster a contar como se transcorrera o governo de Tomé de Sousa. Este governou de 1549-1553, quando acabou o seu mandato. Então retornou para Portugal, e fora sucedido por Duarte da Costa.

Tomé de Sousa ficou conhecido por ter organizado e implantado as bases do novo governo, como também de ordenar a construção de Salvador, ordenou a construção de outros povoados e fortes; doou sesmarias (títulos de propriedades), averiguou e supervisionou o governo das demais capitanias, fez acordo com as tribos indígenas mais amigáveis. Ele também incentivou o desenvolvimento da pecuária, ordenando a vinda de mais cabeças de gado bovino para a colônia. A Bahia ficaria conhecida por durante algumas décadas ser o centro pecuarista da colônia. 

Em termos mais gerais, a Bahia junto com Pernambuco foram os principais produtores de cana-de-açúcar, sendo que Pernambuco saiu na frente na produção. Além do açúcar, os baianos plantaram tabaco, criaram gado, e no século XVIII em diante, fora descoberto ouro e diamantes nos sertões da capitania. Fato este por uma parte da região ser chamada de Chapada Diamantina.

Salvador seria a capital administrativa da colônia até o ano de 1763, quando o Marquês de Pombal, transferiu a capital para a cidade do Rio de Janeiro. No entanto, mesmo com esse fato, desde muito antes, Salvador nunca fora a cidade mais importante da colônia. OlindaRecife, Rio de Janeiro e posteriormente São Paulo, tinham mais importância econômica e política do que a própria capital. No entanto isso não significa que ela tivesse um papel secundário na economia e política colonial.

Rio de Janeiro


Antes de começar a contar de fato a sua importância como capital brasileira, até recentemente, irei antes retornar um pouco no tempo e começar a falar do surgimento do Rio de Janeiro, de sua origem em si. Originalmente não existia a Capitania do Rio de Janeiro, esta fazia parte da Capitania de São Vicente, parte norte. (São Vicente era dividido em norte e sul, sendo o norte o que equivalia aos modernos estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro, e a parte sul, a São Paulo de hoje).

Sendo assim, a região já era conhecida a bastante tempo pelos portugueses, desde 1502, para ser mais exato. Mas nunca tivera um papel tão importante nos primeiros anos de colonização, até que esta passou a ser ameaçada pelos franceses. Os franceses descobriram que essas terras eram ricas em pau-brasil, e logo começaram a contrabandear-lo "debaixo das barbas" dos portugueses. Tal situação ficaria mais séria quando este decidiram fundar uma colônia na ilha de Sergipe (atual Ilha do Governador) na Baía de Guanabara, chamada de França Antártica.

Mem de Sá
Fundada por volta de 1555, a colônia francesa permaneceria em solo brasileiro por mais de uma década, até finalmente ser destruída. Sendo assim, em 1558, Duarte da Costa deixara o cargo de governador-geral, após o término de seu mandato (1553-1558), e em seu lugar assumira, Mem de Sá (1500-1572), como terceiro governador-geral do Brasil. Dentre os fatos que marcaram o seu governo (1558-1572) está a expulsão e a derrota dos franceses. Em 1560, o próprio Mem de Sá participou do primeiro ataque a colônia francesa da França Antártica. Eles conseguiram destruir-la, mas no entanto, os franceses não desistiriam tão facilmente. Os franceses acabaram fugindo para dentro da floresta e se aliaram aos índios Tamoio, os quais detestavam os portugueses. A guerra para se expulsar os franceses ainda perduraria por mais sete anos.

Em 1565, em uma segunda tentativa de ataque, Mem de Sá dessa vez enviara seu sobrinho Estácio de Sá (1520-1567) no comando do segundo ataque. Além de comandar as tropas na luta contra os franceses, Estácio de Sá fora incumbido de fundar um povoado naquela região, o qual serviria de base e meio de ocupação daquelas terras. Sendo assim, em 1 de Março de 1565 era fundada a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, se tornando a segunda mais antiga cidade do país a ter este titulo primário. No mesmo ano, o governador-geral elegera o sobrinho como o primeiro governador do Rio de Janeiro.


Pintura retratando a fundação da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro por Estácio de Sá em 1 de março de 1565.
Em 1567, se dera a terceira e última tentativa de ataque aos franceses. Dessa vez comandando novamente por Mem de Sá e com o apoio de Estácio de Sá e de outros militares, a tentativa se fez bem sucedida, então finalmente os franceses foram expulsos da baía de Guanabara. No entanto, Estácio de Sá veio à morrer no conflito. Com a vitória luso-brasileira, a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro passaria a ter uma maior importância nos anos seguintes da colônia. Se temendo uma nova ameaça, o governo administrativo do Brasil, passou a ser dividido entre Salvador e Rio de Janeiro. Sendo Salvador responsável pelas capitanias do Norte e o Rio de Janeiro, pelas capitanias do Sul (Vale ressaltar que mesmo com tal fato, Salvador, ainda era a capital oficial).


Em 1572 viabilizando uma melhor divisão administrativa da colônia do Brasil, a Coroa portuguesa, a dividiu em duas repartições, o Norte controlado por Salvador e o Sul, controlado pelo Rio de Janeiro. Entretanto, Salvador ainda era a capital oficial da colônia. Tal divisão se mantivera até o ano de 1612
Em 1580, ocorrera a união das Coroas Ibéricas, com isso se iniciava a União Ibérica (1580-1640). O último governador-geral do Brasil, Cristóvão de Barros, governou até 1591 em Salvador. Depois dessa data, o modelo do governo-geral fora temporariamente suspendido. Portugal e seu império ultramarino agora pertencia aos espanhóis pois o rei e Espanha, Filipe II havia se tornado o rei de Portugal, pois o rei português anterior o Cardeal-Rei D. Henrique I não havia deixado herdeiros e nem nomeado um sucessor. Entre os vários pretendentes ao trono lusitano, o rei espanhol saiu na frente o assumindo. Em 1621, ele dividiu o Brasil novamente, criando o Estado do Maranhão, com a capital na cidade de São Luís (posteriormente o Estado passou a ser chamado de Maranhão e Grão-Pará), o novo Estado perfazia as capitanias do Maranhão, Piauí, Pará e Ceará, e possuíam um governo próprio, a parte do restante da colônia. O restante da colônia passou a ser chamado de Estado do Brasil, sendo Salvador ainda sua capital. O Estado do Maranhão e Grão Pará mantivera sua autonomia perante o Estado do Brasil até o ano de 1765, quando fora dissolvido e englobado no governo Vice-reino do Brasil.


Mapa do Estado do Maranhão e do Estado do Brasil no século XVIII. É possível no mapa ver as atuais divisões territoriais de alguns estados brasileiros. Embora estivessem divididos em dois Estados, tudo isso era colônia portuguesa.
Por volta do final do século XVII, o ouro fora descoberto por bandeirantes de São Paulo, na região que viria ser conhecida como Minas Gerais. O Rio de Janeiro era o principal produtor de açúcar na parte sul da colônia, e nos anos seguinte havia crescido muito. Se tornou um ponto de estadia e passagem, importante para se partir para São Paulo e para os sertões mineiros. Seu porto era o principal meio de acesso dos navios daquela região. Isso ajudou muito a sua escolha para se tornar a nova capital da colônia. No entanto nem todos pensavam da mesma forma.

Marquês de Pombal
Em meados do século XVIII, o rei de Portugal, D. José I (1714-1777), elegera como seu primeiro-ministro, o Marquês de Pombal (1699-1782). Pombal ficaria conhecido por ter sido um dos mais bem-sucedidos primeiros-ministros da história européia, mesmo que em muitos casos suas ações fossem fortemente criticadas. Em relação ao Brasil, notou-se que a administração deveria passar por novas mudanças, e muitas mudanças foram estas feitas por Pombal, dentre as quais: estava a transferência da capital administrativa da colônia. Pombal planejara que uma nova capital fosse construída no interior da colônia, na região mineradora, novo polo econômico da colônia, já que o açúcar do nordeste não rendia mais como antes. Porém devido a diversos fatores que impunham dificuldades de se estabelecer uma capital ali (distância da costa, difícil acesso, conflito entre paulistas e emboabas, espanhóis, indígenas, etc), fora preferível se escolher outro lugar mais próximo da costa e que facilitasse o acesso ao interior.

"Na altura de 1763, estando as terras do Brasil divididas em nove capitanias gerais (Pará, Maranhão, Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso) e oito subalternas (Rio Negro, Piauí, Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), a centralização já alcançaram a sua maior concentração. Todas as capitanias hereditárias desapareceram". (TAVARES, 1999, p. 146).

Sendo assim, em 1763 ele escolhera a cidade do Rio de Janeiro como nova capital do vice-reinado do Brasil. (Em 1645 o rei D. João II elevou o Brasil a condição de Principado e em 1755 o Brasil se tornou Vice-reino). Com tal escolha o Rio de Janeiro se tornaria a única capital do Brasil a receber os títulos de Capital do Vice-reino do Brasil (1763-1808), Capital do Império do Brasil (1822-1889), Capital da República do Estados Unidos do Brasil, posteriormente renomeada como República Federativa do Brasil (1889-1960)

Durante a estada da Corte Portuguesa no Rio de Janeiro (1808-1821), D. João VI empreendeu uma verdadeira transformação arquitetônica na cidade. De fato, o Jardim Botânico (na época era chamado de Real Horto), praças e bairros foram criados, além de outras construções tais como: a sede do Banco do Brasil, a Academia Militar do Rio de Janeiro, a sede da Biblioteca Nacional (na época chamada de Biblioteca Real, a qual não ocupava o prédio de hoje, pois o mesmo não existia), a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, a Academia Imperial de Belas Artes, a sede da Gazeta do Rio de Janeiro (primeiro jornal do país), dentre outros prédios políticos e administrativos. Tudo isso para agradar o gosto da Família Real, e modernizar o Rio aos moldes da capitais europeias, como Lisboa, Madrid, Paris, Roma e Londres. 

