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Leandro Vilar

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Tiradentes: O homem por trás do mito

Quando se fala em Tiradentes, logo se lembra de que foi o mártir da Inconfidência Mineira, o qual foi preso e morto por ter ousado confrontar a Coroa Portuguesa neste movimento que tinha o intuito de proclamar a independência da Capitania de Minas Gerais. Mas, por trás de toda essa questão da luta pela liberdade, pelos direitos dos colonos "brasileiros", pela autonomia da colônia perante a Metrópole, se esconde a verdadeira história e imagem de Tiradentes. Falarei aqui no geral, não me prendendo a maiores detalhes.

Joaquim José da Silva Xavier, nascido em 1746, na Fazenda do Pombal, na época nas terras da Vila de São João del-Rei, hoje município de Ritápolis, Minas Gerais. Foi filho de fazendeiros e ainda jovem perdeu os seus pais, e acabou perdendo o direito sobre as terras, indo morar com seu padrinho. Aprendeu a profissão de minerador, comerciante, barbeiro e cirurgião-dentista, depois se tornou tropeiro e tentou abrir seu próprio negócio, mas acabou não dando certo. 

Entrou no exército, assumindo o posto de alferes (equivalente a segundo tenente, hoje em dia), chegou a ser comandante da patrulha do Caminho Novo (nome dado a uma das estradas que liga Minas ao Rio de Janeiro), no entanto por volta de 1787, perdeu o posto de comandante da patrulha, e posteriormente como não conseguiu ser promovido na carreira militar, largou o exército. 

Então mudou-se para o Rio de Janeiro, onde viveu por cerca de um ano, tentou promover uma iniciativa pública para canalizar as águas dos rios Andaraí e Maracanã para melhorar a distribuição de água na cidade, mas o governou vetou sua proposta, isso o levou a retornar para Minas. O ano era 1789, e já corriam ideias revolucionárias por algumas vilas mineiras, algo que atraiu o seu interesse. Joaquim José acabou ficando conhecido pelo apelido de Tiradentes devido a época que atuou como barbeiro e cirurgião-dentista, pois naquele tempo, era comum os barbeiros também arrancarem dentes. 

Quanto a sua ligação ao movimento dos inconfidentes, ele foi mais um dos seus membros, e não o líder ou um dos grandes idealizadores como se pensou por muito tempo, algo que de certa forma foi imposto para nós crermos; neste caso, ele executou um papel interessante neste movimento. Por ser um homem conhecido pelos pobres e pela elite de Minas, foi o seu mediador entre as duas classes. 

Em 1789, os inconfidentes motivados pela Independência das Colônias Americanas (1776), decidiram por em ação a sua iniciativa. Neste ano quando a Coroa impôs mais severamente a cobrança de impostos, chegando a proclamar a derrama (era o quinto ou 20% da produção de ouro que deveria ser pago a Coroa, se não fosse pago, ele iria acumulando, e chegando ao ponto de que a família que não tivesse como pagar o quinto, teria os bens confiscados em seu valor) como obrigação para aqueles que não pagassem os impostos, os inconfidentes começaram agir. 

A derrama foi aprovada na tentativa de aumentar o baixo lucro que as minas estavam gerando naquela época. De fato, o ciclo aurífero já havia entrado em declínio, o grande problema não era o desvio e contrabando de ouro, mas sim, o fato de que as minas estavam esgotadas, daí a Coroa impor a derrama, pois de certa forma acreditava-se que a baixa produção aurífera não viria do esgotamento das minas, mas sim do desvio e do contrabando. 

A ideia da Inconfidência não era apenas protestar contra a derrama, mas tentar mobilizar o povo mineiro a iniciar uma revolução para se proclamar a independência de Minas Gerais e se fundar uma república. Diferente do que se conjecturou, os inconfidentes não pensavam em libertar o Brasil, mas apenas Minas Gerais. A ideia de Brasil como nação, inexistia naquela época, assim como, a ideia de brasileiro, no sentido de nacionalidade, também não existia.

Naquela noite de 15 de março de 1789, os inconfidentes saíram as ruas prontos para lutarem por seus ideais e direitos, contudo o movimento não deu certo. Joaquim Silvério dos Reis (membro dos inconfidentes) traiu os demais e delatou o plano as autoridades. Neste caso, muitos conseguiram fugir na época, o próprio Tiradentes foi preso em 10 de maio, no Rio de Janeiro, enquanto estava de licença e visitava um amigo. Tiradentes foi avisado que as autoridades estavam a procura dos inconfidentes, e ele acabou mesmo assim sendo descoberto.