Depois disso ele passou abrigar a sede do governo imperial. Em 1834, a cidade do Rio de Janeiro fora elevada a categoria de Município Neutro, tendo deixado o Estado do Rio de Janeiro com capital localizada na cidade de Niterói. Entre as décadas de 60 e 70 do século XIX, a cidade sofrera um surto de urbanização e modernização pelas ideias e investmentos do Barão de Mauá (1813-1889). Ele fora responsável por ter bancado a construção de ruas, de esgotos, do saneamento básico de alguns bairros, de ter criado a companhia de iluminação movida a gás, a companhia de transporte ferroviário; empresas de fundição e construção. Em outras palavras fora Mauá que pôs o "Brasil a andar sobre trilhos".


Vista panorâmica da enseada do Botafogo no Rio de Janeiro em 1889.
Durante essa época a cidade cresceu muito em dimensões e população. Muitos iam para o Rio atrás de emprego e melhores condições de vida, e no final do Império começou a vinda de estrangeiros para trabalharem nas plantações de café em São Paulo em Minas, pois o café era agora o grande negócio do país. Nessa época a economia da cidade estava em declínio e a situação pioraria com a Abolição da Escravatura em 1888, já que não haveria emprego assalariado para a grande demanda de ex-escravos, levando muitos a passarem a marginalidade ou aceitarem empregos com salários desonestos. O preconceito racial também fora um motivo para que se negassem a contratar negros ou lhe dá salários equivalentes aos dos brancos. Também pode-se ressalvar que nessa época começaram a se formar os cortiços e a favelas

Em 1897 fora escolhido o antigo Palácio de Nova Friburgo como futura sede da República, a qual passaria a ser chamado de Palácio do Catete, em referência ao bairro a onde se localiza. O Palácio do Catete seria a sede do governo brasileiro até o ano de 1960, quando o então presidente da República, Juscelino Kubitschek, transferiu a capital federal para a recém inaugurada Brasília. No entanto algumas questões ainda ficaram sendo organizadas no Palácio até os anos 70, quando finalmente este deixara de possuir sua função politica e administrativa, e se tornara o atual Museu da República.

Brasília

José Bonifácio
Como eu já havia dito anteriormente, a ideia de se mudar a capital do Brasil para o interior já havia sido sugerida em 1761, pelo então primeiro-ministro de Portugal, o Marquês de Pombal, mas devido há alguns problemas na época, a capital fora transferida de Salvador para o Rio de Janeiro. Porém a ideia de uma capital no centro do país não fora esquecida. Por volta de 1823, o estadista José Bonifácio (1763-1838), figura importante no processo de independência do Brasil, voltou a sugerir a ideia da criação de uma capital no interior do país. O plano novamente não veio a se concretizar. Mas no entanto, o nome da futura capital já estava definida. Esta se chamaria BrasíliaEm 1883, o então sacerdote italiano, Dom Bosco (1815-1888), enquanto morava no Brasil, tivera um sonho no qual, Deus lhe havia mostrado em uma região no interior do país, próximo a um lago, um local de grandes riquezas. Muitos atribuem esse sonho, como sendo uma referência a Brasilia.

Anos depois, após o advento da República, o plano de se construir uma nova capital ressurgira. Em 1892, o governo votava em um projeto chamado de Comissão Exploradora do Planalto Central, conhecida também como a Missão Cruls (em referência ao astrônomo e engenheiro belga, Luis Cruls, nomeado como chefe do projeto), a qual tinha como objetivo escolher um local pra a construção de uma nova capital para o país. Na região do planalto central, a onde se encontrava no meio do Estado de Goiás, fora demarcada um perímetro de 14.400 km2, a onde se construiria a nova capital. Porém, embora o território houvesse sido demarcado, as obras não saíram do papel.

Juscelino Kubitschek
Em 1922, no então governo do presidente Epitácio Pessoa, fora erguida no dia 7 de setembro na área então marcada, a pedra fundamental para a construção de Brasília, mesmo assim os presidentes seguintes não se interessaram em levar à cabo a continuidade desse projeto. No entanto, o projeto somente começou a andar durante o governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961), que em um dos comícios de sua candidatura para a presidência, ele prometera que se fosse eleito iria construir no período de seu mandato a então sonhada capital no Planalto Central. Com a vitória de Juscelino a presidência o projeto se pôs a andar. Em 18 de abril de 1956 o então presidente, encaminhara para o Congresso, a Mensagem de Anápolis, na qual propusera uma série de medidas para a construção da nova capital, entre as quais ele decidira batizá-la com o nome de Brasília. Antes de o processo ter sido avaliado, desde o período do início da República, e talvez até mesmo antes, já existia esboços para a construção da nova capital. Vários arquitetos, urbanistas e engenheiros participaram para ganhar a oportunidade de construir a cidade. E finalmente no dia 30 de setembro de 1956, fora publicado oficialmente no Diário Oficial, o Projeto do Plano Piloto.


Planta do Projeto Plano Piloto de Lúcio Costa para a construção de Brasília.
No fim do ano, os projetos de construção já se iniciavam, e no ano seguinte dava-se início as obras do Plano Piloto, criado pelo urbanista Lúcio Costa (1902-1998). No mesmo ano o arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012), amigo de Lúcio Costa, o qual havia lhe indicado ao concurso para a escolha dos projetos urbanísticos, era escolhido por Juscelino para projetar as principais construções que abrigariam o governo do país na nova capital. Além desses prédios tais quais: O Palácio da Alvorada, o Edifício do Congresso Nacional, Esplanada dos Ministérios e o Palácio do Planalto, ele também projetou outros edifícios tanto para uso do governo como edifícios comerciais e residenciais; até mesmo projetou a Catedral de Brasília, e uma série de monumentos para a capital, dos quais alguns ainda hoje não foram construídos.


Palácio do Planalto em Brasília, projetado por Oscar Niemeyer. Atualmente é a sede do Governo Federal da República Federativa do Brasil e de outras repartições da União.
Em 21 de abril de 1960, oficialmente era inaugurada a cidade de Brasilia, tendo os Três Poderes da República, transferidos do Palácio do Catete no Rio de Janeiro, para a recém fundada capital.

As obras de Brasília duraram por mais de vinte anos, o que fora construído no governo de Juscelino só fora o básico para se estabelecer a cidade, muitos outros edifícios, estradas, cidades-satélites só foram construídos bem depois. Mesmo assim, além desse fato, durante esses cinco anos de construção inicial, grande parte da mão-de-obra que ali trabalhou, fora de emigrantes nordestinos. Por isso que alguns dizem que foram "os nordestinos que ergueram Brasília". 

Mas não obstante a isso, existe outros fatos sombrios da história da construção da cidade. Como questões de super-orçamento da construção, que ela teria superado o valor previsto; alegações de desvios de verba, de morte dos operários, chamados de candangos. Existem histórias que alegam que um número enorme de operários morreram durante a construção da cidade, devido a falta de segurança em seu ofício, porém o governo até hoje nunca se pronunciou oficialmente sobre tais mortes e supostos desaparecimentos. No entanto quero dizer que isso não só ocorreu com Brasília. Salvador e o Rio de Janeiro também presenciaram as mesmas questões, ou vocês se esquecem que quem construiu Salvador e o Rio, foram os escravos negros e indígenas.  Que muitos morreram nessa época, e que guerras foram travadas ao longo dos séculos tanto contra os povos locais, e contra povos estrangeiros. Por fim a história dessas cidades fora marcada por triunfos e tragédias.