Prisão de Tiradentes, por Antônio Diogo da Silva Parreiras, 1914.
Tiradentes ficou preso na "Cadeia Velha", localizada no subterrâneo do prédio da antiga Câmara do Rio de Janeiro, hoje sobre o local encontra-se o atual Palácio de Tiradentes, sede da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de JaneiroDurante os quase quatro anos que ficou preso, o processo do julgamento dos inconfidentes ainda se desenrolava na justiça, até que naquele ano de 1792, chegou a um veredicto. E é a partir deste momento que a história de Tiradentes começa ser mitificada.

De acordo com a história, ele teria se responsabilizado por todos os planos do movimento de Inconfidência, sendo assim, os demais membros capturados foram livres da pena de morte, mas foram punidos de outras formas, como terem que pagar multas e partirem para exílio. Deve-se ter em mente que alguns dos inconfidentes eram membros do Exército, como o tenente-coronel Francisco de Paula Freire de Andradecomandante dos Dragões, e o coronel Domingos de Abreu e Viera, além de também entre os membros terem  havido padres, artistas, funcionários públicos, comerciantes, etc. 

Restando a Tiradentes a pena de morte por seus crimes, julgados de lesa-majestade (crimes contra o soberano e a Coroa). Em 21 de abril de 1792, Joaquim José da Silva Xavier foi condenado a pena de enforcamento, como atesta sua sentença:


“Justiça que a Rainha Nossa Senhora manda fazer a este infame Réu Joaquim José da Silva Xavier pelo horroroso crime de rebelião e alta traição de que se constituiu chefe, e cabeça na Capitania de Minas Geraes, com a mais escandalosa temeridade contra a Real Soberania, e Suprema autoridade da mesma Senhora que Deus guarde. Manda que com baraço (corda ou laço para estrangular) e pregão seja levado pelas ruas públicas desta cidade ao lugar da forca, e nela morra morte natural para sempre e que separada a cabeça do corpo seja levado a Villa Rica, donde será conservada em poste alto junto ao lugar da sua habitação, até que o tempo a consuma; que seu corpo seja dividido em quartos, e pregados em iguais postes pela Estrada de Minas nos lugares mais públicos, principalmente no da Varginha, e Sebolas; que a casa da sua habitação seja arrasada, e salgada, e no meio de suas ruínas levantado um Padrão em que se conserve para a posteridade a memória de tão abominável Réu, e delicto, e que ficando infame para seus filhos, e netos lhes sejam confiscados seus bens para a Coroa e Câmara Real. Rio de Janeiro, 21 de Abril de 1792”. (Aj G – Bol da PM nº. 053 - 18 ABR 2008 – Fls. 3).


Martírio de Tiradentes, Francisco Aurélio de Figueiredo e Melo. A imagem é um tanto dramática, onde mostra um homem cobrindo a face, como se estivesse chorando ou envergonhado, enquanto um frei ou padre clamava ao Céu, como se tivesse pedindo piedade pela alma de Tiradentes. 
Após quase quatro anos de prisão, este veio as ser enforcado na antiga Praça do Campo da Lampadosa (atualmente Praça Tiradentes), e depois seu corpo foi esquartejado e os pedaços espalhados pela cidade do Rio de Janeiro e pela estrada que levava a Vila Rica (atual Ouro Preto), na época, capital de  Minas Gerais. Algumas versões sugerem que o seu enforcamento foi uma encenação, que ele havia sido assassinado na prisão. Outros relatos apontam que sua cabeça, a qual foi pregada em um poste em uma praça de Vila Rica, teria sido roubada depois. 


Vista área da Praça Tiradentes no Rio de Janeiro, local onde em 21 de abril de 1792, Tiradentes fora enforcado. Ao centro da praça se encontra a estátua equestre do imperador D. Pedro I, construída vários anos depois da morte de Tiradentes. 
Tiradentes não morreu como herói ou um mártir. Ele morreu como um rebelde, como um traidor. O qual teve o infortúnio de levar a pior. A Coroa Portuguesa não poderia deixar aquilo passar em branco. Ela deveria dar o exemplo, e isso recaiu sobre as costas de Tiradentes, o qual acabou servindo de exemplo a população, para quem tentasse promover algum ato revolucionário, sofreria as mesmas consequências. 