NOTA: Antes da criação das Capitanias Hereditárias, houveram as chamadas Capitanias Marítimas, das quais a mais conhecida fora a Capitania da Ilha de São João (atual Fernando de Noronha) atribuída ao capitão Fernão de Noronha, o qual deteve o monopólio na exploração do pau-brasil por alguns anos.
NOTA 2: O sistema de capitanias já era utilizado por Portugal nas ilhas da Madeira e de Cabo Verde.
NOTA 3: O nome da colônia francesa na Baia de Guanabara era chamada de França Antártica, como uma alusão em se dizer que se localizava no hemisfério sul. Posteriormente no século XVII, no Estado do Maranhão e Grão-Pará, os franceses fundaram uma nova colônia, chamada dentre alguns nomes de França Equinocial, posteriormente batizada de São Luís.
NOTA 4: o governador Mem de Sá, fora dentre todos os governadores-gerais, o que deteve maiores poderes sobre a colônia e o mandato mais longo.
NOTA 5: No Rio de Janeiro, tanto D. João VI, como os demais imperadores do Brasil, moraram no Paço Imperial, o qual era a antiga casa do vice-rei do Brasil. Embora a corte também possuí-se outros palácios, como o Palácio da Quinta da Boa Vista, o Palácio de São Cristóvão e o Paço em Petrópolis. 
NOTA 6: A terceira cidade mais antiga do país, fora fundada em 5 de agosto de 1585, chamada de Nossa Senhora das Neves, atual cidade de João Pessoa, capital do estado da Paraíba. A quarta cidade mais antiga do país é Natal, atual capital do Rio Grande do Norte, fundada em 25 de dezembro de 1599
NOTA 7: Salvador, Rio de Janeiro e Nossa Senhora das Neves, foram as primeiras a serem fundadas como cidades. No entanto antes delas já existiam vilas bem mais antigas, como Recife, Olinda, Porto Seguro e São Vicente. O título de cidade naquela época era honorífico. 
NOTA 8: Antes de Juscelino propor a construção de Brasília como promessa de candidatura, o Congresso desde 1953 já havia definido o local exato da construção da capital, e só aguardava alguém dá início as obras.
NOTA 9: São João Bosco, o qual teria sonhado com a nova capital, é um dos santos padroeiros da cidade de Brasília.
NOTA 10: Em 1624 os holandeses invadiram e tomaram Salvador, só vindo a serem expulsos em 1625. Em 1630 eles retornaram e conquistaram Recife e Olinda, subjugando Pernambuco ao seu domínio, e fundando a colônia da Nova Holanda a qual perdurara até 1654, englobando os atuais territórios de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Sergipe e Alagoas, e parte do Ceará e Maranhão. 
NOTA 11: A cidade do Rio de Janeiro também fora capital do breve Estado da Guanabara (1960-1975), o qual ficava localizado no próprio município do Rio de Janeiro, sendo que a capital do estado do Rio de Janeiro neste tempo, era Niterói

Referências Bibliográficas:
COUTO, Jorge. A Gênese do Brasil. In: MOTA, Carlos Guilherme (org). São Paulo, Viagem Incompleta, 2000.
TAVARES, Luis H. D. O Primeiro Século do Brasil: Da expansão da Europa Ocidental aos governos gerais das terras do Brasil. Salvador, EDUFBA, 1999.
Grande Enciclopédia Larousse Cultural. v. 4, São Paulo, Nova Cultural, 1998.
Grande Enciclopédia Larousse Cultural. v. 20, São Paulo, Nova Cultural, 1998.
Grande Enciclopédia Larousse Cultural. v. 21, São Paulo, Nova Cultural, 1998.

Links relacionados:
A União Ibérica
As Reformas Pombalinas
Um breve relato acerca da origem do nome dos estados do Brasil

LINKS:
http://veja.abril.com.br/especiais/brasilia/redescoberta-brasil-p36.html
http://www.saltur.salvador.ba.gov.br/template.asp
Fotos de Salvador

El Libertador

Nos idos do século XIX, a América Latina, vivia uma época de conturbadas revoluções. Era a época das guerras pela independência. Anos antes, os Estados Unidos da América, havia conseguido sua independência da Inglaterra, em 4 de Julho de 1776. Tal acontecimento serviria de incentivo e de modelo para as demais colônias latino-americanas, buscarem sua emancipação perante a suas metrópoles. Nesse caso, as principais metropoles eram, Espanha, Portugal e França. E dentre essas guerras pela revolução, muitos lideres se destacaram, se tornando verdadeiros heróis para o seu povo. E dentre estes heróis, estava Simón Bolivar, conhecido pela alcunha de El Libertador.

Simón José Antonio de la Santissima Trinidad Bolívar y Palacios, nasceu na cidade de Caracas (na Venezuela) em 1783. Filho de uma rica família aristocrática, descendente do País Basco (em Espanha). Tivera uma infância um tanto conturbada e triste. Aos três anos, seu pai, Juan Vicente Bolívar veio a morrer. Simón e seus irmãos ficaram aos cuidados de sua mãe até 1792, quando esta também veio a morrer. Depois disso ele passou pelas casas dos avós paternos e de um tio, até finalmente ficar sob a tutela de Simón Rodriguez, um pedagogo, e homem de caráter revolucionário, fortemente influenciado pela filosofia de Rousseau. Simón ficou aos cuidados de Rodriguez até 1799, quando é enviado para a Espanha a fim de terminar seus estudos. Bolívar teve de inicio contato com as ideias iluministas e revolucionárias, com seu tutor, e posteriormente enquanto esteve viajando pela Europa passaria a morar em Paris, onde seu caráter revolucionário afloraria ainda mais. Em 1802 este veio a se casar, e no mesmo ano decide voltar para a Venezuela, porém durante sua estadia, sua esposa veio a morrer em 1803. Magoado, Bolívar decide retornar para a Espanha. Em 1804, enquanto residia em Paris, assistiu a coroação do imperador Napoelão Bonaparte I. No ano seguinte, reecontrou seu velho tutor Simón Rodrigues, então viajaram para Roma, a onde Bolivar teria pronunciado seu famoso Juramento do Monte Sacro.

Sobre a colina sagrada aos arredores de Roma, Bolivar teria jurado em libertar seu povo da metropole espanhola. Curiosamente, naquele mesmo local há séculos atrás, antes da época de Cristo, os plebeus teriam se reunido ali a fim de confrontar a exploração dos patricios. Fora um momento em que a recém criada República Romana, estava ao imparsse de chegar ao fim. Depois de seu juramento, Bolívar ainda viajou por outros lugares na Itália, então retornou para Paris, por volta de 1806, onde aderiu a Francomaçonaria. Depois disso continuou suas viagens, até chegar aos Estados Unidos, e depois em 1807 retorna para a Venezuela, a fim de cumprir com sua promessa.

De volta a Venezuela, Bolívar tratou de fazer alianças com os grupos revolucionários, comandados pelos criollos (criollo - era o termo usado para se referir aos descendentes de espanhóis nascidos em território americano). Basicamente naquela época a classe social era dividida em: criollos, peninsulares (moradores da metrópole), estrangeiros e escravos (indígenas e africanos). Sendo nesse caso os principais responsáveis pelos movimentos de revolução na América Latina foram os aristocratas de origem criolla ou se não os escravos indigenas.

Em 1810, após a dissolução da Junta Suprema da Espanha, os revolucionários, conseguiram formar um governo provisório em Caracas, chamado a Junta de Caracas. Enquanto a Espanha passava por alguns problemas internos a respeito de sua administração e politica, Bolívar viajou para a Inglaterra a fim de conseguir apoio para libertar a Venezuela. Nessa época, a Inglaterra tinha causado muitos problemas aos espanhóis, devido a alguns acordos feitos entre estes dois países, a fim de ajudar os espanhóis em suas dividas. No ano seguinte, este retorna ao seu país, e proclama oficialmente em 5 de julho de 1811 a independência da Venezuela a metrópole espanhola. No entanto os espanhóis, não deixariam isso acontecer tão facilmente. No ano seguinte, os exércitos espanhóis invadem Caracas, e derrotam os exércitos revolucionários. Francisco de Miranda (1750-1816), considerado o precursor do movimento revolucionário latino americano, decidiu assinar um armísticio com os espanhóis a fim de poupar maiores desastres devido a guerra contra estes. Bolivar e outros membros partidários, viram isso como uma traição de Miranda. de qualquer forma a guerra fora evitada de se prolongar ainda mais. Bolívar, acabou fugindo de Caracas, indo se refugiar em Cartagenas das Indias, no estado de Nova Granada (atual Colômbia). Lá ele redigiu um manifesto a fim de também lutar pela independência deste Estado, com isso fora eleito general de seus exércitos.

Entre os anos de 1812 e 1813, a Coroa Espanhola, descobriu os planos de Bolívar em referência ao Estado de Nova Granada, com isso enviou seus exércitos que residiam na Venezuela para atacar Bolivar, no entanto este conseguiu derrotar os espanhóis em Agosto de 1813 em Taguanes (Venezuela). No mesmo ano invadiu e libertou Caracas, onde o povo lhe concedeu o titulo de El Libertador. No ano seguinte fora proclamado ditador. No entanto o governo de Bolívar não iria durar muito tempo. Os llaneros (habitantes da planície), nesse caso eram formados em parte por uma aristocracia fazendeira. Se uniram a aqueles que apoivam a Coroa, então marcharam para a capital a fim de derrotar Simón Bolivar. Sendo assim, parte da população da Venezuela se viu entre uma briga de castas sociais. A aristocracia revolucionária dos criollos e a aristocracia conservadora dos llaneros. Os generias espanhóis Boves e Morales, derrotaram Bolivar e puseram fim a Segunda República da Venezuela. Simón fugiu e se refugiou na Jamaica, onde escreveu a Carta da Jamaica, documento este no qual esboçava o seu sonho de libertar todas colônias das Américas, e criar uma grande República unida, seja politicamente ou economicamente. Depois disso, ele se muda para o Haiti, onde conta com a ajuda do presidente Alexandre Pétion (1770-1818).

"Foi acolhido no Haiti pelo presidente Petion, que lhe forneceu quatro batalhões e armas para 6 mil homens, sob a condição de que os escravos da América fossem libertados". (LAROUSSE, 1998, p. 826).

Além do apoio dos haitianos, este também contou com o apoio dos ingleses, e com isso em 1816, retornou para a Venezuela a onde formou um estado autônomo, com a capital sediada na cidade de Angostura. Naquela época as ideias bases da criação do Estado da Grã-Colômbia eram criadas. Bolivar contou com o apoio do general José Antônio Paez, líder dos llaneros, os quais se uniram dessa vez a favor de Simón. Com isso, a Venezuela fora recuperada. Porém mesmo reassumindo o controle de seu país, Bolívar ainda continou a prosseguir com o seu sonho de libertar a América de suas metrópoles. Em 1819, com o apoio dos ingleses, venceu os espanhóis na Batalha e Boyacá, e ocupou Bogotá. No mesmo ano, em 17 de dezembro, era proclamado a criação da República da Grã-Colômbia (ver mapa), contendo inicialmente a união de Nova Granada e Venezuela. Posteriormente seria assimilado a região de Quito (Equador), parte do norte do Peru, sul do atual Panamá, e um pedaço da Amazônia brasileira. Simón Bolivar fora eleito então o primeiro presidente dessa nova nação livre.

Em 24 de junho de 1821 na Batalha de Carabobo (Venezuela), Bolívar derrotou definitivamente o exército espanhol que ainda ameaçava a autonomia do novo país. Com tal vitória, este partiu em direção a Quito, e a libertou e a assimilou a Grã-Colômbia em 1822. Logo em seguida marchou para o sul, em direção ao Peru, onde em Junho de 1823, ocupa a capital Lima de los Reyes, e é então proclamado ditador do Peru. Em Junin em Agosto de 1824, e posteriormente em Sucre em Ayacucho em Dezembro, Bolivar havia derrotado as últimas forças colonianistas no Peru. Em 6 de agosto de 1825, Simón Bolívar concedia a independência do Alto Peru, passando a chamar-lo de Bolívia ou República de Bolívar. Sendo Simón o seu primeiro presidente.

Porém o sonho de paz e de harmonia presado por Bolivar não iria vigorar por muito tempo. Enquanto esteve fora da Grã-Colômbia, o então presidente, a deixou nas mãos de outros governantes, os quais acabaram entrando em conflito. Após o Congresso do Panamá (1826) idealizado por Bolívar o qual não contou com sua presença devido a este ainda estar na Bolívia, os lideres de vários países americanos ali reunidos, votaram para decidir o futuro politico de suas nações, acabou terminando não da forma como Bolívar esperava.

"O Congresso do Panamá, por ele convocado, ocorreu no verão de 1826, mas a ideia de unidade americana frustou-se. As tendencias centrifugas e a instabilidade dos novos Estados afetaram a obra de Bolivar, fragmentando-a. Em 1827, o Peru declarou guerra a Colômbia. Paez proclamou a independencia da Venezuela (1829), e Flores a do Equador (1830)". (LAROUSSE, 1998, p. 826).

Manuela Sáenz
Porém não fora somente o sonho de Bolívar que estivera em risco. Antes mesmo de a Venezuela e Equador se tornarem independentes, Bolívar o qual estava de volta a Colômbia (1828) na tentativa de unir seus partidários, chegou a sofrer uma tentativa de assassinato, o qual só não veio a dá certo, porque este fora salvo por sua amante, Manuela Sáenz (1797-1856) a quem tinha conhecido anos antes, durante a invasão de Quito. Manuela conseguira salvar a vida de seu amor, no entanto mesmo ainda vivo, Bolivar não conseguiu impedir a fragmentação da Grã-Colômbia. E em Maio de 1830 oficialmente ele se demite do cargo de presidente, e o Estado fora dissolvido.Depois disso, ele se exilou em um casebre na cidade de Santa Marta (Colômbia), onde acabou morrendo de tuberculose em 17 de dezembro de 1830, aos 47 anos de idade. O homem que uma vez fora chamado de o "Libertador das Américas" morria sozinho, pobre e abandonado. Tendo o seu sonho destroçado pela corrupção de seus generais e lideres.

NOTA: A então cidade chamada de Angostura, é chamada atualmente de Ciudad Bolivar.
NOTA 2: O filósofo suiço Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), ficou conhecido por ter escrito a obra O Contrato Social, livro de grande influência politica em todo o mundo.
NOTA 3: Atualmente a Venezuela se chama oficialmente de República Bolivariana da Venezuela.
NOTA 4: A Grã-Colômbia durou de 1819 à 1830, tendo como único presidente, Simón Bolivar.
NOTA 5: Bolivar fora amigo dos renomados cientistas Alexander von Humboldt e Aimé Bonpland.
NOTA 6: Curiosamente tanto Simón como outros lideres da independência Americana, eram membros da maçonaria.
NOTA 7: Manuela ficou também conhecida pela alcunha de a Libertadora do Libertador (La Libertadora del Libertador).
NOTA 8: O Haiti foi o primeiro país latinoamericano a conseguir sua independência, em 1 de Janeiro de 1804. No entanto esta só foi oficialmente reconhecida pela França em 1825.
NOTA 9: Bolívar é retratado nos jogos, Age of Empires III e Civilization IV: Colonization.

Referências Bibliográficas:
Grande Enciclopédia Larousse Cultural, São Paulo, Nova Cultural, 1998.

LINKS:
Vidas Lusófonas: Simón Bolivar
Simón Bolívar e o juramento do Monte Sacro
O Bolívar simbólico - O nome do herói foi apropriado por um sem-número de políticos na América Latina

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

A história dos Reich

Muitos de vocês já devem ter ouvido essa palavra alemã, reich; principalmente em relação a Segunda Grande Guerra Mundial, pronunciadas as vezes pelo próprio Adolf Hitler. Mas afinal de contas, o que fora o III Reich que Hitler tanto dizia? E se era o terceiro, isso implica em se dizer que houveram outros dois. Então quais foram? A partir de tais perguntas, irei expor a seguir um breve contexto, contando o que foram os três reichs alemães. E finalmente o que fora o reich.


Primeiramente quero dizer que a palavra reich é utilizada para se referir a império ou reino. Ou seja, o III Reich seria o "III Império da Alemanha". Já que ficou evidente o significado desta palavra, irei retroceder no tempo e contar um pouco da História do Primeiro Reich, e assim por diante.

O Primeiro Reich - Sacro Império Romano-Germânico

Carlos Magno
Comumente alguns historiadores costumam definir a duração do Primeiro Reich entre os anos de 962 até 1806, quando o último sacro imperador abdicou do trono. No entanto, a história do Sacro Império é um pouco mais antiga do que isso. Na realidade o Sacro Império fora fundado no ano de 800 por Carlos Magno (747-814). Sendo assim, irei fazer um breve histórico no qual antecede a criação do novo império por Carlos Magno. A História começa por volta de 751, no Reino Franco (França), quando o último rei da Dinastia Merovíngia era deposto pelo recém proclamado rei, Pepino, o Breve (714-768), o qual havia fundado a Dinastia Carolíngia. Pepino governou de 751 a 768, e durante o seu reinado ele tratou de reunificar o povo franco, além de expandir os domínios do reino, e de ter auxiliado o Papa Adriano I nos conflitos contra os lombardos no norte da Itália. Pepino conseguiu estabilizar em certo ponto o reino franco, mas somente com o seu filho Carlos Magno é que o reino se tornaria um império.

Em 768, Pepino, o Breve faleceu, o reino fora dividido entre Carlos Magno e seu irmão Carlomano. No entanto, pouco tempo depois, Carlomano acabou se exilando em um mosteiro, a onde veio morrer em 771. Com isso, Carlos Magno se tornou o único rei da Dinastia Carolíngia. Deste ponto em diante se iniciaria os eventos que culminariam na formação do novo império. Suas investidas o levaram a confrontar vários povos pagãos da Europa, a fim de levar a fé cristã até estes "bárbaros". Ele estabilizou o domínio sobre os francos, combateu os frisões, os ávaros, os saxões, os lombardos vindo a conquistá-los em 774, e se proclamando como o rei destes. Posteriormente também combateu o avanço dos mouros no sul da França, onde sofrera duras perdas, mas conseguira impedir que os mouros invadissem o Reino Franco. Depois de todas estas conquistas, seu prestígio em ter servido tanto o Papa Adriano I e agora o novo papa, Leão III, ele passou a ser visto como um salvador do povo cristão e um herói para estes. O qual levava o cristianismo e a palavra de Deus para esses povos pagãos do norte da Europa.

"A restauração imperial, no ano 800, aparece de inicio como a consagração dessas vitórias, a consequência da expansão do reino franco. Na Itália e em Roma mesmo, tudo concorria para afirmar o prestígio de Carlos: o papa Leão III, exposto a violento ataques, espancado na praça de S. Lorenzo em Lucina, salvo semimorto por dois missi francos, dirigiu-se até o Saxe para implorar a ajuda e a proteção do rei". (HEERS, 1985, p. 43).

Mapa com os domínios do Império de Carlos Magno.
Após tais fatos, em 25 de dezembro de 800, na cidade de Roma, o papa Leão III proclamava Carlos Magno, imperador romano. Um título que não se via no Ocidente desde 476, quando o Império Romano do Ocidente chegara ao fim. No entanto, o novo imperador proclamado tinha em mente em se criar um novo império. Este novo império teria como base os preceitos cristãos, além de ser regido por leis de origem romana, governando sobre povos de origem germana. Sendo assim, nascia o Sacro Império Romano-Germânico.

Com a criação do novo império, Carlos Magno iria empreender uma verdadeira reforma econômica, política, administrativa, legislativa, educacional e cultural. Ele dividira o controle das terras entre condes, duques, nomearia senhores feudais (assim nascia propriamente o que conhecemos como feudalismo). Faria acordos com os espanhóis, bizantinos e até com o califa de Bagdad. Criou novas leis, mediante a elaboração de capitulários e de concílios. Promoveria o incentivo ao estudo das ciências e das artes. Construiria escolas clérigas e mosteiros. Isso leva alguns historiadores a falar em uma Renascença Carolíngia por volta do século XII, a qual teria herdado forte influência das reformas de Carlos Magno.