Após a morte de Tiradentes, somente quase um século depois é que ele viria a ser lembrado na História, e se tornaria um mártir e um "herói nacional". Foi durante o processo republicano que culminaria na Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, onde ele passaria a ser lembrado como um herói. Até lá, Tiradentes viveu em um hiato temporal em anonimato. 

Mas como foi que ele se tornou um mártir, um herói?

Tudo começou com os ideais republicanos. Os republicanos buscavam a imagem ou a representação de um herói popular para retratar os ideias republicanos. Ídolos são poderosas formas de se proclamar alguma ideia. Entre as diversas revoltas que aconteceram, dentre as mais importantes estiveram a Conjuração Baiana (1798), a Revolução Pernambucana (1817), a Guerra dos Farrapos (1835-1845) e a Guerra do Paraguai (1864-1870).

Dentre todos estes movimentos muitas pessoas participaram, e muitos eram os candidatos a serem heróis populares, por que a escolha de Tiradentes? Os motivos são vários, mas, dentre eles está o fato de que ele foi relativamente um homem conhecido no movimento da Inconfidência Mineira. Foi um homem da classe baixa (intuito de se remeter a questão do "povo", do "popular"), foi o único a ser culpado e executado e teve a execução presidida por discursos que salvavam e glorificavam a rainha Dona Maria I

Neste caso a questão de que ele antes de morrer foi "agredido" pela veneração a rainha, a quem combateu. Isso reafirmava a ideia dos republicanos, pois eles viram na pessoa do alferes um "rebelde contra a opressão da monarquia portuguesa"; isso era algo que eles queriam incentivar no povo brasileiro, que o republicanismo seria a liberdade da opressão monárquica. 

Sendo estes e outros motivos, ele foi o escolhido para ser o representante, contudo ainda faltava uma questão a ser resolvida, a sua imagem, sua retratação. Hoje Tiradentes é retratado como se tivesse sido um homem de longa barba e cabelos, semelhante a imagem de Jesus Cristo, fato este devido a ele ter passado quase quatro anos na cadeia, e não poder ter cortado os cabelos e feito a barba? A primeira imagem que temos de Tiradentes data do ano de 1889, antes disso não se conhece nenhuma imagem de sua pessoa, algo comum, pois apenas aqueles que tinham dinheiro, tinham condições de contratarem pintores para fazer seus retratos. 

Neste caso, em 1889, foi encomendado ao renomado artista André Delpino (1864-1942) o trabalho de se pintar a imagem oficial de Tiradentes. Então, Delpino desenhou uma imagem de perfil do mártir da Inconfidência, ainda usando o "laço da morte" envolta do seu pescoço.


Primeira imagem conhecida de Tiradentes, desenhada por Alberto Delpino a pedido dos republicanos, pois até então não se conhecia a face do herói que era celebrado. Curiosamente, o retrato lembra muito as imagens de Jesus Cristo.
Na realidade, a história é outra. Primeiro, Tiradentes serviu no exército, era alferes, sendo assim ele não poderia ter os cabelos e a barba longos, no máximo um bigode. Segundo, enquanto esteve na prisão era comum os presos terem as cabeças raspadas ou cabelos curtos e a barba feita, para se evitar problemas com piolhos, algo comum em muitas prisões antigas, pois os presos não tinham o direito de tomar banho com frequência, e para se evitar a proliferação de piolhos, era comum ter os cabelos e a barba aparados. Porém, se ele não cortou os cabelos ou fez a barba, três anos e alguns meses é um bom tempo para tudo isso crescer. A imagem abaixo seria de fato a retratação mais próxima de sua realidade, de como ele teria se vestido.


Tiradentes retratado vestindo o uniforme de alferes.
Com isso, a ideia de se representar Tiradentes com cabelos longos e barba, parecido com Jesus, era uma forma de se reforçar sua mitificação, e a imagem de "bom homem". Além do mais, o Brasil desde a época colonial e até hoje é predominantemente católico, e Jesus Cristo era a figura mais conhecida pelo povo. 

Logo, tornar Tiradentes parecido com Jesus, era uma boa maneira de torná-lo conhecido aos olhos da nação, e reforçar sua importância. Concluído esta mitificação da imagem de Tiradentes, os representantes republicanos lhe consagraram uma data comemorativa que de fato veio a se tornar feriado nacional, o dia 21 de abril (curioso que se comemora o feriado de Tiradentes, e quanto ao "Descobrimento do Brasil", quase que passa em branco todos os anos, embora questiona-se se foi ou não um descobrimento, ou uma invasão ou usurpação, mas o Brasil "nasceu" naquela data de 22 de abril, quer queira ou não).