"Em suas etapas iniciais, o Sacro Império Romano da Nação Germânica legitimou-se como uma espécie de reencarnação do Império Romano do Ocidente". (ELIAS, 1997, p. 18).

Alguns anos antes de morrer, Carlos Magno havia dividido o controle do império entre os seus três filhos (Este tivera vários filhos com duas de suas quatro esposas, e também com amantes, no entanto somente três é que herdaram reinos de seu pai). Quando finalmente Carlos veio a morrer em 814, os seus três filhos começaram a brigar entre si para ver quem assumiria o título de imperador. Os seus três filhos que disputaram o trono foram, Carlos, o Jovem, Pepino da Itália e Luís. Carlos, o Jovem, morreu em 814, Pepino provavelmente fora assassinado por ordem de Luís, o qual por fim assumiu o titulo de sacro-imperador, assumindo como Luís, o Pio, tendo governado de 814 à 840. Luís, o Pio ainda conseguiu manter o império estável, mas após a sua morte, novamente veio ocorrer a disputa pelo trono entre seus herdeiros, e esse conflito perduraria por longos anos.

De fato alguns historiadores costumam dizer que após a morte de Luís, o Pio, o Sacro Império praticamente se desmanchara. O que se sucedeu foram vários anos de conflitos pelo poder, entre príncipes lutando contra irmãos, pais, primos e tios pelo poder. E além disso, por volta de meados do fim do século IX e meados do século X, a Europa sofrera uma onda de devastação causada por povos "bárbaros", dentre os quais, os húngaros, normandos, saxões, eslavos, russos e vikings se destacam mais. Nesse ponto o antigo império já não podia mais ser chamado de império, era mas como vários Estados quase autônomos entre si.

"O império carolíngio, já enfraquecido por frequentes divisões, sofre, ao mesmo tempo, os ataques dos povos do mar, em todas as suas costas, e dos cavaleiros das estepes em suas fronteiras do leste. Essas novas migrações provocaram algumas vezes, lá onde se fixam os invasores, a formação de novos Estados mais ou menos estáveis e modificaram, assim o mapa politico do Ocidente". (HEERS, 1985, p. 53).

"Na Alemanha, o equilíbrio de forças afastou-se gradualmente do nível de integração representando pelo imperador e inclinou-se a favor do de príncipes regionais". (ELIAS, 1997, p. 18).

Com a deposição de Carlos III, o Gordo em 887, o trono imperial ficaria vago por mais de 40 anos, até que finalmente um novo imperador de origem saxã viria assumir o titulo de sacro-imperador, e reconstituiria o Sacro Império. E esse homem fora Oto I, o Grande.

Oto I, o Grande
Filho de Henrique I, o Passarinheiro (876-936), rei dos germanos a partir de 919, combateu os eslavos e os húngaros a fim de não somente assegurar o reino da Germânia, como também de livrar a Europa dessa tida "praga". Após a sua morte, o seu filho Oto I ou Otão I (912-973) assumiu o trono germânico, e dera continuidade as campanhas de seu pai contra os velhos inimigos. Em 10 de agosto de 955 na Batalha de la Lechfeld ao sul de Augsburgo (cidade do atual Estado da Baviera na Alemanha), venceu de forma definitiva os húngaros pondo fim a sua série de invasões. Com isso Oto I conseguiu promover uma relativa paz e ordem para a Germânia e seus aliados. Depois disso ele também participou de outras campanhas pacificadoras, dentre as quais na Itália, onde ajudou a se criar uma boa relação com o papado. Em 962 fora convocado a Roma pelo então Papa João XII, e então fora coroado sacro-imperador.


Com isso o Sacro Império Romano-Germânico agora renascia mais uma vez. E deste ponto em diante ele permaneceria quase que plenamente integral por longos séculos. Os imperadores da Dinastia Otiniana reergueriam o velho Sacro Império, o reorganizaria e o estabilizaria por durante quase todo o fim do século X e os idos do século XI. No novo governo otoniano, a Igreja teria uma forte influência no governo imperial. Posteriormente em alguns momentos, alguns dos próprios sacro-imperadores, chegaram a serem depostos por ordens de papas, ou por se encontrarem contra as propostas papais. Após a morte do imperador Santo Henrique II em 1024 a Dinastia Otoniana chegou ao fim, mesmo assim o império ainda sobreviveria nas mãos de outras dinastias.

Como eu já havia apontado anteriormente o Sacro Império durou de 962 a 1806, ou seja, são mais de 800 anos de história. Contudo não há como eu descrever tudo isso aqui, e mesmo que fosse pouca coisa dita, seria muito extenso. Sendo assim, deste ponto, partirei para o fim do império, durante o século XIX.

Os domínios do Sacro Império no século XIX.
Durante longas décadas, o Sacro Império fora bem forte, próspero e influente. Ele nunca chegou a ser muito vasto, como pode ser visto no  mapa ao lado, o qual basicamente retrata todo o território do império em si ao longo destes séculos. Como eu já havia dito, o termo império era algo quase que contraditório. Durante todos os séculos de sua existência, este fora governado por um imperador, e praticamente, por vários príncipes, condes e duques. Em alguns mapas vocês poderão notar a divisão detalhada desses principados, ducados e condados que formavam o dito império. No início do século XIX, o último sacro-imperador, Francisco I da Áustria ou Francisco II do Sacro Império (1768-1806), governou nos últimos turbulentos anos do império em meio a uma Europa assolada por guerras.

Francisco II do Sacro Império
Nessa época a Europa se encontrava em meio as chamadas Guerras Napoleônicas (1799-1815). Durante estes anos em que o imperador de França, Napoleão Bonaparte I, empreendia sua expansão territorial pelo continente a fim de conquistá-lo, muitas nações sofreram duras derrotas, como Itália, Espanha, Portugal, os Países Baixos, Bélgica, os países da Europa Central, e o próprio Sacro Império em si. De fato somente a Inglaterra e a Rússia é que se mostraram fortes rivais para a cobiça de Napoleão, pois o mesmo não chegou a atacar os países do norte e do leste da Europa. No entanto o antigo império já em declínio não conseguiu evitar a derrota para os exércitos franceses, em Ulm (Alemanha) e Austerlitz (República Checa). Tais derrotas levaram a Áustria a se render ao Império Francês, e em 26 de dezembro de 1805, fora assinada a Quarta Paz de Pressburg, na qual no ano seguinte em 6 de agosto de 1806, oficialmente o Sacro Império Romano-Germânico chegava ao fim, com a abdicação de seu último imperador, Francisco II.

Depois disso, Frederico, conseguiu reaver o trono austríaco e outras velhas possessões, e quanto a Alemanha, essa viveria seu período de Unificação Alemã, onde propriamente surgiria o que hoje concebemos como Alemanha, já que até então, não havia um país em si chamado de Alemanha.

Unificação Alemã

Antes de começar de fato a falar sobre o Império Alemão (Kaiserreich), irei contar um pouco do período que antecede o fim do Sacro Império e o inicio do II Reich. Em 12 de julho de 1806, antes do fim oficial do Sacro Império, Napoleão havia formado com alguns Estados alemães uma união, chamada de Confederação do Reno, nome este devido ao rio Reno, que corta a Europa de Norte a Sul. A Confederação durou de 1806-1814, quando se desmanchou após a derrota de Napoleão na Rússia. A Confederação tinha sido formada para dá apoio ao império francês.

Em 1815, na última reunião do Congresso de Viena (basicamente fora a reunião dos principais líderes europeus, a fim de resolver dentre algumas questões, a redivisão dos Estados europeus, após a queda de Napoleão). Desse Congresso, se formou a chamada Confederação Germânica (1815-1866). Basicamente a nova confederação, estava sob o domínio do Império da Áustria e do Reino da Prússia, além de contar com o apoio e a intervenção da Grã-Bretanha e Irlanda, dos Países Baixos, e de outros reinos, como Luxemburgo, Baviera, Saxônia, etc. A capital oficial da confederação ficava na cidade de Frankfurt.

Karl Marx
Em 1848, um ano o qual marcou a Europa, por diversas revoluções, alguns costumam dizer que 1848, fora o Ano das Revoluções. Basicamente as Revoluções de 1848, promoveram a luta pelo nacionalismo, liberalismo e por democracia. Os motivos que levaram a estas revoluções, vão desde problemas políticos, econômicos, administrativos e sociais. Entre tais problemas também se viu as lutas de classes. A burguesia alemã que estava em ascensão, começou a lutar pela constituição de uma nação alemã unificada. Não obstante, sociólogos como Karl Marx, incentivaram uma coligação entre sociais e liberais, a fim de lutarem não por uma monarquia parlamentarista, mas sim por uma República.

Quanto a Confederação Germânica, esta sofria com problemas econômicos e políticos devido a uma falta de unificação nacional. Nessa época, a Prússia passava a frente da Áustria no controle sobre os Estados alemães. A Prússia propôs que o seu rei, Frederico Guilherme IV (1795-1861), se candidata-se a se tornar imperador da Alemanha, prometendo dentre algumas coisas, a elaboração de uma constituição, a reforma politica e dentre outras questões governamentais. No entanto a Áustria não se deixou "passar a perna" e obrigou o imperador prusso a renunciar o cargo. De fato, Frederico Guilherme IV assumiu o trono entre (1849-1850), mas nesse caso não fora formado um império alemão, mas sim uma continuação da Prússia.

Com a negação tanto da Áustria e posteriormente da Prússia conformada com a derrota, ambas as nações evitaram de formar um Estado Alemão unificado, criando um parlamento e uma constituição para governá-lo. A criação de uma constituição fora uma das principais reivindicações dos alemães. Mesmo com a Áustria se negando a unificar os Estados alemãs, e a Prússia tendo sido derrotada, esta posteriormente voltaria a agir em prol dessa unificação.

Segundo Reich - Império Alemão


Kaiser Guilherme I
Após a década de 1850, a Prússia conseguiu enriquecer e até mesmo ultrapassar a Áustria, como uma nova potência europeia. Em 2 de janeiro de 1861, era eleito o rei da Prússia, Guilherme I (1797-1888). Guilherme I era um amante da arte da guerra, convocou Moltok, chefe do Estado-maior prusso e em 1862 elegeu Otto von Bismarck (1815-1898) como primeiro-ministro (chanceler) da Prússia. Moltok teria uma grande participação em uma série de batalhas durante a década de 1860, tendo participado com êxito das batalhas de a Guerra dos Ducados (1864), onde combateu a Dinamarca pelo controle de alguns Estados alemães; em 1866, talvez ocorrera a mais importante batalha para a unificação alemã, a chamada Guerra Austro-Prussiana. Durante este ano em que Áustria e Prússia se confrontaram, Bismarck desmanchou a antiga Confederação Alemã e criou uma Confederação da Alemanha do Norte (1866-1870). Basicamente metade do Estado alemão já se encontrava sob o domínio prussiano e unificado. Quanto a parte sul, esta era mais radical, e não queria aceitar a monarquia prussiana, fato este que levou os Estados do sul a se aliarem em 1870 aos franceses, a fim de conseguirem sua emancipação total.

Durante 1870 iniciou-se a Guerra Franco-Prussiana. A guerra se iniciou após alguns problemas monárquicos de sucessão. O trono de Espanha estava vago, e um príncipe prussiano se candidatou a assumi-lo, no entanto o imperador da França, Napoleão III (1808-1873), interferiu no assunto pedindo que Guilherme I proibisse tal indicação. Guilherme I aceitou tais motivos. No entanto o imperador francês voltou a fazer uma série de novas reivindicações, das quais Guilherme I se recusou aceitar. Sobre tal pretexto de injúria, a França declarou guerra a Prússia.

Em 1 de setembro de 1870 na Batalha de Sedan (França) o exército prussiano derrotou o exército francês de forma esmagadora, obrigando a sua rendição. Não houve um número exorbitante de mortos, mas a maior parte do exército e o próprio imperador Napoleão III, que estava no campo de batalha, foram feitos prisioneiros.
O chanceler alemão Otto von Bismarck e o imperador francês Napoleão III (à direita).
Na imagem acima pode se ver Napoleão III conversando com o chanceler Bismarck. Com a derrota francesa em Sedan, no ano seguinte não tardaria para a França assinar um acordo de paz com a Prússia.


Em 18 de janeiro de 1871, no Palácio de Versalhes em Paris, o rei da Prússia, Guilherme I era coroado kaiser (imperador) do Império Alemão, e junto a ele fora nomeado um parlamento (Reichstag). Um império de uma Alemanha unificada, agora possuindo ao todo 25 estados (em tempos passados a Alemanha chegou a possuir até mesmo 350 microestados, demostrando a fragmentação do poder imperial na época). O próprio Otto von Bismarck fora eleito chanceler do Império Alemão, tendo governado de 1871 à 1890. Sobre o governo de Bismarck irei contar um pouco como transcorreu, já que foi de suma importância para garantir o desenvolvimento da nova nação. Posteriormente no mesmo ano, em 10 de maio fora assinado o Tratado de Frankfurt entre França e Alemanha, o qual dentre algumas reivindicações estavam, os acordos de paz e a doação de duas regiões fronteiriças e uma indenização pós-guerra.

"A vitória dos exércitos alemães sobre a França foi, ao mesmo tempo, uma vitória da nobreza alemã sobre a classe média alemã". (ELIAS, 1997, p. 26).

"Algumas semanas mais tarde, o Tratado de Frankfurt deu ao Reich a Alsácia e parte da Lorena, e ainda uma indenização de 5 bilhões de francos, que contribuíram para desenvolver sua economia". (Grande Enciclopédia Larousse Cultural, 1998, p. 170).

Otto von Bismarck
Dada esta primeira parte, irei agora contar um pouco da política de Bismarck, o qual ficou conhecido como um dos ministros mais conservadores e poderosos da Europa. O governo de Bismarck ficou marcado por ter sido altamente nacionalista, conservadorista, militarista e autoritário. Com o dinheiro da indenização, o chanceler promoveu uma série de reformas desde questões administrativas, militares, ao desenvolvimento industrial do país. Em poucos anos a população cresceria rapidamente, o império enriqueceria e se industrializaria. No entanto, em meio a este desenvolvimento, conflitos surgiram. Bismarck pressionou muito a classe burguesa e a própria classe baixa, devido a altas cobranças feitas por esse. Logo tais cobranças levaram a revolta dessas classes. Líderes radicais começaram a surgir, os quais apoiavam o socialismo, a democracia e a república. Porém esse problema social não só estava vinculado a classe social propriamente dita, a minoria católica que residia ao sul do império, acabou se tornando adepta dessas ideologias. (Devo ressaltar que desde a época de Martinho Lutero, após a Reforma, os protestantes (maioria na Alemanha) se opuseram aos católicos, e desde então houve conflitos entre esses dois segmentos religiosos). Com isso, acabou surgindo na Alemanha um partido social católico, chamado de Ketteler. Além do Ketteler, houve outros grupos ou partidos socialistas identificados pelos codinomes de Lassale, Bebel e Liebknecht.

E para se combater essa revolta do clero católico, Bismarck criou o movimento do Kulturkampf, o qual fora um movimento anticlerical que perdurou de 1872 a 1878, quando ao invés de agir para enfraquecer a influência do Partido Católico, acabou o fortalecendo. Além do Kulturkampf ter combatido o partido social católico, ele também combateu os outros partidos socialistas. De fato mesmo com o fortalecimento do Ketteler, o socialismo não conseguiu romper com o império. Outra medida também tomada a fim de se enfraquecer as ordens socialistas, fora a criação de uma Previdência Social, a fim de se incentivar o nacionalismo entre a classe trabalhadora a favorecendo com rendas.


"O Reichstag votava o orçamento, mas o governo era nomeado pelo monarca, o Kaiser, e a ele prestava contas. O chefe intermediário entre o Kaiser e o Reichstag era o chanceler. O primeiro detentor desse cargo, Otto von Bismarck, usara a autoridade que auferia do Kaiser,  para obrigar o Reichstag a cumprir suas próprias ordens". (HOWARD, 2010, p. 27).


Em 1888, o governo do império iria ficar conturbado. Este ano fora chamado de Dreikaiserjahr "Ano dos Três Imperadores". O imperador Guilherme I veio a falecer em 9 de março, então o seu filho Frederico I da Alemanha (III da Prússia) assumiu os dois tronos. No entanto este acabou governando por um período de 3 meses, até ser deposto por seu filho, Guilherme II (1859-1941). Curiosamente o segundo imperador alemão, Frederico I também morreu no mesmo ano de seu pai, em 15 de junho. Com a morte dos dois imperadores, Guilherme II, com os seus 29 anos passaria a governar o império como terceiro e último imperador alemão.

Kaiser Guilherme II
Quanto a Bismarck, este tinha seus dias como chanceler imperial contados. Após a morte de Guilherme I, seu filho Frederico I não era muito a favor do modo de como Bismarck governava e vinha atuando nesses últimos anos. Alguns historiadores chegam a dizer que o governo de Bismarck pode ter sido considerado como uma anarquia. Seu ultra-conservadorismo e perseguição a partidos políticos de esquerda e a outros fatos de seu governo, o puseram em "maus lençóis" as vistas de Frederico I e também do próprio Guilherme II. Como o novo imperador não era favorável a política de Bismarck tratou de resolver esta situação. Em 1890, o kaiser obrigou Bismarck a pedir demissão, e este acabou se demitindo. Dali acabou abandonando a carreira política. Bismarck ainda viveria mais oito anos, até em fim, vim a falecer.


"[...] Guilherme II, um individuo que encarnava na sua pessoa três  qualidades que se pode dizer que caracterizavam a elite governante contemporânea: um militarismo arcaico, uma ambição desmedida e uma insegurança neurótica". (HOWARD, 2010, p. 29).

Em seu lugar fora eleito como novo chanceler do Império Alemão, o conde Leo Von Caprivi (1831-1899). De Caprivi em diante o cargo de chanceler imperial passou a ser regularizado entre um mandato de 4 à 5 anos, tendo em algumas ocasiões tempos inferiores ou maiores que o convencional. No entanto nenhum outro chanceler passou a dispor de tanto poder e autoridade quanto tivera Bismarck.

"A Alemanha de Guilherme II prosseguiu com o desenvolvimento econômico que a tornou em 1914, quando tinha 67 milhões de habitantes (contra 41 milhões em 1971), a primeira potência européia". (LAROUSSE, 1998, p. 170).