Atualmente pode se visitar a cidade Tiradentes em Minas Gerais (nome dado em homenagem ao mártir), o Museu Tiradentes em Manaus, o Palácio Tiradentes no Rio de Janeiro; o Museu da Inconfidência, em Ouro Preto; além de uma série de praças, ruas, estações, escolas, etc., com o seu nome. Tiradentes também é conhecido como Patrono Cívico do Brasil, Patrono da Polícia (devido ao ofício de alferes) e Herói Nacional. De fato, 21 de abril também é o Dia da Polícia Civil e Militar no Brasil. 

Se Tiradentes realmente foi um grande líder como dizem ser, não saberemos ao certo. No entanto sua imagem o tornou grande.

NOTA: O Partido Republicano surgiu no Brasil nos anos de 1870, no Rio de Janeiro. Em pouco tempo, passou a ter seguidores em São Paulo, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
NOTA 2: A antiga Vila de São José do Rio das Mortes, foi rebatizada com o nome de Tiradentes, o qual conserva até hoje.
NOTA 3: Caminho Novo, era uma das estradas reais que ligava a zona mineradora a cidade do Rio de Janeiro. Tiradentes atuou na chefia da patrulha dessa estrada por alguns anos. 
NOTA 4: Tiradentes não chegou a se casar, mas tivera um romance com Antônia Maria do Espírito Santo, como quem tivera uma filha, chamada Joaquina da Silva Xavier. Alguns historiadores salientam que ele também tivera outros filhos. Os herdeiros de Tiradentes ainda é uma causa problemática ainda hoje. Desde 1969, o Governo Federal oferece pensão a alguns supostos descendentes do mártir, porém, há quem defenda que isso seja errado, pois tais pessoas não seria descendentes de Joaquina, a qual cuja história é praticamente desconhecida. 
NOTA 5: A Praça de Tiradentes em Ouro Preto (antiga Vila Rica), era chamada no século XIX, de Praça da Independência. O nome mudou em 1894, quando o governo republicano mandou ali erguer uma estátua em homenagem ao inconfidente. 
NOTA 6: A cidade de Brasília, atual capital do Brasil, foi inaugurada oficialmente em 21 de abril de 1960. A data foi escolhida para coincidir com o feriado de Tiradentes, como uma referência ao simbolismo republicano construído sobre sua pessoa. 

Referências Bibliográficas:
CHIVIANETO, Júlio José. As várias faces da Inconfidência Mineira. São Paulo, Contexto, 1989.
MEIRELES, Cecilia
. Romanceiro da Inconfidência. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2005.
JARDIM, Marcio. A Inconfidência Mineira: uma síntese factual. Rio de Janeiro, Biblioteca do Exército Editora, 1989.

Referência da internet:
Boletim da Sentença de Tiradentes
Biografia de Tiradentes
Tiradentes: A verdadeira história - Plínio Tomaz

LINKS:
Museu do Palácio Tiradentes - RJ
Informativo sobre o Museu Tiradentes de Manaus
Museu da Inconfidência
LEI Nº 7.705/88 - Pensão especial para trinetos de Tiradentes

12 comentários:

Gidalia disse...

Realmente... não se comemora (quase nem se fala) o dia do Descobrimento do Brasil, mas o Dia de Tiradentes, sim! Só falta propagar mais na mídia, nas escolas e nas comunidades quem foi Tiradentes e o que foi a Inconfidência Mineira.

BIKER disse...

Em primeiro lugar Tirandentes não nasceu na cidade que leva o seu nome, ele nasceu na fazenda do pombal que na época pertencia a cidade de são joão del rei e que hj pertence ao municipio de ritápolis, em segundo lugar vc deveria ter explicado que o museu onde teria sido a cadeia e a praça onde supostamente foi enforcado ( Apesar de que há controvérsias sobre o próprio enforcamento, supostamente tudo nao passou de uma encenaçao, porem realmente haveria ocorrido o enformamento, mas do Sr. Renzo Orsini, um artista de circo da época que teria se passado por alferes. [http://www.pliniotomaz.com.br/downloads/tiradentes.pdf]) fica no Rio de Janeiro, no texto acima deu a entender que foi na cidade de tiradentes, que na verdade a unica relaçao que tem com a inconfidencia e a casa que hj e museu e que na epoca era utilizada para reunioes dos inconfidentes.

Leandro Raliv disse...

Agradeço Biker por suas observações pertinentes ao conteúdo do texto.