Mapa mostrando as alianças militares durante a Primeira Guerra.
Pela citação anterior, não irei me prender muito a detalhes do governo do novo imperador. Mas posso dizer que nos idos do século XX, a Alemanha como já fora apontada, era vista como uma nova potência mundial, em economia, e até mesmo em tecnologia em determinadas áreas. O militarismo acentuado durante o governo de Bismarck seria de grande importância durante o primeiro grande confronto do século XX, a Primeira Grande Guerra Mundial (1914-1918). Em meio a uma Alemanha capitalista, conservadora, pangermanista, militarista, surgiria os primeiros partidos socialistas e comunistas de influência, e os primeiros ideais de descriminação racial que culminariam na ideologia ariana de Hitler.

Nesse ponto eu vou me abster a descrever os acontecimentos da Primeira Guerra Mundial, mas irei explicar um pouco o que fora que se sucedeu. Em meio a uma Europa tumultuada por conflitos e disputas politicas internas e externas. Um dos motivos para o início da guerra fora a possessão de colônias em África. Outro fato era as conspirações políticas, já que nessa época, para alguns historiadores o mundo ainda não havia se desprendido totalmente do imperialismo. Com isso em 28 de julho de 1914, após uma série de acontecimentos políticos e o assassinato do futuro herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, Francisco Ferdinando, pelo estudante Gavril Princip, membro do grupo "terrorista" Mão Negra, levou o inicio da guerra em si. (Alguns consideram o assassinato de Ferdinando um bode expiatório, para assuntos mais sérios, que teriam levado ao inicio da guerra).


Como resposta ao assassinato do arquiduque Ferdinando, o Império Austro-Húngaro (também chamado de Monarquia Dual) declarou retalhação aos servos, já que o assassinato deu-se em território sérvio, e a Mão Negra era formada por membros da região dos Bálcãs, local disputado pelos austríacos e otomanos. Todavia, os russos haviam declarado apoio a Sérvia, devido a uma questão de cunho cultural e étnico (os sérvios e os russos eram povos eslavos). A partir de tais intervenções a guerra iniciou-se. Os austríacos tinham os alemãs como aliados, e em caso de entrassem em guerra os mesmos iriam dá-lhe apoio; o mesmo fato aconteceu para os russos, os quais eram aliados dos franceses e dos ingleses. Quando a Rússia declarou guerra aos austríacos, os franceses se viram obrigados a darem-lhes apoio devido a Alemanha que decidiu atacar a Prússia e a Rússia, não obstante, os alemãs também decidiram aproveitar a confusão e o estado de guerra declarado, e invadiram o norte da França e da Bélgica, levando a Inglaterra a socorrer seus aliados. Com isso a Primeira Guerra havia se iniciado. 

Mapa do Império Alemão
Com a declaração de guerra, duas frentes de batalhas se formaram. A Tríplice Entente (Inglaterra, França e Império Russo) contra a Tríplice Aliança (Império Alemão e Império Austro-Húngaro). De início estas cinco nações lutaram entre si, e posteriormente em 1917, quando os russos abandonaram a guerra devido a uma revolução interna em seu país (A Revolução de 1917), os Estados Unidos assumiram o seu lugar e continuam a guerra. A Itália e o Império Turco-Otomano também passaram a participar da guerra sem muita influência. Basicamente após 4 anos de conflitos, as forças da Tríplice Aliança já estavam bem enfraquecidas, e não tardou muito para aceitarem a sua rendição.

Porém não fora só a guerra que chegou ao seu fim. Os impérios Alemão, Austro-Húngaro e Russo chegaram ao seu fim. Na Alemanha de 1918, antes da assinatura do tratado de paz pondo fim oficialmente a Primeira Guerra, o kaiser Guilherme II pediu oficialmente abdicação do trono imperial, alegando entre alguns motivos não ter mais capacidade de se encontrar a frente do governo do país. Com isso o II Reich terminava e era implantada a República de Weimar.



"A 9 de Novembro de 1918, dois dias antes do armistício de Rothondes, Guilherme II abdicou, e foi acompanhado pelos soberanos regionais do império. Proclamou-se, então, a República alemã em Weimar, cujo o primeiro presidente foi o socialista Ebert". (Grande Enciclopédia Larousse Cultural, 1998, p. 170).

Terceiro Reich - Alemanha Nazista

Antes de ter se iniciado
o III Reich (Deutsches Reich) propriamente com o advento da proclamação por Adolf Hitler, a Alemanha passou o período entre-guerras sendo regida por uma conturbada e deficitária República instaurada na cidade de Weimar em 1918, logo após o fim da Primeira Guerra. No entanto mesmo com a fundação desta tão sonhada e aguardada república para muitos; alguns historiadores apontam que foram anos de problemas políticos e sociais.

"A malfadada República de Weimar foi estabelecida após 1918, no rastro de traumas nacionais sem precedentes  A derrota inesperada na Primeira Guerra Mundial, a abdicação do imperador, a ameaça de uma revolução comunista, a humilhação no Tratado de Versalhes e a perspectiva do pagamento de elevadas indenização aos aliados pesaram, dolorosamente, sobr
e os alemães". (WISTRICH, 2002, p. 61).

Basicamente após a assinatura do Tratado de Versalhes, além de ter que pagar uma indenização pós-guerra, a Alemanha fora acusada de ter iniciado a guerra, e também perdera suas colônias e outros te
rritórios fora da Europa. Somando tais problemas, havia as disputas internas dos partidos políticos,  dentre estes: partidos socialistas, democratas, nacionalistas, católicos, comunistas, etc. Em meio a essa luta de partidos para ver quem iria assumir o poder, a sociedade passava por problemas de ordem econômico, os quais pioraram entre 1919 e 1923. E além disso, havia também em meio a todo o jogo que se desenrolava em meio a essa política de rivais, a divulgação de ideias antissemitas e de preconceito racial. As organizações antissemitas (völkisch) difundiam através de propaganda, suas ideias das quais muitas vezes culpavam a derrota alemã na guerra e os problemas que o país passava, como tendo sido ato de judeus e estrangeiros inescrupulosos que atuaram por de trás do governo.

Dentre estas organizações que difundiam tais visões estava o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (
Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei - NSDAP), posteriormente conhecido como Partido Nazista. Fundando em 1919 em Munique, capital da Baviera, tinha como foco principal culpar os judeus por todos estes males que o país sofria, e tomar medidas radicais para se resolver tal situação. O partido só ganharia maior influência a partir da década de 30, quando Hitler se tornou o seu líder.

Sendo assim, durante a conturbada década de 20, os partidos nacionalistas alemães se digladiavam para assumir o poder. No entanto devo ressalvar aqui que a República de Weimar era uma república parlamentarista, sendo governada por um presidente, um chanceler e pelo parlamento (Reichstag). Com isso irei dá um salto breve, e começar a falar da importância política de Adolf Hitler no processo que levaria a criação oficial do III Reich.

Adolf Hitler nasceu em 20 de abril de 1889 na pequena cidade de Braunau, Áustria. Durante sua adolescência, sempre esteve muito ligado aos ideais nacionalistas do povo alemão e aos ideias antissemitistas. Hitler teve como influências, Georg von Schönerer, um nacionalista fanático alemão; o prefeito de Viena e líder do Partido Social Cristão, Karl Lueger, e o compositor Richard Wagner. Ambos homens eram adeptos de um forte nacionalismo, amor a pátria, a raça alemã, e críticos das raças tidas como "inferiores".

Hitler serviu como soldado no exército alemão durante a Primeira Guerra, chegando a se torna cabo e receber uma condecoração por bravura. Mas devido a um ataque com gás mostarda acabou ficando cego por alguns meses, tendo que ser retirado do campo de batalha, uma dura derrota, pois o mesmo tinha grande vontade de continuar no campo de batalha para lutar pelo seu país.  Após o fim da guerra e enquanto se recuperava no hospital, ele passou acreditar que a culpa da derrota dos alemães era devida aos judeus. Posteriormente, começou a trabalhar como espião se infiltrando entre partidos políticos e logo descobriu o gosto pela política. Em pouco tempo se tornou membro do Partido Nazista. Sobre tal feito suas ideias culminariam no crescimento do partido e na sua influência.

Entre 8 e 9 de novembro de 1923, Hitler com o apoio do general Erich von Lundforff, tentou junto com o Partido Nazista, realizar um golpe de Estado na Baviera, a fim de tomar o poder desta e posteriormente atacar a República em si. No entanto o Putsch da Cervejaria como ficou chamado tal golpe (devido ao fato do golpe ter sido planejado e iniciado no subterrâneo de uma cervejaria em Munique), acabou falhando e as autoridades prenderam seus membros. Porém durante um conturbado e confuso julgamento, Hitler acabou se safando de penas mais árduas. Em vez de cumprir os 5 anos que fora sentenciado, acabou cumprindo 9 meses de prisão e um cárcere com relativa comodidade. No tempo em que ficou preso, escreveu seu polêmico livro, Mein Kampf (Minha Luta). Em seu livro, concluído em 1924, logo após ter saído da prisão, ele expunha todo o seu ideal e visão sobre uma raça ariana, uma nação pura, e seu ódio pelos judeus e povos inferiores. O Mein Kampf fora considerado um manual para os nazistas, e até mesmo há quem diga que fora a sua "Bíblia".

"
Como autobiografia politica, Mein Kampf possibilita a perspectiva do berço e da formação de Hitler, bem como das influências que pesaram sobre sua visão de mundo". (WISTRICH, 2002, p. 66).