Maria Eduarda disse...

me ajudou bastante com um trabalho de história ! amei *--*

Inglês Para Hotelaria disse...

Texto MUITO completo. Parabéns pelo trabalho! Chegamos até seu site através do portal Português do Brasil. Eles usaram a imagem de Tiradentes em uniforme e colocaram um link para seu site. Vale a pena dar uma olhada: http://www.portuguesdobrasil.com.br/sociedade/dia-de-tiradentes/

Leandro Raliv disse...

Eu não sabia sobre esse link divulgado nesse site que menciona-se, fico surpreso e contente em saber que algumas pessoas estão dando valor ao meu trabalho.

Astro Nauta disse...

Realmente com a abertura democrática de nosso país, cada vez mais vamos sabendo de coisas que são diferentes daquelas aprendidas na escola. Uma delas é a respeito da iconoclastia de Tiradentes.
Dizem que ele não usava nem barba e nem bigode. Esta imitação de Cristo, foi feita há tempos e sacramentada através da Lei Federal 4897 de 1966 pelo presidente Castelo Branco, quando foi definido a imagem com barba e cabelos longos de Tiradentes. Dizem tbm que Joaquim José da Silva Xavier, era maçom, bem como quase a totalidade dos líderes do movimento de independência. Segundo historiadores, dentre eles Machado de Assis e Assis Brasil, relatam que Tiradentes não morreu enforcado. Quem morreu em seu lugar e teve seu corpo esquartejado foi o facínora italiano Renzo Orsini. Tiradentes, com a ajuda dos maçons da época e da rainha de Portugal, Da. Maria I, refugiou-se no porão da mesma Rua dos Latoeiros e depois foi para Lisboa no navio "Golfinho", onde viveu até 1808. No mesmo ano voltou ao Brasil com a família real. Chegando ao Rio de Janeiro reviu sua mulher Francisca e sua filha Joaquina e morreu de velhice. Tiradentes teria inclusive tratado de assuntos atinentes à inconfidência com Thomas Jefferson, embaixador americano na França, bem como seu exílio e Portugal. Tiradentes foi pessoa de confiança de D. João. Tanto que teria tratado de Da. Maria I em sua fase de loucura. Inclusive teria trazido para o Brasil uma filha bastarda do rei por imposição da rainha Carlota Joaquina. Boa noite!

Angélica disse...

Controvérsias ou não, temos uma história de revolução e se tudo isso for verdade, o Brasil é constituído de maracutaias... Eu cresci acreditando que Tiradentes era o herói da inconfidencia mineira que lutava pela libertação do Brasil de Portugal...

Leandro Vilar disse...

Angélica eu também cresci acreditando no heroísmo de Zumbi dos Palmares, Tiradentes, D. Pedro I, D. Pedro II, Princesa Isabel, Deodoro da Fonseca, Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, etc. Mas quando me tornei historiador, vi que nem sempre isso é algo claro. Que existe uma "maquiagem" ocultando imperfeições e outras rugas.

Tiradentes é um mártir forjado quase cem anos depois. Inclusive Joana d'Arc virou santa quase quinhentos anos depois. Embora vinte anos após sua morte, o Papado reconheceu que foi um erro sua condenação, ainda assim, ela continuou por mais de trezentos anos sendo chamada de bruxa. Mas diferente de Tiradentes, Joana teve um lado heroico e uma grande participação na Guerra dos Cem Anos.

D. Pedro I não libertou o Brasil de Portugal, por pena ou bondade. Ele queria assegurar um trono para si, enquanto não podia disputar o trono português. Além disso, muito da maquinação feita para a independência não foi planejada pelo príncipe, mas por José Bonifácio e outros aristocratas, os quais tinham interesse na independência. Além disso, em 1831, Pedro I abdicou do trono brasileiro para ir disputar o trono português.

A Princesa Isabel, aclamada como a Redentora, a Libertadora, não foi tão heroína assim. O governo imperial vinha sendo pressionado a abolir a escravidão ao longo de trinta anos, isso no caso interno, pois no caso externo, há mais de 50 anos a Inglaterra pressionava abolição.

Isabel que nunca foi muito afeita a política, decidiu usar o momento, e proclamar a abolição, mas isso não ajudou a perpetuar a popularidade do império, a qual estava em baixa. No ano seguinte, os militares deram um golpe de Estado.

Anderson De Oliveira disse...

adorei saber mais sobre esta história !!!

Amanda Tabarelli disse...

Toda História depende da intenção de quem a conta.

Sílvia Antônia disse...

Interessante! !!