De 1925 à 1930, o Partido Nazista fora lentamente crescendo, até que em
1930, época da Grande Depressão começou a ganhar forças pelas suas ideias de reformar o governo do país. Em 30 de janeiro de 1933, Adolf Hitler fora eleito Chanceler da Alemanha. Logo um grande número de cadeiras do Parlamento (Reichstag), foram sendo ocupadas por membros nazistas. Deste ponto em diante, alguns historiadores costumam dizer que o III Reich se iniciou propriamente com a ascensão de Hitler ao cargo de chanceler. No entanto o seu poder só atingiria o máximo a partir do ano seguinte. Em 30 de junho de 1934, aconteceria o episódio chamado de "Noite dos Longos Punhais", na qual se tratou de uma série de assassinatos e prisões de rivais políticos e outros envolvidos em esquemas e planos contra o governo nazista, além do fato de se perseguir os judeus. Posteriormente em 2 de agosto do mesmo ano, o então presidente da República, Hindenburg (1847-1934) veio a falecer, e Hitler assumiu o controle do país, se tornando ditador e passando a ser chamado de Füher (líder).

"A ascensão de Hitler ao poder marcou o fim da emancipação judaica na Alemanha. Nos seis anos seguintes, um século de integração judaica à cultura e sociedade germânica seria revertido de modo brutal". (WISTRICH, 2002, p. 80).

Posteriormente após a sua subida ao poder, ouve uma correria armamentista e de recrutamento em todo o país. Com tal fato, os alemães acabaram quebrando o Tratado de Versalhes (uma das cláusulas do tratado proibia os alemães de organizarem um exército), no entanto isso não gerou inicialmente a guerra em si. No mesmo ano, a Itália de Benito Mussolini (o ditador do país) invadiu a Etiópia. No ano seguinte, Itália e Alemanha se uniram, e posteriormente estes se uniram ao Império do Japão.

Durante os primeiros anos do governo de Hitler como chanceler e ditador, viu-se uma demissão em massa de judeus, os quais não apenas foram demitidos, mas também foram proibidos de exercerem suas funções em outros locais. Houve também um grande boicote as lojas e empresas judias, que levaram a falência seus donos. Houve também uma grande migração de judeus para fora da Alemanha, dentre estes estava Albert Einstein. Além da questão trabalhista e econômica, os judeus também foram proibidos de fraquentarem escolas, teatros, museus, cinemas, e dentre outros locais. No entanto um dos grandes acontecimentos que marcaram o ano de 1933, fora a queima de livros e documentos de autores judeus e de textos de autores que eram contra o nazismo. Tal fato, fora empreendido em todo o país por direção do ministro Joseph Goebbels.

"Somados aos escritos de célebres "judeus" subversivos, como Marx, Freud, Einstein, Kurt, Tucholsky, Heinrich Heine e Leon Trotsky, obras de não-judeus, como Thomas Mann, Bertolt Brecht, Erich Maria Remarque, Erich Kästner e H. G. Wells, viraram fumaça, imoladas por serem a partir de então consideradas "literatura não-germânica". (WISTRICH, 2002, p. 82).

Em 1938, a Alemanha anexa a Áustria ao seu território, levando a conflitos políticos na Europa. Mas além disso, ocorre os problemas envolvendo os alemães com a perseguição aos judeus. Desde 1933, já havia campos de concentração
em território alemão.


Em meio as esses anos que antecedem a Segunda Guerra, a Schutzstaffel (SS) e a Gestapo, ambas as polícias tiveram grande papel antes e durante a guerra, a fim de não somente perseguir os judeus, mas como também espionar os inimigos, e capturar os possíveis delatores e traidores do Estado.

Posteriormente em 1939 se deflagraria a Segunda Grande Guerra Mundial. Em 1 de setembro, após ter assinado um pacto secreto com os russos a fim de se dividir o território da Polônia, as tropas nazistas a invadem, dando início a Segunda Guerra, a qual perduraria até 2 de setembro de 1945, quando oficialmente tem fim. (Como eu já havia feito antes em referência a Primeira Guerra, irei me abster a contar a respeito desta aqui. Sendo assim tratarei do final do III Reich).

Basicamente desde 1944, a Alemanha já estava praticamente derrotada, a guerra ainda perdurou por causa dos conflitos entre Estados Unidos e Japão no Oceano Pacífico. No entanto Hitler em 45, enquanto estava escondido em um bunker em Berlim, enquanto aguardava a cidade ser invadida pelas tropas soviéticas da Aliança (França, Inglaterra, URSS, Estados Unidos, etc), teria cometido suicídio em 30 de abril ao lado de sua esposa Eva Braun. Além dele, Himmler (1900-1945) o segundo no poder no nazismo, e grande responsável pela coordenação do Holocausto, também cometera suicídio antes de ser julgado em Nuremberg. Goebbels (1897-1945) ministro do Povo e da Propaganda nazista, também cometera suicídio  Alguns relatos apontam que fora Goebbels que ordenara que corpo do Füher
fosse cremado. Por isso de até hoje nunca o seu corpo ter sido encontrado, e há quem diga que ele não cometera suicídio, mas acabou fugindo e vivendo em secreto exílio até o final da vida.


De qualquer forma após esses doze anos de governo, o III Reich chegava ao fim. De todos os reich fora o mais curto, e se pensar que Hitler em seus discursos, dizia que iria criar as bases de um "reich que duraria 1000 anos". Com o fim do III Reich, a Alemanha passou algum tempo em posse dos países da Aliança, até recuperar sua autonomia, e acabar se dividindo durante a Guerra Fria.



Quarto Reich?

Nem todos os nazistas morreram ou foram presos com o fim da guerra em setembro de 1945. E nem todos foram julgados no Tribunal de Nuremberg, organizado para julgar os crimes de guerra. Parte dos funcionários nazistas, alguns até mesmo do alto escalão haviam fugido principalmente para a América Latina, onde alguns passaram a residir até o fim de suas vidas. Pelo desaparecimento destes homens, ainda pairou alguns anos depois após o fim da guerra a possível ameaça de uma insurreição nazista e de um Quarto Reich. O próprio líder da URSS, Joseph Stálin não ficou convencido da morte de Hitler, e enviou uma comissão investigadora para apurar tal fato. Por pelo menos dez anos na Europa, pairou um medo de um novo reich, o qual necessariamente não poderia ter origem na Alemanha, mas começar de outro lugar do mundo, onde houvesse nazistas determinados a fazer isso.



NOTA: A Dinastia Merovíngia, iniciou-se no século V, oficialmente no governo de Clóvis I (481-511). Contudo alguns historiadores apontam o seu inicio com o avô de Clóvis, Meroveu.
NOTA 2: O último rei merovíngio fora Childerico III, o Tolo, deposto por Pepino, o Breve.
NOTA 3: Após a morte de Carlos Magno, seu nome e feitos seriam lembrados em poemas e histórias épicas, que glorificavam suas ações. O imperador Oto I, o via como tendo sido uma verdadeira lenda viva.
NOTA 4: A dinastia otoniana fora formada por Henrique I, o Passarienheiro, Oto I, o Grande; Oto II, o Vermelho; Oto III, o Sagrado e Santo Henrique II da Germânia.
NOTA 5: Atualmente os territórios da Alsácia e Lorena, fazem parte do território francês, após serem devolvidos anos depois do término da Segunda.
NOTA 6: As revoluções de 1848, contou com a participação de vários países dentre os quais: Alemanha, França, Áustria, Itália, Hungria, etc.
NOTA 7: Richard Wagner (1813-1883) ficou conhecido por ter sido um grande compositor, maestro e poeta alemão. Dentre seus temas preferidos, estavam os mitos dos povos nórdicos, onde ele exaltava os feitos dos heróis e deuses. Wagner também tivera o nome manchado na sociedade, por envolvimento com assuntos criminosos. No entanto ele próprio possuía uma visão preconceituosa racial.
NOTA 8: Em março de 1933, em Darchau 
(Alemanha) fora aberto o primeiro campo de concentração.
NOTA 9: Após o fim da II Guerra, fora aberto os Julgamentos de Nuremberg, como forma de se julgar os crimes de guerra. Muitas das provas relativas ao Holocausto e a outros crimes foram destruídas pelos nazistas a fim de acobertar seus idealizadores, por isso há quem diga que o Holocausto não existiu. Mesmo que muitas provas foram destruídas, as que foram descobertas são irrefutáveis para provar sua veracidade. 

Referências Bibliográficas:

HEERS, Jacques. História Medieval. São Paulo, DIFEL, 4 ed, 1985.
HOWARD, Michael. Primeira Guerra Mundial. Porto Alegre, LPM, 2010.  
KOSMINSKY, E. A. História da Idade Média, Rio de Janeiro, Editorial Vitória, 1963.
ELIAS, Norbert. Os Alemães: A luta pelo poder e a evolução dos habitus nos séculos XIX e XX. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed, 1997.
WISTRICH. Robert, S. Hitler e o Holocausto. Rio de Janeiro, Objetiva, 2002.
Grande Enciclopédia Larousse Cultural. São paulo, Nova Cultural, 1998.

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Carlos Magno

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Violência e propaganda foram as armas de Adolf Hitler (em português)
Portal Segunda Guerra Mundial
"A Segunda Guerra Mundial - A História da Alemanha"
"Um conflito que mudou o mundo" (segunda guerra)
O Holocausto e a Segunda Guerra Mundial
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Vários episódios do Holocausto